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Ensinem as crianças a como pensar e não o que pensar

4 min de leitura · 

Você já parou pra pensar em como é difícil educar crianças? Nunca sabemos se estamos no caminho certo, ajudando, incentivando, mas esse texto pode te dar algumas pistas, vem ler.

Um certo professor tinha o costume de contar uma parábola ao fim de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam a mensagem.

– Professor – disse em tom desafiante um de seus alunos, – sempre nos conta uma história, mas nunca nos explica o seu significado.

– Peço desculpas por ter agido assim – respondeu o professor, – e para reparar esse erro, vou lhe presentear com um delicioso pêssego.

– Obrigado professor.

– Porém, quero lhe agradecer conforme o merecido. Me permite descascar o pêssego?

– Sim, muito obrigado. – surpreendeu-se o aluno, lisonjeado pela gentil oferta do mestre.

– Gostaria, já que tenho a faca na mão, que o cortasse em pedaços, para que te seja mais cômodo?

– Eu adoraria, mas não quero abusar de sua generosidade, professor.

– Não é um abuso se eu te ofereço. Só quero poder lhe agradar em tudo o que eu possa. Permita-me também mastigá-lo antes de lhe dar.

– Não professor. Eu não gostaria que fizesse isso! – queixou-se surpreendido e contrariado o aluno.

O professor fez uma pausa, sorriu e disse:

– Se eu explicasse o sentido de cada parábola à vocês, seria como dar-lhes frutas mastigadas.

Tristemente, muitos professores e pais pensam que o melhor é entregar as frutas perfeitamente cortadas e mastigadas às crianças. Na verdade, a sociedade e as escolas estão estruturadas de tal forma que se focam mais na transmissão de conhecimentos, de verdades mais ou menos absolutas, do que em ensinar aos pequenos a pensar por sua conta e tirar suas próprias conclusões.

Os pais, também educados por esse esquema, repetem em casa o erro de mastigar a fruta. Reproduzimos aquilo que nos ensinaram, ainda que esteja errado e ainda que nem sempre estejamos conscientes disso.

Porém, ensinar uma criança a acreditar cegamente em supostas verdades, sem questioná-las, ensiná-las o que devem e como devem pensar, implica tirar-lhes uma de suas capacidades mais valiosas: a autodeterminação.

Educar crianças não é criar, mas ajudar a criarem a si mesmas.

A autodeterminação é a garantia de que, seja lá o que elegermos, seremos nós mesmos os protagonistas de nossas vidas. Podemos errar. Na verdade é bastante provável que erraremos muitas vezes, mas aprenderemos com o erro e seguiremos nosso adiante, enriquecendo nosso “kit de ferramentas” para a vida.

Desde o ponto de vista cognitivo, não existe nada mais desafiante que os problemas e os erros, já que estes não só demandam esforço, mas também um processo de mudança e adaptação. Quando enfrentamos um problema se ativam todos os nossos recursos cognitivos e, geralmente isso implica numa reorganização do esquema mental.

Por isso, se ao invés de darmos as verdades absolutas às crianças, colocarmos desafios para que pensem, estaremos potencializando a capacidade de observação, reflexão e tomada de decisões. Se as ensinamos a aceitar sem pensar, essa informação não será significativa, não produzirá mudanças importantes em seu cérebro e simplesmente se armazenará em algum lugar de sua memória, onde pouco a pouco vai se apagando.

Ao contrário, quando refletimos para solucionar um problema ou tentamos compreender onde erramos, se produz uma reestruturação que dá lugar ao crescimento. Quando as crianças se acostumam a pensar, a questionar a realidade e a buscar soluções para si mesmas, começam a confiar em suas capacidades e enfrentam a vida com maior segurança e menos medos.

As crianças devem encontrar sua própria maneira de fazer as coisas, devem dar sentido ao seu mundo e aos poucos ir formando seu núcleo de valores. Mostramos possibilidades, mas não fechamos em verdades absolutas.

Como fazer isso?

Uma série de experimentos desenvolvidos na década de 1970 na Universidade de Rochester nos dá algumas pistas. esses psicólogos trabalharam com diferentes grupos de pessoas e descobriram que as recompensas podem melhorar até certo ponto a motivação e a eficácia quando se trata de tarefas repetitivas e entediantes, mas podem chegar a ser contraproducentes quando se trata de lidar com problemas que demandam reflexão e pensamento criativo.

Curiosamente, as pessoas que não recebiam prêmios externos tinham melhores resultados na resolução de problemas complexos. De fato, em alguns casos essas recompensas faziam com que as pessoas buscassem atalhos e assumissem comportamentos pouco éticos, já que o objetivo deixava de ser solucionar o problema, para converter-se em obter a recompensa.

Esses resultados levaram o psicólogo Edward L. Deci a defender a teoria de autodeterminação, segundo a qual para motivar as pessoas e as crianças para que deem o seu melhor, não é necessário recorrer a recompensas externas, mas simplesmente promover um ambiente adequado que cumpra com esses três requisitos:

  1. Sentir que temos certo grau de competência, de maneira que a tarefa não gere frustração e ansiedade exageradas.
  1. Desfrutar de certo grau de autonomia, de maneira que possamos buscar novas soluções e implementá-las, sentindo que temos controle.
  1. Manter interações com as pessoas, para nos sentirmos apoiados e conectados.

Por último, deixaremos esse curta da Pixar, que aborda precisamente a importância de deixar que as crianças encontrem seu próprio caminho e não que sigam respostas e soluções pré-determinadas.

Retirado de Rincón de Psicología Blog (traduzido e adaptado)

Referências: Deci, E. L. & Ryan, R. M. (2000) Intrinsic and Extrinsic Motivations: Classic Definitions and New Directions. Contemporary Educational Psychology; 25: 54–67.

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One thought to “Ensinem as crianças a como pensar e não o que pensar”

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