Culpa: Por que está tão presente no universo feminino?

Culpa: Por que está tão presente no universo feminino?

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Vocês sabem como se deu a construção da mulher moderna, sua culpa  e o que isso tem acarretado? Quero te convidar a conhecer essa história e, ao final, proponho 6 dicas para se cuidar melhor e driblar essa culpa. Vamos lá?

A mulher moderna tem se desdobrado em diversos papéis para dar conta de todos os afazeres. Até mesmo por processos inconscientes que as obrigam a querer mostrar o quanto são boas, já que foi negado, por tanto tempo, um papel ativo na sociedade.

Com toda essa batalha por conquista de espaço e participação na sociedade a mulher não saiu ilesa e tem pago um preço muito alto por isso.

O preço

A tendência da mulher moderna é a de conciliar um grande número de atividades e provar que dá conta de tudo: Profissional competente; mãe protetora; cuida da casa – das decisões e afazeres domésticos; cuida do marido e, por vezes, estende esse cuidado a outros parentes, como pais e avós.

Além disso, existe uma preocupação latente em cumprir os padrões de beleza: ser magra, sexy e antenada com a moda. Ou seja, um malabarismo para administrar as atividades domésticas, pessoais e profissionais que acabam, muitas vezes, culminando em culpa e frustração, pois nem sempre ela consegue dar conta de equalizar tudo.

Se por um lado a conquista do trabalho e o desenvolvimento da vida profissional é algo que traz realização à mulher, a maternidade e a conquista da família também são. Dedicar-se a um é estar incompleto para o outro, o que acaba gerando mais culpa e frustração.

Assim, a mulher atual tem sofrido de culpa, que em última instância pode gerar outras patologias como insônia, síndrome do pânico e até depressão, comprometendo sua qualidade de vida.

Culpa por não se dedicar aos filhos como gostaria, culpa por escolher se dedicar à família ao invés da realização profissional ou vice-versa, culpa por não dar atenção necessária ao marido, culpa por sair da linha na alimentação, culpa por não conseguir dar atenção aos pais, e por aí vai.

Mas nem sempre foi assim!

Acredita que já houve um tempo em que a mulher não precisava provar seu valor?

Historicamente a mulher precisou fazer um enorme esforço para conquistar seu espaço no mundo, e disso todas nós já sabemos. O que não sabemos é: COMO a mulher ficou relegada a um papel tão secundário e por tanto tempo?

Numa época mais remota, quando os homens viviam nas matas, não existia a ideia de domínio entre homens e mulheres. Muito pelo contrário, a mulher ocupava o lugar do sagrado por ter o “poder” da procriação.

Nessa época não se conhecia a participação do homem na reprodução humana, acreditava-se que a mulher era tomada por algum tipo de divindade que lhe concebia o fruto da gravidez.

Existiam cultos sagrados para a concepção da vida e as mulheres foram cultuadas por longo período, tanto que vem dessa época as diversas Deusas que viviam no imaginário dessa civilização. Apesar disso, não havia a ideia de subordinação, homens e mulheres viviam em harmonia entre eles e a natureza.

A medida que o homem foi se organizando, abandonou a caça e passou a dominar a agricultura e a criação de animais para sua subsistência. Na lida com os animais passou-se  a observar que só havia nascimento de novas ovelhas quando machos e fêmeas eram colocados juntos. Dessa forma foi feito uma descoberta reveladora: o macho tinha participação na procriação.

O início do patriarcado

Foi um fato tão impactante, após anos acreditando que a fertilidade era exclusivamente feminina, a participação do homem na criação lhes dava a potência negada por muito tempo. A partir daí houve uma ruptura na humanidade, transformando a relação entre homens e mulheres.

Com a fúria de quem foi enganado por tanto tempo, surge a prepotência masculina e a mulher vê a manifestação do patriarcado. Aos poucos a superioridade física dá lugar a superioridade ideológica, dividindo o mundo em masculino e feminino. A mulher é colocada como inferior ao homem, devendo-lhe subserviência.

Nas próximas gerações que se seguiram vimos a mulher ocupando um lugar quase invisível na sociedade. Os casamentos eram contratos entre famílias, arranjados pelos pais para se manter o patrimônio familiar. A mulher passa a ser propriedade do homem. Seu  papel principal é lhe dar filhos, preferencialmente “macho” para a continuidade de seu nome. Ela é afastada das decisões e da vida social.

Um longo tempo se passou a partir daí, com muita batalha, esforço, estudo, queima de sutiã e muitos protestos, as mulheres conseguiram conquistas significativas no avanço do espaço feminino; embora ainda haja muito a conquistar. A batalha é diária para vencer o machismo e o preconceito, apesar de já haver caminhado um bom tanto.

Consequências

Todo esse quadro de sobrecarga e culpa citado no início do texto faz com que a mulher se anule e acabe não olhando para si e para as suas necessidades.

Esse padrão de comportamento vira um hábito de afazeres diários, onde um dia acaba por ter mais que 24 horas. Ela acorda cedo para mandar as crianças para a escola e dar conta dos afazeres domésticos.

Trabalha preocupada e não se alimenta bem, vai dormir muito tarde e, muitas vezes, dorme mal. Isso quando não tem insônia porque não se sente boa o suficiente, já que sempre fica algo por fazer em sua lista interminável.

E o que ela ganha? Mais culpas!

Mas a culpa não é de todo um mal, pois também tem seu papel na psique humana. Ela tem a função de nos chamar a atenção para alguns comportamentos e assim avaliar a conduta, buscando correções.

Já pensou nisso? O importante é não ficar ruminando a culpa, mas usá-la a seu favor!

Então vamos lá, vou propor 6 dicas para você, mulher, se cuidar administrando a culpa:

1. Não queira ser perfeita

Super mulher é só nas histórias em quadrinho, não queira abraçar tudo sozinha!  Vejo muitas que ainda estão na cultura de que “coisa de casa é de mulher”. Casamento é uma sociedade onde a “empresa” lar/família é responsabilidade dos dois. O segredo é selecionar aquilo que é mais importante, fazendo escolhas conscientes daquilo que está no seu escopo de afazeres e dividir com seu companheiro a administração do lar.

2. Aceite suas limitações e perdoe-se

Se hoje não conseguiu fazer tudo, não deu a atenção necessária para seus filhos ou seu marido, tudo bem, faça isso amanhã. A autocompaixão é fundamental para eliminar a culpa destrutiva que não te leva a lugar nenhum.

3. Não deixe que te manipulem

O primeiro passo é saber diferenciar a culpa real da culpa fantasiosa (neurótica). Nesse quesito é a baixa autoestima e o perfeccionismo que falarão mais alto. Fique atenta, pois pessoas poderão usar isso contra você. Se alguém tentar usar essas fraquezas para te atingir (marido, filhos, colegas de trabalho, chefe, etc.) não caia nessa cilada, procure um entendimento racional e lógico dos fatos.

4. Dê a devida importância para o sono

Você deve estar se perguntando: mas o que o sono tem a ver com isso? Pois eu te digo – muito! Com toda essa aceleração da vida o sono tem sido negligenciado, como se fosse algo secundário, afinal, horas de descanso significam trabalhar menos

Acontece que o sono é  muito importante e está ligado diretamente com a saúde física e mental. Uma noite bem dormida melhora muito seu desempenho. Assim, mãos à obra, ou melhor cabeça no travesseiro!

Para um repouso de qualidade procure deixar os problemas do lado de fora do quarto.  Eu sei que não é fácil, mas é um exercício, e olhar para isso vai te ajudar muito!

Estabeleça um horário para ir para a cama todas as noites a fim de  acostumar seu relógio biológico. Evite usar aparelhos eletrônicos como celulares antes de dormir, além de deixar o cérebro ligado a luz da tela impede a produção do hormônio do sono.

Nunca durma menos de 6 horas por noite. Por fim, cuide do ambiente deixando-o silencioso e escuro. Você verá que melhorando suas noites de sono, ficará mais predisposta e com cabeça para administrar a vida com maior sabedoria.

5. Reserve um momento só seu

Não deixe a rotina do trabalho e da casa tomar todo o seu tempo, reserve um tempo para fazer o que gosta. Seja um trabalho manual, aulas de dança ou simplesmente socializar com as amigas num encontro para um café. Isso possibilitará uma maior conexão consigo, sem contar que deve distribuir seus papéis para se sentir mais plena e não ser somente mãe, esposa ou profissional.

6. Não se masculinize para mostrar força

Para realizar suas conquistas e mantê-las a mulher se apossou de forças tidas como predominantemente masculinas, tais como: energia voltada para o trabalho e intelecto, agressividade, competitividade, rudeza e diretividade. Homens e mulheres carregam  energias masculinas e femininas e precisam equilibrar esses dois polos para ter uma vida mais plena.

Ocorre nos dias atuais um desequilíbrio entre os casais, levando sofrimento para ambos. Busque sua força na energia feminina que está ligada a empatia, o acolhimento, a intuição, a criatividade e principalmente a energia vital. Distribuir os papéis dentro da relação é um caminho, além de equilibrar a rotina diária.

Agora que você já sabe como se deu essa construção histórica da mulher e o que pode fazer para melhorar a qualidade de vida: mãos à obra!

Se ainda assim estiver com dificuldade, principalmente em driblar a culpa, talvez você precise da ajuda de um profissional, pense nisso!

Referências

Lins, Regina Navarro (200.7) A cama na varanda: arejando nossas idéias a respeito de amor e sexo: novas tendências. Ed. Rev. e Ampliada. – Rio de Janeiro.

Becker, Nathália Brandolim. A importância do sono na prática psicológica. disponível em: https://psico.club/conteudo/A_importancia_do_sono_na_pratica_da_Psicologia/1008/31

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Rosemeire Garófolo
Psicóloga Rosemeire Garófolo CRP 06/134.961- Psico.Online - Um psicólogo para chamar de seu.
Psicóloga clínica de abordagem Psicanalista, graduada pela Universidade São Francisco. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (em andamento) pelo Centro de Formação em Psicanálise clínica Campinas. Formação em Coaching pela Sociedade Internacional de Liderança e Coaching em 2018. Atendimento a adolescentes e adultos. Através do seu trabalho pretende possibilitar condições para que as pessoas desenvolvam autonomia, autoconhecimento e o engajamento com seus valores, significado e propósito, produzindo melhorias em suas vidas.
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Rosemeire Garófolo

Psicóloga clínica de abordagem Psicanalista, graduada pela Universidade São Francisco. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (em andamento) pelo Centro de Formação em Psicanálise clínica Campinas. Formação em Coaching pela Sociedade Internacional de Liderança e Coaching em 2018. Atendimento a adolescentes e adultos. Através do seu trabalho pretende possibilitar condições para que as pessoas desenvolvam autonomia, autoconhecimento e o engajamento com seus valores, significado e propósito, produzindo melhorias em suas vidas. WhatsApp: 19-992233268

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