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Quando o psicólogo vai embora

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3 min de leitura · 

E então o psicólogo vai embora…

É, tem sido dias bem interessantes esses últimos. Falta pouco menos de 30 dias pra eu deixar o Brasil e consequentemente, meus pacientes.

Tem sido uma mistura de sentimentos que oscila do medo à felicidade por uma nova fase.

Mas e os meus pacientes? O que será de cada um deles?

Eu já tive uma psicóloga que partiu, sei como é difícil perder o seu “ponto de equilíbrio”. Ela foi a minha primeira psico, a pessoa em quem eu mais confiei nessa vida, a pessoa que me inspira até hoje a tentar ser melhor a cada dia e a ser sempre mais humana com quem cruza o meu caminho ou senta no meu sofá. E ela partiu, assim, do nada. Foi viver em outro plano, em outra dimensão. Sem aviso prévio, sem despedidas. Virou anjo.

Foi a dor mais dilacerante que eu já senti, era como se eu tivesse perdido o chão e enquanto eu escrevo esse parágrafo, me lembrando do olhar dela pra mim, choro, porque ainda sinto sua falta, mas também sinto a importância que ela teve em minha vida, no meu caminho de individuação, que persigo até hoje e agora, sou capaz de entender que um dia isso aconteceria de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde as pessoas partem e a gente precisa olhar para o que de bom deixaram em nós.

Esse é o ciclo da vida e o que de mais importante podemos aprender com ela.

Ufa, agora vou parar de contar o meu caso particular, antes que isso aqui vire um verdadeiro desabafo e eu perca o foco.

É pensando na minha perda, na perda que os meus e outros pacientes poderão sentir, que escrevo essas palavras, pra tentar ajudar a superar com delicadeza essa ruptura, seja ela esperada ou não.

Como sobreviver quando seu psicólogo vai embora

Em primeiro lugar, o psicólogo, a psicóloga, o terapeuta, o psicoterapeuta não é seu melhor amigo, não é a pessoa que te fez mudar de vida e não é parte da sua família.

O psico só te ajudou a olhar para aquilo que sozinho, talvez, você não conseguiria. Ele é alguém importante, mas que hora ou outra, vocês se separariam mesmo e você seguiria seu caminho, sem ele.

Segundo, você é a única pessoa responsável por sua mudança. Se não fosse o seu desejo em evoluir, nem o papa te faria mudar, ou seja, a psicóloga é só um meio facilitador, uma ferramenta pra mudança toda.

Leia também “Sua vida muda se você quiser a mudança”

Eu sei que à princípio parece quase uma traição aceitar a ideia de que você pode ter a ajuda de outro psicólogo.

Pra mim também foi assim. Quando a minha partiu, demorei pelo menos um ano pra conseguir procurar por outra, porque sentia que ninguém seria como ela, que ninguém seria capaz de me ajudar e acolher como ela, que eu a trairia se confiasse meus segredos à outra pessoa. Me enganei!

Mas para descobrir que eu havia me enganado por longos 12 meses, foi necessário me permitir. Me abrir à ideia de que o psicólogo está ali para me ajudar, inclusive a superar essa ruptura.

Me abri à ideia de que as pessoas são diferentes, os psicólogos são diferentes, as abordagens e a empatia são diferentes, mas que existem outras pessoas capazes de me ajudar, porque essa é a função delas, AJUDAR!

Uma dica é não comparar um profissional ao outro. Cada um tem a sua particularidade e o que você precisa é identificar se há empatia, conexão. Se houver, pronto! Com o tempo vocês vão se conhecendo e naturalmente vai surgir a parceria de que você precisa.

Se der pra manter contato com sua (ex) psicóloga, se você ficar confortável com essa ideia e ela permitir isso, vai em frente. Quem sabe um dia ela não vem de visita e vocês podem marcar um encontro? Quem sabe um dia ela não volta a morar pertinho e vocês se reconectam?

Uma outra possibilidade é você, vez ou outra, fazer sessões online, o Psico.Online pode ajudar com isso, pergunte-nos como 😉

E assim, você não se sente tão perdido(a) e pode contar com a ajuda dela(e) pra fazer a transição de uma maneira mais tranquila.

E só pra constar, o psicólogo ou a psicóloga partir não é o fim, muito pelo contrário, é o começo de mais uma fase em sua vida, pense nisso!

Leia também “Como lidar com a perda”

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Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

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