automutilação - cortes no corpo

Fazer cortes no corpo? Precisamos falar sobre isso.

6 min de leitura · 

Você está fazendo cortes no corpo ou já fez? O que significa quando uma pessoa corta a própria pele, por espontânea vontade?

Quando estamos manuseando uma faca na cozinha, no preparo de alimentos, ou utilizando um estilete para apontar um lápis, por exemplo, e nos cortamos involuntariamente, a dor causada pelo ferimento condiciona a sermos cada vez mais cuidadosos ao manipular esses objetos cortantes. Se, para a maioria das pessoas, o medo do ferimento com uma lâmina provoca tantos cuidados, por que então existem outras que se cortam propositalmente?

Seria uma busca desenfreada por adrenalina fazer esses cortes no corpo?

Seria por um estranho prazer em sentir dor através de se cortar?

Clique e fale com um Psicóloga Online agoraSeria simplesmente para chamar a atenção ou uma prova à família, amigos e sociedade de quem se corta, na tentativa de demonstrar coragem, força e determinação?

Muitas são as perguntas, mas qualquer resposta que tente explicar o motivo pelo qual alguém provoca em si um corte, deverá considerar muito a individualidade de cada um, observando com cuidado e respeito o momento e as batalhas existenciais que cada pessoa enfrenta naquele momento da vida.

A automutilação é o nome dado ao ato de provocar, por vontade própria, qualquer tipo de ferimento físico como os cortes no corpo.

Esse comportamento, além de causar dor, não é uma prática habitual, e normalmente é adotado por pessoas com diagnósticos de graves transtornos mentais, e que não possuem o entendimento da realidade, como são registrados em alguns quadros de Esquizofrenia, por exemplo.

Mas é um terrível engano acreditar que somente indivíduos adoecidos mentalmente podem provocar em si a automutilação como cortes no corpo.

Não tão raro tomamos conhecimento de pessoas que provocam cortes na própria pele. Pessoas, que muitas vezes, aparentemente gozam de boa saúde física, estudam, trabalham, namoram e participam de várias atividades familiares e sociais, contudo, em algum momento da vida, experimentaram a sensação de usar contra si um instrumento cortante, a ponto de provocar graves ferimentos.

Esses comportamentos são registrados, na sua maioria, entre meninos e meninas na fase da pré-adolescência, se estendendo até o final da juventude, antes da fase adulta.

Sabemos que é no final da infância que as coisas na vida de uma pessoa começam a se complicar. Ao deixar a infância, nos deparamos com uma série de situações de difícil entendimento. O corpo sofre um processo brutal de transformação, em um ritmo alucinantemente acelerado. A complexa mudança no corpo humano gera uma produção muito grande de hormônios, essenciais para preparar a estrutura humana, que ainda há pouco era de criança, para receber todas alterações físicas e mentais que a vida adulta irá exigir.

Esse complicado processo, que transforma por completo a mente e o corpo, causa também instabilidades afetivas.

É quando choramos com maior facilidade e frequência, quando não conseguimos compreender algumas decisões e vontades das outras pessoas, quando não conseguimos enxergar com clareza que profissão seguir, de quem gostar ou de como gostar desse alguém, sentimos também dificuldades na compreensão dos conflitos enfrentados pelos outros.

Naturalmente, esse momento de grandes mudanças parece ser a fase mais difícil enfrentada por alguém, e nossos problemas, dúvidas, mágoas, raiva, desejos e dor parecem ser os mais urgentes do mundo. Fica quase impossível de refletir e entender que dividimos o Planeta com mais de 8 bilhões de habitantes, e eles também enfrentam suas batalhas pessoais.

E o que significa quando eu corto a minha própria pele?

Significa que algo não está indo muito bem, e que a maneira de compreender alguns acontecimentos da vida precisa ser reajustada.

Em algumas culturas africanas, a automutilação é entendida como uma maneira de purificar o corpo e a mente perante a sociedade a qual o adolescente está inserido. Em culturas indígenas, o sofrimento do corpo e os ferimentos autoprovocados sugerem um ritual de passagem e o afastamento dos maus espíritos. Não queremos aqui criar discussões étnicas, sobre qual cultura é ou não equivocada, o fato é que na nossa cultura, a automutilação não é e nunca foi reconhecida como saudável.

Quando alguém provoca em si um corte, pode significar que um ou mais fatores da vida não estão de acordo com as expectativas criadas, e que naquele momento, não consegue perceber o que está indo mal, ou se percebe, não possui outros recursos para resolver os conflitos, e inconscientemente, acredita que punir o próprio corpo pode ser a maneira mais adequada para sinalizar às outras pessoas que está em um estado de profundo sofrimento, indecisão ou preocupação.

Em outras situações, quando alguém se corta também pode estar tentando entrar em contato com uma maneira de provar para si mesmo que é capaz de feitos corajosos, ao mesmo tempo que aplica a autopunição por não conseguir, de maneira menos dolorosa, encontrar uma saída para as dúvidas que a vida lhe apresenta.

Em qualquer destas situações, esse método é absolutamente inadequado, não tem eficácia alguma e é extremamente prejudicial para o desenvolvimento saudável do corpo físico e do estado mental, além de propiciar, por vezes, a falsa sensação de saída para os conflitos.

Atualmente, muito temos visto e ouvido falar no jogo “Baleia Azul”. Uma sequência de “tarefas” que coloca à prova a coragem dos adolescentes. Dentre essas “tarefas”, a provocação de cortes na própria pele é a característica marcante do “jogo”, que em nível extremo, pode sugerir o suicídio.

A “Baleia Azul”, além de não ajudar no enfrentamento dos problemas, afasta o jogador dos caminhos que o levariam à resolução dos conflitos!

Talvez provocar cortes na própria pele pode ser a única maneira encontrada de dizer ao mundo, ou para si mesmo: “Ok, o que eu sinto aqui dentro do peito está doendo demais, eu não sei bem o que é e o que eu preciso fazer para resolver isso, mas a dor que o estilete me proporciona me ajuda a esquecer o corte maior que rasga o coração…” Eu não conheço as dores individuais de cada pessoa que já se automutilou, ou de quem já pensou em fazer isso, mas sei que se cortar não irá resolver qualquer problema, isso eu posso garantir!!!

Quem tem um relacionamento afetivo adequado com a família, namorado ou namorada, ou quem passa por um momento de tranquilidade na vida escolar ou profissional, que goza de boa saúde, estuda, pratica esportes ou participa assiduamente de grupos sociais, qualquer um, que mantém em dia sua vida espiritual, intelectual e social, jamais provoca em si um corte!

É claro que nem sempre é possível ter uma vida em equilíbrio em todas essas instâncias, inclusive, é muito difícil manter em ordem todas as camadas da vida, contudo, a maior prova de coragem de um ser humano é a capacidade de refletir e tentar compreender os próprios problemas, as possíveis causas deles e as opções para as soluções.

Nem sempre é possível chegar à essas conclusões sozinho. Melhor do que a lâmina, é um instrumento chamado DIÁLOGO. Discutir sobre as dores que o peito sente é o melhor começo para resolver todo e qualquer problema, e quando eles envolvem diretamente os familiares, amigos, a pessoa que se ama, ainda assim vai restar um poderoso recurso: A ajuda de um profissional.

O Psicólogo estará absolutamente aberto a ouvir, acolher, e juntamente com a pessoa que sofre, encontrar as melhores alternativas de resoluções. O amor e a atenção cortam mais do que a mais afiada das navalhas, e a diferença é que eles proporcionam soluções altamente eficazes, duradouras e indolores.

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Emerson Puche
Psicólogo CRP 06 / 131902 graduado pela Faculdade Anhanguera Educacional da cidade de Campinas/SP, pós graduando em Intervenções Psicossociais no contexto das Políticas Públicas e Docência do Ensino Superior na área da Saúde pela Faculdade Campos Elíseos de São Paulo. Formação acadêmica com ênfase em Plantão Psicológico. Psicólogo Clínico e Agente do Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar do Estado de São Paulo desde 2016. Busca constante aprimoramento na Abordagem Centrada na Pessoa, da linha Humanista. Atualmente investiga as relações interpessoais em Mediações de Conflitos.

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Psicólogo CRP 06 / 131902 graduado pela Faculdade Anhanguera Educacional da cidade de Campinas/SP, pós graduando em Intervenções Psicossociais no contexto das Políticas Públicas e Docência do Ensino Superior na área da Saúde pela Faculdade Campos Elíseos de São Paulo. Formação acadêmica com ênfase em Plantão Psicológico. Psicólogo Clínico e Agente do Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar do Estado de São Paulo desde 2016. Busca constante aprimoramento na Abordagem Centrada na Pessoa, da linha Humanista. Atualmente investiga as relações interpessoais em Mediações de Conflitos. Telefone: (18) 99108-4423 Fale com este Psico.Online https://meupsicoonline.com.br/psicologo-emerson-puche

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