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Terrorismo em Barcelona, violência e o medo nosso de cada dia

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2 min de leitura · 

Semana passada Barcelona sofreu um atentado terrorista e, certamente todos os cantos do mundo com algum acesso a informação ficaram sabendo disso. Eu vivo na Espanha, mais especificamente em Madri, que fica a poucas horas do lugar do ocorrido e daqui fiquei sabendo quase que imediatamente e com certa riqueza de detalhes.

Quando vi o primeiro aviso meu corpo estremeceu, fiquei alguns segundos paralisada, sem saber o que fazer. Pensei imediatamente em alguns amigos que vivem ali e queria saber se estavam bem.

Na sequência veio o medo, um medo estranho, que eu nunca havia sentido antes. Nunca estive tão perto de um ataque terrorista. Procurei me acalmar.

Algumas pessoas me escreveram perguntando se por aqui estava tudo bem e que bom, eu podia dizer que sim.

Não quis sair de casa nesse dia e nem no seguinte. Moro muito perto de uma zona turística e confesso, ainda tenho medo de algo acontecer por ali.

Isso tudo me fez pensar em como a gente se torna refém do medo, da violência.

E de que não precisa um ataque em massa pra ser triste, pra causar pânico. Lembrei dos meus anos em São Paulo, do medo de voltar pra casa à noite, sozinha. Do pânico de parar no semáforo, do cuidado extra com a bolsa.

E conclui que vivemos o “terrorismo” em qualquer canto desse mundo, infelizmente. Meu medo particularmente estranho dessa vez, só foi resultado de um excesso pontual, porque em São Paulo, ele era “dosado” dia a dia, mas no fim das contas são iguais.

Isso me deixa triste, me causa certa angústia, mas também me faz pensar que precisamos lidar com esses medos e nos libertarmos dessa prisão em que o mal nos coloca.

E me permitam o devaneio, eu acredito que esse mal só pode ser combatido com o amor. Com a nossa entrega e ajuda mútua. Enquanto escrevo essa frase penso que precisamos nos unir numa corrente de amor. Praticar a sororidade, buscar a empatia, incluir a aceitação em nosso dia a dia.

Sei que não vamos acabar com o terrorismo, nem com a violência, nem com os assaltos ou coisas do tipo, mas podemos acabar com o medo. Podemos nos apoderar de um sentimento de controle emocional e assim, sairmos da bolha do medo.

Que tal se criassemos grupos pra voltar do trabalho ou da faculdade, ao invés de precisar caminhar a sós?

Que tal se a gente formasse grupos para falar sobre o medo e sobre o que podemos fazer para enfrenta-lo?

Que tal se a gente usasse esse espaço, nos comentários, pra buscar alternativas e enfrentar essa sensação de ser refém?

Somente juntos combatemos o medo, somente juntos ajudamos a diminuir a dor de alguém, somente juntos podemos pensar em como instaurar a paz.

Que Barcelona esteja bem logo, que Paris, Berlim, Rússia, Finlândia, Brasil estejam bem, que nós estejamos bem.

Que a paz, pelo menos a que habita o nosso coração, possa falar mais alto.

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Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

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