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O beijo é uma forma de diálogo

8 min de leitura · 

“o beijo é uma forma de diálogo”…. disse George Sand, importante novelista francês do século 19, em algum lugar que não achei a fonte original (somente em um artigo sobre o beijo), mas que representa bem o momento que transitamos. Ou pelo menos, a tentativa de algo assim: diálogo.

Aliás, escrevendo este artigo achei outro texto falando sobre o Beijo Gay na telenovela “Amor a Vida” [1]. E deixo o link na referência para você recordar. Lembro-me que na época também foi discutido muito pelo seu propósito.

Então, como forma de diálogo e objetivo, falamos de beijos há algum tempo e, embora particularmente, eu não entenda o motivo de tanta causação, tentarei me abster de comentários proprietários – como este – e transitar um pouco sobre o contexto, respostas e sobre o objeto do post: o beijo.

A definição de beijo vem do latim, com base em amor e ou respeito.

O beijo é considerado o ato ou efeito de tocar, pressionando os lábios sobre a pessoa, animal ou objeto querido ou com valor simbólico, em uma demonstração de afeto. [2]

No livro O Poder do Beijo há uma narrativa imensa sobre todo o processo e significação do beijo, do processo de respeito, até o processo de sexualidade e modo mecânico do cérebro e lábios.

O motivo deste texto sobre beijo

Vamos contextualizar rapidamente a época e a ambientação para você que está meio perdido na discussão.

Em 05 de setembro de 2019, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, tentou impedir que a história em quadrinhos “Vingadores – A Cruzada das Crianças” fosse comercializada na Bienal devido a ilustração de um beijo entre dois personagens. O caso ganhou repercussão nacional e a discussão se prolonga e divide opiniões.

Falando em divisões: Marcelo Bezerra Crivella (Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1957) é um engenheiro, escritor religioso e político brasileiro, filiado ao Republicanos, de modelo conservador e atual prefeito do Rio de Janeiro, cargo que ocupa desde 1 de janeiro de 2017. [4] e que tem por modo operante trabalhar afirmações em proteção a família, moral e bons costumes amparado pelo seu exercício religioso onde pontua informações controversas sobre minorias e religiões diferentes da sua.

No seu pedido a prefeitura carioca alegou que a obra desrespeitava artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), apesar dos livros estarem lacrados e o conteúdo não ter nenhuma imagem erótica, seja na capa ou nas folhas internas.

Além disso, saímos há pouco de uma sequências de longas metragens com bilheterias cinematográficas gigantes onde os personagens da Marvel ganharam notoriedade em todos os locais, sendo de fácil reconhecimento.

Também vivemos em uma época plural, onde há conservadores que trabalham por uma linha criacionista anti “ideologia de gênero” e uma linha científica, baseada em informações de estudos de longa duração que trabalham a inclusão, a educação sexual e o manejo científico com bases e fundamentações teórico científicas sobre esse contexto “minoritário” e preconceituoso.

A discussão sobre homofobia, LGBTQ+, ideologia de gênero, binarismo ou não ganha uma pluralidade imensa e uma divisão como muitas coisas em nossa época, e logo, são representadas através da arte.

Logo, acho que é um resumo que dá pra entender que vivemos em uma época de muita discussão e controvérsias.

História em Quadrinhos

Há, para quem curte o assunto, diferenças abissais (gigantes – do tamanho de abismos) entre uma revista em quadrinho, tirinhas e uma novela gráfica. Cada um é destinado a um público e possui contexto diferentes. Elas podem ser infantis, infanto juvenis e adultas.

O mesmo vale para a ambientação dos personagens. Há multi universos (vários personagens vivendo em vários lugares e épocas) e todos podem circular livremente por seu mundo de ficção entre esses universos.

Os aficionados por quadrinhos costumam acompanhar a vida de um personagem ou a sequencia deles. Logo, a sequencia retratada em filmes como “Os Vingadores” não quer dizer, necessariamente que o mesmo aconteça nos livros e revistas.

Vingadores – A Cruzada das Crianças foi lançado em 2012 e consta a história dos jovens vingadores [5] que está bem explicadinho na referencia 5 do site Omelete, mas que em resumo são uma geração nova daquelas super heróis que foram conhecidos no cinema, e para isso, eles misturam nomes, casam os personagens e trabalham toda uma contextualização.

A discussão

A pergunta que não quer calar é: a discussão é por causa do beijo? Por causa do beijo ser entre dois personagens do mesmo gênero (gay)? Por causa da censura, de um órgão público tentar recolher uma determinada revista por que um político mandou? Por que é uma distração política? Por que estamos falando de intolerância e homofobia? Por que estamos falando nas representações gráficas de momentos de afeto? Por que estamos falando de classificação etária?

A discussão toma tantos caminhos e tantos focos que é impossível discutir.

Propositadamente fiz um post no blog e no Facebook do Psico.Online trazendo algumas questões sobre a imagem:

As perguntas sobre o beijo

Comecemos com uma pergunta simples: o que incomoda você nessa imagem?

Por que ela causaria tamanho mal estar ou tamanhos problemas para uma família?

Se a representação de um beijo entre os personagens é o problema, devemos então parar de representar o beijo do amor verdadeiro das histórias infantis, de contos de fadas e entre príncipes e princesas?

O problema está na intensidade? Na representação gráfica?

Alguns argumentos que recebemos foi que o problema estaria na falta de respeito. No texto Respeito e os limites da razãoA censura, a liberdade de expressão e o respeitoRespeito é aquilo que nós merecemos. Mas você sabe o que é respeito?Como eu era antes de você: sobre o respeito falamos bastante sobre os pontos de vista do respeito, ainda assim, não conseguimos entender, como essa imagem desrespeita alguém.

Logo, qual é o mau que você vê na ilustração?

Ela e outras deveriam ser ocultadas atrás de uma faixa preta e escondidas dos olhos curiosos?

Devemos esconder nossa sexualidade?

O problema está em uma revista chamada “A cruzada das crianças”? Onde as crianças são uma referencia aos jovens vingadores ou a uma interpretação equivocada de quem não acompanha os quadrinhos?

O problema está no preconceito velado e que é, de toda maneira, ser escondido, ocultado, marginalizado sob um pretexto de moral?

Não é normal. O que é normal?

Como essa imagem afeta a sua família? Comente!

As respostas sobre o post do beijo

Em vários momentos, durante o post do Instagram e do facebook respondemos as questões pontuando que nosso objetivo principal é fazer com que você questione seu ponto de vista.

Que você note que está seguindo uma direção que não é necessariamente a que auxilia no desenvolvimento humano ou na exclusão de pré conceitos, de aceitação, de cuidado com a vida e com a saúde mental.

O beijo tem um fator social. Ele não deveria ser o problema, e se é, precisamos falar sobre ele.

Também não há em nenhum momento uma imposição. A vida impõe: respeito, conhecimento, aceitação, compreensão, necessidade de explicação e muito mais.

Lembro de um outro psicólogo que disse: é irresponsável da parte de um psicólogo destruir toda a construção de vida e crenças de outras pessoas sem dar suporte para que ela possa se readaptar.

Aceitar o outro não é fácil.

Aceitar a si mesmo também não é.

As pesquisas sobre suicídio, insatisfação, violência são muitas e mostram, dia após dia que o estilo de vida que segrega, que divide que não respeita a dor do outro, faz com que nossas dores piorem.

O quanto a sua ignorância machuca amores da sua vida?

O quanto sua brutalidade impede que você fique de bem consigo mesmo?

O quanto você é vetor de intolerância para com o próximo?

O quanto o beijo de outra pessoa afeta a sua vida?

O quanto o beijo de dois personagens fictícios afeta a educação que você provê (ou deveria prover) a seus filhos?

Quantas oportunidades de dialogo são desperdiçadas por que você não está afim de ouvir, mas só de defender a sua posição. E amigo e amiga, não sou eu quem você deve convencer.

Será que não é o momento de ouvir um pouco, questionar suas verdades e entender se o problema está: em você ou no outro?

Minhas recomendações sobre o assunto:

Aqui no blog já falamos sobre sexualidade. Já falamos sobre intolerância e violência.

Recomendo muito que você leia o post: Descobri um novo interesse sexual e os posts lá de cima sobre respeito.

Caso prefira também tem o Cura gay e a terapia de reversão e afins, vamos conversar? e os links abaixo:

Referência:

[1] Telenovela brasileira produzida pela Rede Globo, que esteve no ar de 20 de maio de 2013 à 31 de Janeiro de 2014. Escrita por Walcyr Carrasco com colaboração de Daisy Chaves, Eliane Garcia, Daniel Berlinsky, Marcio Haiduck. Direção Geral de Mauro Mendonça Filho. Direção de Núcleo de Wolf Maya. Artigo disponível em https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/01/Pamela-Guimaraes.UFMG_.pdf

[2] O Poder do Beijo, A. Freitas Magalhães – https://books.google.com.br/books?id=F4V2DQAAQBAJ

[3] O amor não é pornografia https://minutoterapia.com/2019/09/09/amor-nao-e-pornografia/

[4] Marcelo Crivella – https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Crivella

[5] Vingadores: A Cruzada das Crianças | Conheça a HQ de Wiccano e Hulkling

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Raul Oliveira

Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

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