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Analgésico x Empatia

4 min de leitura · 
Sabe aquele analgésico nosso de cada dia? Saiba que ele pode destruir a sua empatia!
Existe um medicamento que se converteu no nosso maior aliado para combater a dor e aliviar a febre, devido a suas propriedades analgésicas e antitérmicas: o Paracetamol, um dos remédios mais consumidos no mundo todo.
Mesmo que se trate de um medicamento bastante seguro e a maioria das pessoas tem boa tolerância para ingerí-lo, alguns efeitos adversos podem surgir com o tempo, como hipotensão e aumento dos níveis de transaminase no sangue, mas o maior problema aparece quando se ingere de forma contínua e em doses altas, já que o fígado poderá ser afetado.

Porém, seus efeitos psicológicos começaram à pouco a se estudar. Há apenas um ano um estudo mostrou que o paracetamol reduz nossa capacidade para experimentar emoções positivas! E agora uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Ohio mostrou que o paracetamol não somente acaba com a dor, mas acaba também com a nossa empatia.

Sob o efeito do analgésico: ao sentir menos dor, subestimamos a dor do outro.

O estudo em questão foi realizado em 80 estudantes universitários. A metade deles recebeu uma dose de 1000 mg de paracetamol e a outra metade recebeu um placebo. Depois foi lido para eles uma série de histórias sobre pessoas que se feriram e solicitou-se então, que qualificassem a dor que esses personagens poderiam experimentar. Os resultados revelaram que quem havia tomado paracetamol indicava índices mais baixos de dor, mostrando menor empatia.
Os pesquisadores não se deram por satisfeitos com esses resultados e refizeram o experimento introduzindo outras variações. desta vez recrutaram 114 estudantes e os expuseram a sons altos e desagradáveis. Pediram para que qualificassem quão desagradável havia sido a experiência e quão desagradável poderia ser para outra pessoa. Curiosamente, quem tomou o paracetamol indicou que a experiência não era tão desagradável e que tampouco seria para outras pessoas.
Os pesquisadores foram um passo mais à frente e decidiram comprovar o nível de empatia, não só com a dor física, mas também com o sofrimento emocional. Desta forma, os participantes teriam a possibilidade de identificar-se com o sofrimento de uma pessoa que estava atravessando uma situação difícil.
Nesta ocasião, os participantes se reuniram e socializaram entre si, brevemente. Logo passaram para um quarto em que se encontravam sozinhos, mas podiam ver três pessoas que acabaram de conhecer. Nesse “jogo”, duas dessas pessoas excluíam uma terceira da atividade. Os pesquisadores pediram aos participantes que qualificassem quanto estavam prejudicando os sentimentos da pessoa excluída.
Os resultados mostraram que quem tomou o paracetamol pensava que excluir a pessoa não feria os seus sentimentos. Tudo indicou que os participantes não se mostraram muito preocupados por ferir os sentimentos da pessoa excluída.

Cuidado: o paracetamol anestesia o cérebro e as emoções.

Estudos anteriores demonstraram que a empatia ativa em nosso cérebro as mesmas zonas que se encontram ativadas no cérebro da pessoa que experimenta a dor. Sem dúvida, como o paracetamol atua diretamente sobre os nervos e receptores do cérebro, cortando o sinal de dor, é compreensível que seu consumo possa diminuir nossa capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros.
Sem dúvida, a empatia não só é fundamental para compreender aos demais, mas também nos ajuda a regular nosso comportamento com base nos sinais que percebemos do nosso interlocutor. Portanto, se você tomou paracetamol e for discutir com uma pessoa, é provável que seja muito mais rude, já que não será capaz de medir o alcance das tuas palavras e atitudes.

Ainda assim, não entre em pânico, já que se trata de um efeito transitório que desaparece a medida que nosso organismo vai liberando o medicamento. Entretanto, seria interessante que você avalie se realmente precisa tomar o paracetamol.

Além de tudo isso, recentemente foi feita uma meta-análise que incluiu os dados de 666.000 pacientes em que se revelou que o consumo sistemático deste medicamento aumenta em 63% as possibilidades de morrer de maneira inesperada, aumenta em 68% o risco de sofrer um infarto ou um AVC e existe 50% mais probabilidade de sofrer com uma úlcera ou um sangramento estomacal :/

Então, o mais razoável, como sempre, é apostar por um consumo moderado e somente quando muito necessário.

E como já dissemos aqui, se a dor de cabeça insiste em te pegar, um psicólogo pode te ajudar a resolver isso 😉

Fontes:

Mischkowski, D. et. Al. (2016) From Painkiller to Empathy Killer: Acetaminophen (Paracetamol)
Reduces Empathy for Pain. Social Cognitive and Affective Neuroscience; 11(5).

Robert, M. et. Al. (2016)  Paracetamol: not as safe as we thought? A systematic literature review of observational studies. Ann Rheum Dis;75: 552-559.
Retirado e traduzido de: Rincón de la Psicología

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