depressão, ansiedade

Depressão, ansiedade: como diferenciar?

2 min de leitura

Há algumas semanas atrás eu já havia respondido essa questão para alguém e agora ela apareceu na nossa Caixa de Segredos. Então, levando-se em consideração que mais gente deve ter essa dúvida, vamos aproveitar pra falar um pouquinho sobre esses dois tipos de manifestações de que algo não vai bem em nós.

Já esclarecemos bastante nesse blog que depressão não é frescura e que merece todo o cuidado necessário, para que a pessoa que está sofrendo com isso reencontre o sentido da vida e viva com qualidade.

É importante lembrar também que, a depressão é bem diferente da tristeza, principalmente porque ela tende a durar mais e seus sintomas são pontuais e intensos. A depressão costuma aparecer por pelo menos mais de 2 semanas seguidas e entre os sintomas estão:

  • humor deprimido na maior parte do dia;
  • perda de interesse pelas coisas e/ou pessoas;
  • alterações significativas no peso, pra mais ou pra menos e sem que se esteja fazendo alguma dieta;
  • alterações no sono, podendo ter mais ou menos vontade de dormir;
  • agitação ou lentidão em excesso;
  • fadiga constante;
  • sentimentos de inutilidade e culpa quase que diários;
  • dificuldade para se concentrar ou manter a concentração;
  • pensamentos relacionados a vontade de morrer.

A ansiedade por sua vez, também pode ser confundida com algo normal, inclusive, ela pode fazer parte da depressão e ocasionar um transtorno depressivo com sintomas ansiosos, mas aqui vamos nos deter em falar apenas sobre as manifestações que a colocam na lista de patologias. Os sintomas que vamos descrever abaixo, devem durar pelo menos 6 meses para se encaixarem em um quadro de transtorno, ok?! Lembre-se que sentir-se ansioso pra uma prova, pra uma entrevista, pro primeiro dia de aula é normal e em certo ponto até saudável, o problema começa quando começa o sofrimento.

Características para o transtorno de ansiedade generalizada

  • sentimentos de preocupação excessivos;
  • dificuldade para controlar a ansiedade;
  • inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele;
  • Fadiga constante;
  • dificuldade para se concentrar ou manter a concentração;
  • irritação constante;
  • tensão muscular;
  • perturbações do sono.

As vezes determinar se eu tenho um transtorno depressivo ou de ansiedade é bastante complexo, então o melhor a fazer é procurar ajuda profissional e seguir um tratamento.

A pessoa que nos escreveu relata que vive com alguns sintomas há alguns anos e que chegou a considerar normal a falta de vontade para fazer determinadas coisas ou o excesso de vontade de ficar na cama e o que eu quero dizer é que, NÃO, isso não é normal.

É importantíssimo que você procure ajuda, que possa fazer terapia pra entender como melhorar e se for preciso tomar um medicamento pra regular sua parte química. A gente não pode se acostumar com a tristeza, com o cinza, com a dor. E por mais difícil que pareça, a mudança acontece e você pode se reencontrar com a vida plena. Basta dar o primeiro passo 😉

Referências: DSM 5

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Raquel Ferreira
CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.
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Sobre Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

2 ideias sobre “Depressão, ansiedade: como diferenciar?

  1. NÁDIA ROSA DA Silva

    Boa noite Raquel Ferreira,
    muito interessante e de grande importância para mim nesse momento,e gostaria que vc esclarecesse mais algumas dúvidas,pois estou lidando com a depressão e ansiedade de uma irmã minha ,e tudo é novo e complexo porque apesar de ela fazer tratamento e uso de medicação sempre há algo novo que precisamos de respostas ok?
    vou tentar explanar aqui,ela já teve anteriormente quando morou em são paulo depressão ,de la pra ca muitas coisas e problemas também o mais recente foi a perda de nosso pai e agora é a questão de um filho menor que é super travesso e desobediente tanto que não há como convierem no momento,então ela vive em minha casa e o filho dela com uma outra irmã nossa,então te pergunto essa medida é certa?porque ela não tem domínio sobre a criança que tem hj 6/7 anos ,faz uso de medicação ,também um fato que chama atenção de que até quando ela precisa realmente fazer uso de medicamento?no início a médica diagnosticou ,esquizofrenia e agora ela se trata de depressão por aí vc vê a complexidade do caso será que vc concorda comigo?porque nós(família)tentamos e fazemos de tudo para ajudar mas tem certos momentos difíceis outra questão é que ela em certos momentos consegue tomar a frente e resolver problemas que aparecem ,já tarefas fáceis sente dificuldades e quer que resolvemos para ela em outras situações se comportam como uma criança sem iniciativa aí pergunto a vc isso é do quadro mesmo?ultimamente está super ansiosa mas tem facilidade em se relacionar com outras pessoas e conosco se fecha ,inclusive vivemos sempre vigilantes em reação a isso,o uso de medicamentos como: akineton,haldol e neosine mexe com o libido da pessoa?ai são tantas interrogações.gostaria muito de tua ajuda .

    Responder
    1. Raquel Ferreira Autor do post

      Olá, Nadia!

      Conviver com alguém que tem depressão pode ser realmente complexo, mas algumas questões que você coloca aqui me pareceram importantes e de resolução não tão complicada.
      Em primeiro lugar vou te falar sobre a questão da separação de mãe e filho; eu entendo que deva ser muito difícil mantê-los juntos, mas é importante que possam ter contato frequente e assim, pouco a pouco aprenderem a conviver. Outro ponto é a questão dos medicamentos, é difícil dizer até quando se toma, pois isso varia muito de pessoa para pessoa e, algumas inclusive, precisam tomar para a vida toda, para terem a garantia de melhor qualidade de vida. Um fator importante sobre isso, é considerar que a depressão ou qualquer tipo de transtorno psiquiátrico é uma doença também e precisa de remédio pra melhorar, quem tem diabetes, por exemplo, as vezes toma insulina por toda a vida, a questão é que a gente tende a pensar que a depressão deveria sarar logo e o remédio se tornar desnecessário e nem sempre é assim. Aqui também entra uma questão importante, pois você me diz que a princípio era um diagnóstico e depois veio outro, isso é normal de acontecer, mas é muito, muito importante mesmo, conversar constantemente com o médico, acompanhar as consultas e relatar a evolução do quadro, em alguns casos, podemos até consultar uma segunda opinião, pra nos tranquilizarmos em relação ao tratamento.
      Outra coisa que você menciona é a facilidade que sua irmã tem de se relacionar com outras pessoas, mas não com a família. Entenda que o suporte familiar é uma das melhores ferramentas pra enfrentar qualquer tipo de enfermidade, mas também que esse suporte precisa ser e estar saudável. Não estou aqui para julgar o suporte que vocês, enquanto família, estão oferecendo, até porque pela preocupação que você demonstra, acredito que seja o melhor possível, mas as vezes nos sentimos tão cansados ou desanimados, que as interações, o carinho, a maneira de lidar com o outro pode ficar desequilibrada, instável e acaba afastando a pessoa da gente. Procurem cuidar-se, isso é extremamente necessário, TODO CUIDADOR PRECISA DE CUIDADOS TAMBÉM!
      E por fim, mas talvez o mais importante de tudo, é procurar aliar um tratamento psicoterápico com as medicações. Já existem diversos estudos comprovando que tomar remédio e fazer terapia potencializa o poder de melhora do paciente com depressão. Então, caso ela ainda não faça, busque ajuda, informe-se sobre as possibilidades e se precisar de nós, estaremos aqui 😉

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