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Esgotamento emocional

5 min de leitura · 

Esgotamento emocional, você sabe como identificar?

Sente uma espécie de inércia física e mental, uma sensação de peso em tudo o que faz? Inclusive aquelas tarefas mais rotineiras absorvem a tua energia completamente? Quando você se põe à relaxar, fica revisando obsessivamente seus e-mails? E junto com esse cansaço vem uma apatia, um desencanto, uma desilusão, uma desesperança? 

Pois se você tem sentido tudo isso, é bem provável que esteja com um esgotamento emocional.

Se levarmos em conta o que dizem os meios de comunicação, é uma doença puramente moderna.

Mas o certo é que o esgotamento emocional é uma preocupação atual e se manifesta especialmente em setores que oferecem desgaste físico e emocional, como a área da saúde, por exemplo.

Há quem diga que o esgotamento emocional é um diagnóstico não estigmatizado da depressão. Inclusive que o esgotamento é uma versão luxuosa dela. Tudo porque nos negamos a dizer que estamos sofrendo desse mal, já que ela é vista em muitas circunstâncias como uma debilidade, um sintoma do fracasso.

Sem dúvidas os dois transtornos são bem distintos. A depressão carrega consigo uma perda na autoconfiança e inclusive, a autodepreciação, e esse não é o caso do esgotamento emocional, onde a imagem sobre si mesmo permanece intacta.

A raiva que sentimos durante o esgotamento geralmente não é contra nós, mas contra a empresa ou os clientes para quem trabalhamos.

O esgotamento emocional também não deve ser confundido com a síndrome de fadiga crônica, a qual implica em períodos longos de cansaço físico e mental, durante pelo menos 6 meses. E muitos pacientes relatam sentir dores físicas ao menor esforço.

Cérebros evoluídos?

Existe uma teoria que diz que nossos cérebros evoluíram para lidar com o ambiente de trabalho moderno. O aumento da ênfase na produtividade – e a necessidade de provar que se merece determinado cargo, deixa os empregados num estado permanente de “lutar ou fugir”. Isso se desenvolveu, originalmente, para enfrentarmos graves perigos.

Mas se sofremos pressão dia após dia, nossos hormônios do estresse aumentam. E, além do mais, para muitos a pressão não termina só com o trabalho.

As cidades (e os dispositivos tecnológicos) sempre estão ativos, o que torna difícil o descanso. Sem que possamos recarregar nossas mentes e corpos, nossas baterias acabam sempre por estar nas últimas.

Essa, ao menos, é a teoria.

Mas o certo é que, como descobriu Anna Katharina Schaffner, autora do livro: “Esgotamento emocional: uma história”, ao analisar a literatura histórica, muita gente padeceu de fadiga crônica, muito antes do auge do trabalho moderno. Uma das primeiras análises sobre o esgotamento emocional foi escrita pelo médico romano Galeno.

Igualmente à Hipócrates, Galeno acreditava que todas as doenças físicas e mentais se deviam ao equilíbrio relativo dos quatro humores: sangue, bílis amarela, bílis negra e fleuma.

Uma acumulação de bílis negra, descia, diminuia a circulação e obstruia as vias cerebrais, provocando letargia, apatia, cansaço, preguiça e melancolia.

Ainda que agora saibamos que isso não tem base científica, a ideia de que nossos cérebros estejam cheios de um líquido similar, reflete, sem dúvidas, o fato de que muita gente se sente esgotada.

Na época em que o cristianismo se apoderou da cultura ocidental, este esgotamento era visto como um sinal de debilidade espiritual. “Era visto como uma falta de fé e vontade; o espiritual contra o carnal”, comenta a autora.

Com o nascimento da medicina moderna, começou-se a diagnosticar uma condição chamada “neurastenia“. As explicações religiosas e astrológicas continuaram abundantemente até o momento da medicina moderna, quando os médicos começaram a diagnosticar os sintomas de fadiga como neurastenia (transtorno neurótico caracterizado por uma forte sensação de cansaço)

Intelectuais como Oscar Wilde até Charles Darwin, Thomas Mann e Virginia Woolf, foram diagnosticados com neurastenia.

Os médicos culparam as mudanças sociais da revolução industrial, mas os nervos sensíveis também eram símbolos de refinamento e inteligência.

Parte da condição humana?

Muitas pessoas ao longo da história se sentiram tão cansadas como nos sentimos agora, o que sugere que talvez a fadiga e o cansaço sejam parte da condição humana.

Na idade média, era o demônio do meio-dia; no século XIX, foi a educação das mulheres; e na década de 70, o auge do capitalismo e da impiedosa exploração trabalhista. “O que muda através da história são as causas e efeitos relacionados com o esgotamento emocional”, diz Schaffner.

Na verdade, todavia não compreendemos realmente o que provoca essa sensação de falta de energia e como se pode dissipar tão rapidamente, mesmo sem esforço físico.

Não sabemos se os sintomas se originam no corpo ou na mente; se são resultados da sociedade ou se são criados por nosso próprio comportamento. Talvez seja um pouco de tudo: a crescente compreensão da conexão entre corpo e mente nos tem mostrado como nossos sentimentos e crenças tem influência profunda em nossa fisiologia.

Sabemos que a angústia emocional pode aumentar a inflamação e exacerbar a dor, por exemplo. E em alguns casos pode inclusive, provocar convulsões e cegueira.

“É muito difícil dizer que uma enfermidade é puramente física ou puramente mental, porque geralmente é uma mescla de ambas”, comenta esta autora. E isso não deveria sugerir de nenhum modo que os sintomas sejam imaginários ou inventados; podem ser tão reais como a febre que sentimos quando temos uma forte gripe.

Na atualidade, se existe algo que nos parece claro é que o componente psicológico deste esgotamento, destaca a importância e a necessidade de mudanças na maneira de abordarmos nossas atividades diárias, e seus impactos em nossa saúde mental.

Retirado de Cámbiate blog (traduzido e adaptado)

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