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Mindfulness no tratamento da depressão e da ansiedade

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A sintomatologia depressiva e ansiosa tem importantes implicações no funcionamento das atividades de vida diárias e na qualidade de vida das pessoas. Os sintomas depressivos se caracterizam por um estado de ânimo depressivo, agitação ou letargia, fadiga, insônia ou hipersonia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessivos, diminuição da capacidade para concentra-se, desesperança e pensamentos recorrentes de morte.

Os sintomas ansiosos por sua vez se caracterizam por um estado de antecipação à uma ameaça futura e seus sintomas são a incapacidade para baixar o estado de alerta, cansaço, dificuldade para pegar no sono ou para mantê-lo, tensão muscular, irritabilidade e dificuldade para controlar a preocupação que atua como ameaça (APA, 2013).

Ambos transtornos exibem um alto nível de comorbidade entre eles e com outras patologias (por exemplo, consumo de drogas ou transtorno de personalidade) levantando a possibilidade de que, sob os sintomas depressivos e de ansiedade, existem processos semelhantes  que estão relacionados com o desenvolvimento de outros transtornos mais complexos.

Seguindo essa linha de pesquisa, recentes estudos encontraram relação de ambos os sintomas com déficits nas capacidades metacognitivas (Yilmaz, Gençöz y Wells, 2015).

A metacognição se refere a capacidade de reconhecer o estado mental de si mesmo, tolerando-o e regulando-o, reconhecendo simultaneamente a mente de outro com conteúdo mental distinto de seu próprio (Semerari et al., 2003). As pessoas com a capacidade metacognitiva adequada podem observar seus pensamentos e emoções como eventos mentais passageiros, ao invés de produtos definitivos de si ou como estados crônicos de sua pessoa (Teasdale et al., 2002).

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Ou seja, uma pessoa com capacidade metacognitiva poderá observar como a tristeza ocupa sua mente sem considerar-se unicamente triste ou sem pensar que isso será um estado emocional crônico. Assim será capaz de se conectar com outras recordações de sua vida em que esteve com outras emoções e onde, sentindo-se triste, pode comprovar como esse estado foi se atenuando.

Por sua vez, esse tipo de pessoas pode observar a influência das emoções na construção de sua realidade e compreender que os outros não veem o mundo com “a mesma cor de suas lentes” ou estado emocional.

Os sintomas depressivos e ansiosos poderiam estar relacionados com a incapacidade de se distanciar de emoções e pensamentos.

Em ter a sensação dos estados emocionais como algo crônico ou na incapacidade para imaginar ou conectar-se com experiências de calma ou ainda, de outras emoções.

Uma das intervenções mais conhecidas no treinamento das habilidades metacognitivas é a realizada por meio do mindfulness (Teasdale et al., 2002). Mindfulness foi definido como a capacidade para levar a atenção às experiências do momento presente, simplesmente aceitando e sem julgar.

É uma disposição natural das pessoas, cuja presença pode variar em função de fatores que a favoreçam ou diminuam (Soler et al., 2014). O paradigma de mindfulness traça a possibilidade de que uma disposição para funcionar nesse estado pode atuar como elemento amortecedor no desenvolvimento de diferentes patologias.

Um dos elementos fundamentais do mindfulness é o descentramento. O descentramento se descreve como a capacidade de centrar-se no presente, em uma postura sem prejuízos para pensamentos e sentimentos, aceitando-os. e é uma capacidade relacionada com as habilidades metacognitivas.

Esse distanciamento dos conteúdos mentais, permite ao sujeito ter em conta outras perspectivas, reconhecer a subjetividade do pensamento e não se identificar com ele.

O processo de descentramento confere um papel ativo ao sujeito em seu processo de construção da realidade, ao conhecer a subjetividade e volubilidade de seus conteúdos mentais.

Portanto, este estudo avalia o papel da descentralização em plena consciência e efeitos sobre os sintomas depressivos e de ansiedade, a fim de promover o desenvolvimento de métodos de intervenção e prevenção mais eficazes.

A amostra foi composta por 465 pessoas adultas da Comunidade Autônoma Basca e lhes foram administrados questionários que mediam sintomas depressivos e ansiosos, mindfulness e descentramento.

Os resultados revelaram que tanto os sintomas depressivos quanto os ansiosos são explicados em grande medida pelas pontuações em mindfulness e descentramento. Estes resultados mostram que o mindfulness pode ter efeitos terapêuticos benéficos sobre sintomas de depressão e ansiedade, e que um dos processos subjacentes a esta técnica é o descentramento.

Estes resultados são úteis, porque ajudam a aprofundar nos mecanismos subjacentes aos sintomas depressivos e de ansiedade e, salientam a importância de processos metacognitivos, tais como o descentramento, em seu desenvolvimento, e buscam novas formas de prevenção e intervenção das mesmas.

O artigo completo pode ser encontrado em: Revista Clínica y Salud

Linares, L; Estévez, A.; Soler, J. y Cebolla, A. (2016) El papel del mindfulness y el descentramiento en la sintomatología depresiva y ansiosa. Clínica y Salud, 27, 51-56.

(traduzido e adaptado)

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