Envelhecimento: 4 dicas para viver bem no seu envelhecer

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11 min de leitura · 

Envelhecimento chega para todos e a escolha para viver bem, vem de você.

Curta e ouça o episódio no Psico.Online Podcast.


Antes de falar como você encara a idade que chega para todos e que você possa viver bem, refletindo mais sobre suas perguntas, por exemplo, ‘como saber se sou x ou y…’, sem deixar que suas escolhas façam você se “arrepender depois”.

Gostaria de falar porque decidi praticar a psicologia no envelhecimento.

Fui criada sem meus avós biológicos e conforme cresci tive acesso a ‘avós emocionais’ que me ensinaram o poder de uma força afetiva que conecta as relações.

Relações que vão muito além do biológico. 

Então, acreditei no desenvolvimento da psicologia do envelhecimento, presente nas famílias, como o único ‘remédio’ para ensinar a escolha do viver bem. 

Unindo-a ao meu amor pelas pessoas idosas, estudei e atuei com essa população e seus processos de envelhecer.

Fiz disso a minha profissão e, desde então, aquela neta sem avós biológicos presentes envolveu-se em uma grande e nobre missão: a de melhorar, com a psicologia do envelhecimento, não só a minha vida e a da minha família nuclear, mas, também a de outras pessoas.

Aqui no Lattes é onde eu compartilho um pouco do que aprendi.

Meu objetivo é, nesse breve texto, é o de apresentar 4 Grandes ensinamentos da psicologia do envelhecimento e convidá-los para ouvir, inclusive o episódio do PodCast que falamos ainda mais do assunto.

Antes de mergulhar a fundo nesses 4 ensinamentos que podem auxiliar você a fazer escolhas mais conscientes, quero falar sobre como cheguei até aqui, por que vi vários clientes reclamando e até indignados com profissionais que passam a impressão que fazer escolhas é fácil, e que seria somente seguir essa ou aquela técnica ou fazer aquele cursinho x e descobrir “o segredo”..  

Ainda mais quando se é iniciante nesse mundo do autoconhecimento, é muito importante o acompanhamento de perto de quem começa a refletir sobre o processo de envelhecimento, por que qualquer escolha errada pode provocar arrependimentos e responsabilizações nos próximos ciclos de sua vida.

Foi então que finalmente percebi o que precisava fazer.

Por meio da minha formação na URI-Frederico Westphalen RS em Psicologia e Mestrado em Envelhecimento Humano pela UPF-Universidade de Passo Fundo, busquei melhorar cada vez mais para favorecer sentimentos positivos às pessoas que passavam a se conscientizar mais da sua idade.

Com a formação em Terapia Sistêmica/Familiar e em Terapia Humanista abordagem chamada de terceira força da Psicologia, criado pelo mestre Carl Rogers nos EUA, que me deparei com um caminho incrível para ajudar as pessoas a escolherem viver bem. 

Este pequeno “segredo” permitiu que muitos clientes e alunos a se permitirem construir respostas para si diante de perguntas que se faziam, como: ‘saber se sou lésbica’ ou ‘como saber se sou capaz de amar alguém ainda’ pois passaram a pensar muito mais na constituição do seu ser, na sua identidade e que atitudes se posicionavam diante das demais pessoas significativas para elas, inclusive da família com ‘laços de sangue’.

Comecei a utilizar dos princípios da Abordagem Centrada na Pessoa, a Psicologia científica trazida por Rogers para o Brasil, na complexidade da mente humana no processo de envelhecimento em família. 

As 4 dicas para o envelhecimento

Então, construí os 4 Programas do EnvelheSer em Família que oportunizam às pessoas alcançarem os seguintes objetivos em suas vidas: 

  • Se orgulhar da Idade;
  • Ter uma pessoa idosa em casa e conseguir cuidar de si; 
  • Escolher cuidar bem em sua profissão e
  • Trabalhar para se desenvolver Instituições mais humanas. 

Com esses 4 ensinamentos oriundos da atuação e das pesquisas que fiz com o público que está lidando com o processo de envelhecimento podemos refletir o seguinte:

A importância de ter orgulho da sua idade 

A sociedade vende um padrão e uma necessidade de normatização que muitas vezes coloca você usando a idade como limitante para um sonho. 

Seja lá qual for a fase que você está aparecem questionamentos como: ‘mas eu já deveria ter idade suficiente para saber se sou lésbica ou se sou gay’, ‘mas eu já deveria ter filhos com essa idade’, ‘mas eu deveria já ter saído de casa nessa idade’ ou ‘eu já deveria ter me acostumado a morar sozinha nessa idade, ou ‘eu não deveria depender de filho para me cuidar nessa idade’. 

Questionamentos comuns não?

Perceba que sempre que vem a expressão ‘deveria’ já está aí uma denúncia de uma imposição, algo que não é seu, algo que não constitui os seus ser no momento.

O “deveria” parece mais favorecer uma padronização social do que as suas próprias vontades

O que as pessoas envolvidas nestes meus trabalhos de 10 anos como psicóloga me mostraram é que é preciso usar dos recurso de cada faixa etária, de cada fase da vida e de cada ciclo vital. 

Seja na sua idade atual ou daqui a pouco – pois o tempo passa muito rápido – e é fundamental conhecer seus recursos internos como forma de realização de escolhas conscientes. 

E é importante explicar: digo por escolha consciente aquela que você faz hoje e que impacta no futuro, sendo que quanto mais inteiro você estiver nelas, mais tipos de sentimentos você se oportuniza experimentar. 

É no lidar com os sentimentos que você pensará em como se percebe e o que você entende em si como defeito, afinal, uma escolha soma a outra na medida em que você muda algo em você. 

Isso é tão sério…

Isso é tão sério, mas tão sério que repercute em muitas pessoas desde a infância até a velhice na forma como lidam com o que disseram dela.

Tome, como exemplo, uma idosa que se via insatisfeita consigo pois, na sua infância, era tida como a ‘filha inteligente’ pelo seu pai.

Qual foi a sua surpresa quando ao lecionar, no magistério, descobriu o conceito de inteligência múltipla e se permitiu questionar o que ela comprou por inteligente de seu pai, e que a travava em viver no modus operandi ‘eu deveria ser inteligente’. 

É nessa sensação de se permitir questionar o ‘eu deverias ser’ que muitas pessoas se pegam pensando no seu papel. Papel que a família ‘vendeu’.

Em muitos ambientes familiares não facilitadores de crescimento, fica fácil você se ver no lugar de ‘é, eu sou o filho dourado’ ou ‘é, eu sou  a ovelha negra’. 

Então, isso, nos leva ao ensinamento 2: que se refere a como conviver com um idoso em casa e ressalta ainda mais a importância de autoconhecimento, ou seja, antes se olhar, se ver como está, para depois conseguir cuidar bem do seu ancião. 

Ter uma pessoa idosa em casa e conseguir cuidar de si

Sabemos que em uma casa com muitos adultos a coisa fica difícil; porque adultos precisam viver projeto próprio de ser. Precisam adultizar. 

E com liberdade e exercício de autonomia, quando se tem uma hierarquia que permite pouco ou nada a expressão de individualidade, alguém do sistema familiar adoece, reclama a seu modo dessa desadaptação e escolhe formas singulares de crescimento emocional. 

Você já deve imaginar que se uma relação intergeracional não respeitar o projeto de ser de cada um dos envolvidos, os direitos de uma pessoa – seja ela criança, adolescente ou idosa –  ficam feridos. 

Por exemplo, se você sente algo como que ‘minha mãe me machuca com palavras’ e, desde a infância luta para se defender desses eventos, algo seu fica ameaçado pois parte-se do princípio social que toda mãe deve (de novo, o ‘deve’) ser provedora de uma ambiente de crescimento.

Contudo nem toda mãe faz isso, pode estar muito ocupada com suas próprias necessidades (não olhadas pelas sua mãe, que por sua vez não foi olhada pela dela e assim por diante) de forma que resta a você escolher singulares conscientes como forma de romper esse ciclo desadaptador para conquistar responsabilidade afetiva, que vem por meio de autonomia, bem-estar e qualidade de vida. 

Você com essas condições emocionais pode passar de nível, por assim dizer, e pode alcançar o pensamento 3.

Escolher cuidar bem em sua profissão

Muitos chegam ao ponto de fazer do cuidado uma profissão, onde é preciso ter consciência de suas motivações e necessidades emocionais envolvidas nisso. 

Então, é uma evolução da responsabilidade afetiva conseguir ‘parir’ ao mundo seu propósito de ser por meio de uma profissão que realmente esteja conectada com quem você é. 

E novamente, o nível de autoconhecimento é que te diferencia a ponto de ser o norteador ou a norteadora das suas necessidades de mudança de carreira, profissão ou jeito de encarar o mundo do trabalho. 

Em plena pandemia do coronavírus, muitas pessoas que chegaram nesse nível de entendimento de suas escolhas da vida percebem que muitas delas poderiam colocar a sua vida em risco dada  a fatalidade da síndrome respiratória do Covid-19. 

Toda escolha, seja para continuar lutando na linha de frente como profissional de saúde – com seus sinais de grupo de risco – como o de mudar de emprego/negócio por conta do impacto econômico, consequente seguem com essa lógica de como cada pessoa se vê.

E não só se vê, como usa seus recursos para construir seu ser e facilitar (ou não) um ambiente favorecedor de florescimento de recursos das pessoas: outro ponto-chave, agora, para alavancar o quarto ensinamento. 

Ajudar a instituição onde se trabalha a ser mais humana

Quando se atende uma pessoa idosa que ainda não alcançou a experiência de envelhecer e que segue achando que somente o outro é que envelhece ou ainda que ser idoso é algo distante distorce-se a noção de tempo e culmina em uma cultura de desadaptações. 

E, como uma “cultura social” demora muito para mudar, às vezes é tempo suficiente para chegar a hora de você ser a próxima geração idosa a ser cuidada por uma instituição.

Então, para você que convive com a rotina de cuidados em saúde pode aparecer ainda mais desafiador em instituições onde se atendem pessoas de terceira e quarta idade que podem ter sido envolvidas a acelerar seu entendimento emocional de como lidar com a morte diante da pandemia. 

Ainda existem instituições assim: com um enorme tabu com relação ao morrer, que chegam a deixar muitas pessoas sem saber o que falar quando alguém morre. Porque lembremos: a instituição é feita por pessoas.

Muitas Instituições de Longa Permanência para Idosos e empresas que assistem idosos ainda não se preocupam em trabalhar esse lado emocional. Tanto com seus trabalhadores ou com o atendimento a população idosa.

E isso fica carregado de insatisfações, desrespeitos e violência. 

Indignação e os processos que poderiam ser melhores no envelhecimento

Percebo indignada, que certas instituições tem ambiente promissor para desenvolver projetos e ações que trabalhem desde a infância certos hábitos e valores favorecedores das relações intergeracionais satisfatórias como por exemplo, ambientes escolares e CRAS.

A esfera pública tem diferentes instrumentos para colocar o Estado à obrigação de cuidado da pessoa idosa; seja atendendo diretamente esse público com oferecimento de serviços como que, indiretamente, reforçando mecanismos de treinamentos e exercício da empatia para com seus funcionários públicos que também envelhecerão, afinal, nossa população não está rejuvenescendo.

Chegar a nesse nível de ensinamento idealiza no macrossocial e exige envolvimento de culturas organizacionais e atitudes das próprias lideranças dessas instituições públicas agindo no micro e no individual. 

Gostou?

Gostou? Será que com esses 4 ensinamentos ainda é possível que uma pessoa idosa possa se queixar de “me sinto sozinha”? 

Quando descobri esses 4 pilares de como Escolher Viver Bem, eu estava preocupada porque não tinha muita divulgação sobre como eles eram importantes e constatei que fica pouco provável que se chegue ao final da vida com o sentimento de solidão quando se oportunizam experiências que favoreçam esses 4 níveis. 

Veja: são diferentes níveis para uma pessoa dar conta de suas reflexões internas sobre estar só, seja nos meios que ela frequenta quanto em momentos decisivos de sua existência. 

Você pode deixar a vida lhe levar ou aumentar a consciência de seus recursos diante das escolhas, é com você.

Para mim, esse é o benefício real de tudo isso: você poder escolher com liberdade, não a liberdade leviana de se fazer o que quiser, mas com responsabilidade e dando conta das consequências futuras, seja na vida profissional ou pessoal do que escolheu hoje.

Eu suponho que é provavelmente o mesmo para você também – certo?

Que saber mais? se inscreva agora, é só mandar uma mensagem.

Foi uma prazer estar aqui com você!

PS: se quiser saber mais sobre o envelhecimento, entra lá no site https://envelheseremfamilia.com.br/ilpis/4-passos-para-escolher-viver-bem/, no final do texto vai ter o link onde você clica e ganha um e-book feito para quem justamente está no desafio Escolher Viver bem.

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Sobre os Autores do Post:

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Psicóloga, Mestre em Envelhecimento Humano, fez doutorado onde pesquisou as forças de caráter em idosos. Atua como terapeuta de Abordagem Centrada na Pessoa/Psicologia Humanista com pessoas envolvidas em demandas relacionadas a envelhecimento. Proprietária da Clínica Envelheser em Família, do podcast Envelheser disponível no Spotify, professora na Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso da Universidade de Passo Fundo/Hospital São Vicente de Paula- RS, e claro uma psico.online.

Juliana Frighetto

Psicóloga, Mestre em Envelhecimento Humano, fez doutorado onde pesquisou as forças de caráter em idosos. Atua como terapeuta de Abordagem Centrada na Pessoa/Psicologia Humanista com pessoas envolvidas em demandas relacionadas a envelhecimento. Proprietária da Clínica Envelheser em Família, do podcast Envelheser disponível no Spotify, professora na Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso da Universidade de Passo Fundo/Hospital São Vicente de Paula- RS, e claro uma psico.online.

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