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Categories: Sexualidade

Será que eu sou gay?

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3 min de leitura · 

Gay, homosexual, será que meu interesse sexual é assim ou assado?

Lembro da primeira vez que vi essa pergunta por aqui. 

Eu estava testando o chat no blog e um adolescente português, dos arredores de Lisboa, entrou e soltou a pergunta sem nem esperar um: “oi, estamos testando”… Ajudei e orientei como podia naquele instante: ele se foi, não sei o que houve. Espero que tenha se encontrado.

A Raquel também já fez um post falando sobre o tema: Será que sou lésbica, e o post dela tem figurado entre os mais lidos nas últimas semanas. 

Também já publicamos um outro texto: Descobri um novo interesse sexual e tenho dúvidas. 

Esse foi um post mais longo, falando sobre assuntos que envolvem a sexualidade; e, se você chegou até aqui, termine de ler este texto e recomendo, leia o outro também, pode esclarecer outras dúvidas.

Afinal, parece uma pergunta simples com uma resposta simples. Mas não é. 

Não é fácil para você ou para um psicólogo responder “você é gay” ou “você não é gay”. 

Até porque não é o psicólogo que responderá essa, mas sim, você. 

E se você está com dúvidas, a recomendação está em algumas sessões de terapia para falar sobre o assunto. Aqui no psico.online, por exemplo, temos vários Psicos que atendem online e também presencialmente. 

Ser gay, no Brasil, em 2020.

Estamos em uma sociedade homofóbica, com muitas características conservadoras e há uma imagem generalizada da família padrão heterosexual como modelo social principal. 

Isso quer dizer que a maior parte das pessoas considera a composição mãe, pai e casal de filhos como a correta. Mesmo que esta não seja a realidade da maioria das família brasileiras.

Outra coisa importante é que ser gay no meio da Avenida Paulista é diferente de ser gay na periferia, assim como é diferente ser gay em uma família com alto aculturamento contra uma de baixo, ou um grande metrópole versus uma cidade do interior nos confins desse Brasil – e no caso do guri que nos procurou, em parte do mundo.

A vinda ao psicólogo com a dúvida

Quando você vem até um site de psicologia, procurando um psicólogo para entender se você é gay, se você é bisexual ou se tem dúvidas em relação a isso, nosso papel, é de fazer perguntas para que você perceba que a orientação sexual não é tão óbvia. 

Estamos falando de uma prática (experiência sexual), de desejo (está gostando de uma pessoa do mesmo sexo), de um sonho (sonhou que estava transando com pessoa do mesmo sexo) ou de um tipo de identidade (ele se acha feminino e ela se acha masculina).

Estamos também discutindo a cultura onde você está inserido, os impactos que isso tem na sua vida e nas suas escolhas. 

A informação, nesse caso mais importante é saber que o papel da/o psicóloga/o não é explicar porque você é ou não gay, pois assim como não existe explicação para alguém ser heterossexual, não existe uma explicação para isso.

Existem informações importantes: a primeira é que não é uma doença. A segunda é que não existe opção sexual. Existe orientação sexual – que é produzida pelas relações que a pessoa tem na vida, o contexto social, histórico e familiar.

Não existe um estereótipo, ou seja, não há um modelo de homossexualidade, nem de heterosexualidade. As pessoas podem ser sensíveis ou mais cascudas, podem ser peludas ou peladas, podem ter voz grossa ou fina. Podem estar ativas sexualmente ou não.

Importante também saber que trabalho junto ao psicólogo, provavelmente irá além da conscientização a respeito da sua sexualidade.

Podendo passar pelo descobrimento de sua personalidade e seus próprios conceitos ou preconceitos, e como a sua orientação sexual impacta a sua maneira de se ver e sentir-se bem. Pois é comum que um período de dúvidas seja também um período de fortes conflitos internos.

Poderá também, se necessário, servir de suporte e fortalecimento dos seus aspectos saudáveis para que o processo de descobrimento e afirmação seja de fato seu, isolando ou filtrando pressões externas.

Se existem dúvidas quanto a sua sexualidade, seja no sentido de orientação, prática ou identidade, é importante que não sejam “varridas para baixo do tapete”. A sexualidade é parte importante da vida humana e negar dar atenção a isso quando necessário, pode diminuir muito a sua qualidade de vida.

Caderno Psicologia e Diversidade

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