Morar sozinho depois dos 60 anos, pode ou não pode afinal?

Sozinho depois dos 60 anos: dá pra morar assim?

7 min de leitura · 

Sozinho depois dos 60 anos, dá para morar ou não dá para morar sozinho afinal?

Soa estranho perguntar isso mas é uma questão relevante para aqueles que já criaram seus filhos e também para aqueles filhos e netos que se preocupam com seus recém idosos.

Que a nossa população está envelhecendo é um fato e isso, com certeza, precisa ser considerado.

No mundo, em 2050, um quinto da população será de idosos é o que diz o IBGE [1] e a taxa de expectativa de vida só aumenta, segundo dados do Banco Mundial [2]. 

O que isso significa? Que vamos passar alguns anos além do sozinho depois dos 60 anos.

Pensando no envelhecimento e, em quantas pessoas moram sozinhas, além claro, das dificuldades enfrentadas, acreditamos que algumas dicas sobre a decisão de morar sozinho precisam ser consideradas, principalmente se você já ficou ou está sozinho depois dos 60 anos.

É importante lembrar que cada dica tem que ser considerada conforme o contexto e como cada um lida com isso, certo?

1 – Preste atenção nos ensinamentos familiares que recebeu.

O primeiro ensinamento de como você deve viver, se sozinhos ou com os outros, começa no ambiente familiar, no dia que você chega da maternidade.

Como assim?

Se teus pais te levaram logo para o berço ou para a cama deles.

É ali, naqueles instantes, que se “ensina” ao recém-nascido como será o jeito que ele lidará na vida com a solidão ou a companhia.

Com o passar dos anos, principalmente na adolescência, olhamos para aquele aprendizado com a família e começamos a transgredir ou não, discretamente, essas aprendizagens para que se continuemos o processo de construção de identidade.

Liberdade, Amizade, Família, Independência, Dependência portanto são construídos pouco a pouco.

Sabendo disso é importante entender se você, como pessoa e indivíduo (ou ele ou ela), após conhecer o lado positivo e negativo da solidão (na parte mais íntima do seu ser) será algo que saberá lidar ou não.

E agora?

Precisa estar claro que viver sozinho obriga a ser mais independente (ou menos dependente) e que essa independência não é uma armadilha para atrair o olhar dos familiares.

Se for ou assim parecer pode ser uma má decisão logo de princípio.

Morar sozinho é difícil: tem seus prós e contras, seja em qualquer idade.

Se você vive ou viveu sempre cercado de pessoas, dificilmente se sentirá bem a vontade em uma casa vazia, em um final de semana chuvoso e frio, quando todos estão “cuidado das suas vidas”. 

Saber recorrer a médicos.

Cuidar-se.

Alimentar-se.

Tudo faz parte de um voo solo. E ficar sozinho depois dos 60, tenha em mente, que a visão não está no seu melhor desempenho.

Que o corpo já dá alguns sinais de cansaço…

Acho que você entendeu né?

Se a sua bagagem familiar provê estrutura para isso, vamos em frente.

2 – Você tem escolha, se quer ficar sozinho depois dos 60

Independente do teu papel na família, você ainda pode escolher.

Existe uma nova geração de idosos em boa forma física.

Ativos e têm mais que aproveitar sua vida independente mesmo.

A escolha de onde viver, sempre será algo que deverá fazer você refletir: primeiro ao deixar a casa dos pais, depois ao encontrar um local que poderá morar com tranquilidade e construir sua família e na medida que a idade aumenta as preocupações com o local de moradia devem surgir novamente.

Morar sozinho depois dos 60, ou morar com filhos ou em uma instituição. E agora?

Abaixo, um artigo do site Caring, escrito por Paula Spencer Scott, listou algumas situações que indicam a hora de DEIXAR de morar sozinho.

Se você está pensando nisso é bom ter em mente que esses sinais são claros indicadores que essa é uma decisão pouco acertada.

Pense conosco, se alguns desses sinais que servem para entender que chegou a hora de voltar a morar com os filhos ou em uma casa de repouso, servem também para uma auto-avaliação do seu momento e da sua decisão.

Mesmo de pedir ajuda ou deixar clara as suas intenções.

Sinais gerais

  • Acidentes recentes ou quase-acidentes regulares.
  • Recuperação lenta tanto em doenças corriqueiras quanto para as mais graves
  • Uma condição crônica que vem piorando.
  • Dificuldade crescente de gerenciar atividades da vida diária e atividades instrumentais da vida diária:
    • vestir-se, fazer compras, cozinhar, lavar as roupas, gerenciar medicações, etc.

Sinais específicos

  • Perda de peso visível.
  • Aparência de fragilidade e fragilidade.
  • Falta ou pouco equilíbrio.
  • Ganho de peso visível.
  • Odor estranho no corpo.
  • Mudanças na aparência: cabelo e a maquiagem corretos? As roupas estão limpas?

Sinais sociais

  • Sinais de amizades ativas.
  • Sinais de que seu familiar reduziu atividades ou interesses. Um dos hobbies foi abandonado? A mensalidade do clube venceu? O cartão da biblioteca está sem uso?
  • Passar dias sem sair de casa.
  • Existe alguém que apareça regularmente.

Há um plano para casos extremos?

Se houver uma enchente, um incêndio ou algum outro desastre, há alguém nas proximidades para ajudar?

Seu familiar idoso entende esse plano?

Sinais financeiros

  • Correspondências espalhadas.
  • Contas não abertas.
  • Cartas de bancos, credores ou seguradoras.
  • Cartas de agradecimento de instituições de caridade.

Sinais na direção

  • Amassados ou arranhões no carro.
  • Se a pessoa imediatamente afivela o cinto de segurança.
  • Tensão, preocupação ou distração fácil.
  • Sinais de direção perigosa.
  • Luzes de aviso.

Sinais na cozinha

  • Comida vencida.
  • Grandes quantidades do mesmo item.
  • Um freezer cheio de comida congelada.
  • Eletrodomésticos quebrados.

Sinais de fogo.

  • Aumento do uso de entrega de comida ou adoção de refeições mais simples.

Sinais pela casa

  • Excesso de coisas acumuladas.
  • Sinais de desleixo na manutenção da casa.
  • Sujeira e acumulação no banheiro.

Sinais em plantas e pets

  • Plantas que estão morrendo ou mortas.
  • Animais que não parecem estar bem tratados.

Cada um desses sinais dão dicas valiosas para você entender que a pessoa tem ainda ou não tem condições de ficar sozinha ou sozinho depois dos 60 anos.

3)  Por mais independente chegou a hora de lidar com o ‘precisar de alguém’

Viu esses sinais?

Eles chegam e embora você não goste, você vai precisar de apoio, e você terá que aprender e entender que essas limitações são parte da vida.

Não é fácil se dar conta de que esse apoio é necessário.

Aceitar que há uma inversão de papéis e que agora é hora dos filhos ou de outrem ajudar. Que é preciso de cuidados.

Sair da casa onde viveu por muitos anos é muito difícil, porém uma comparação possível é ver essas situações como livros, que a cada capítulo possui desafios e reviravoltas.  

Ou que é um jeito de retomar laços ou evitar culpas futuras.

Por mais que você se sinta independente, é sempre bom saber que você pode contar com alguém por perto.

Afinal limitações fazem parte da vida e não ocorrem somente quando a idade aumenta.  

4) Crenças limitantes podem precisar de ressignificações.

Muitas vezes a opção de morar sozinho acaba sendo escolhida por achar que a escolha por viver com um familiar é um fardo para essa pessoa. 

A companhia de um familiar não é a única opção: existem diversas instituições para idosos que fornecem toda a estrutura necessária para uma boa qualidade de vida respeitando a autonomia.

Se você ainda acha que esses locais estão como na época da monarquia brasileira, quando se misturavam idosos e mendigos no mesmo lugar é preciso conhecer como essas instituições.

Hoje, permitem com que se faça diversas atividades de lazer e social e têm toda uma infra-estrutura com pessoal preparado para ajudar.

5) Autoconhecimento para entender o que dificulta sua escolha.

Seja por preconceito ou por crenças limitantes que você não se permite conhecer locais alternativos para descanso e redescobertas, nem sempre o que o vizinho decidiu pode ser a decisão certa pra ti.

Por isso sugeri tanto nesse texto que acima de tudo, é importante que exista uma escolha, um entendimento do que está por vir e das situações que isso implica.

Caso precise de alguém para falar a respeito, entender melhor esses sentimentos conflitantes, pode me procurar, será um prazer auxiliar você nessa nova fase da sua vida.

Referências:

[1] http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm

[2] https://www.google.com/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&ctype=l&strail=false&bcs=o&nselm=h&met_y=sp_dyn_le00_in&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=region&idim=region:SSF:LCN:EAS:MEA:SAS:NAC:ECS&ifdim=region&tdim=true&hl=pt_BR&dl=pt_BR&ind=false&icfg

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Juliana Frighetto
Psicóloga
Mestre em Envelhecimento Humano
Doutoranda em Psicologia (Forças de caráter em idosos)
watts: 54 984132261
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Juliana Frighetto

Mestre em Envelhecimento Humano Doutoranda em Psicologia (Forças de caráter em idosos) watts: 54 984132261

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