querer e poder eu quero birra será que é assim? Psico.Online

Querer é poder? Lutando contra o eu quero.

5 min de leitura · 

Querer é poder? Se é. Eu quero.

Eu quero ou esse querer é uma frase que está enraizada na nossa cultura atual e que tem implicações muito grandes no nosso dia a dia.

Aliás tenho notado muita gente trabalhando esse tema para a geração atual (pelo menos na mídia quando se trata da geração y), mas pouco em artigos e livros (pelo menos achei poucas coisas na busca que fiz para este artigo).

Achei coisas interessantes sobre o assunto com Zygmunt Bauman  que fala sobre a vida líquida e da fluidez que a segue.

Também encontrei o filósofo Schopenhauer que falou da vontade como o trecho que segue:

A vontade, o uno primordial, ou o querer é um ser de natureza emotiva que não pode ser pensado como repousando em si mesmo, impassível ou pacífico, mas que traz em si uma guerra sem limites.

Vivendo em constante contradição consigo mesmo, em incessante dor, esse ser não pode permanecer por muito tempo indeterminado. Uma força vinda dele mesmo obriga-o a fragmentar-se, a multiplicar-se em seres finitos, a fixar-se em imagens e a produzir o mundo das formas individuais, da realidade fenomênica. [1]

Sei que existe inúmeros títulos sobre a frustração e dos problemas que são causados por essa guerra interna: querer versus poder e essa “contradição consigo mesmo” como está na citação.

E, normalmente esses autores falam bonito e difícil, então vou tentar tratar o tema um pouco mais superficialmente, mas vamos falar disso: a luta do “eu quero”.

Eu quero e posso, nesse caso, fazer isso.

É o querer com responsabilidade ligado àquilo que está totalmente interligado ao contexto. Como assim? Nada impede que eu escreva desse tema no blog.

Nada, nenhuma regra, nenhum alerta sobre “isso vai dar m”… na pior das chances, esse texto será pouco lido e pouco divulgado.

Eu quero e posso. E está no contexto.

Mas como as pessoas lidam com o “Você não pode” ou a frustração diante de perceber que o seu querer deverá ser relegado a escanteio?

E quando o querer individual precisa ser deixado de lado em detrimento a outra pessoa?

Será que temos esse espírito “de abrir mão” de algo que quero pelo outro? Será que temos condições em um criação e sociedade egoísta em pensar no outro?

Hoje, quando escrevo este texto é dia das mães e pensava no quanto elas “abrem mão” da sua própria vida para dedicar-se a suas crias (querendo ou não).

Ou ainda, àquelas que acabam com dificuldades em aceitar isso (e não as estou chamando de egoístas, ok?) já que é uma cobrança da sociedade para que isso aconteça.

E quando falamos dos cuidadores?

Que largam suas vidas para cuidar dos pais, mães, irmãos acamados ou que precisam da sua atenção e abdicam da sua vida em detrimento ao outro? Eles queriam ou precisavam?

Quando você se dedica apenas ao trabalho?

Acorda de madrugada e vai até o poente ou depois dele e, no dia seguinte, volta ao trabalho sem ter feito nada para você. Deixa sua vida de lado para uma força de sustento (será?).

O seu querer foi colocado de lado mas não por um querer, por uma obrigação.

E é melhor não pensar sobre isso para que não doa mais.

Querer nem sempre é poder

Como é difícil achar o equilíbrio não é?

Essa doação nem sempre vem fácil e leva a frustração.

Leva ao sentimento de raiva através de sentimentos que conflitam com outros de natureza egoísta.

E que corre o risco de produzir uma geração, arrisco a dizer, depressiva e ansiosa.

Mas não é culpa do sistema pura e simplesmente.

É o conjunto que não dá para atribuir um único culpado.

Vivemos em um ambiente competitivo.

Vivemos em um ambiente que pedem para que sejamos super-heróis.

Criamos e fomos criados para lidar com a birra e frustração e ao mesmo tempo sem saber lidar com a birra e a frustração (você tem mas você não consegue).

Somos produtos intermediários de gerações que tiveram falta e de outra que tem em excesso.

Somos frutos de um conjunto de pais e métodos que consegue analisar o contexto e entender o motivo da nossa frustração entre querer e poder.

Embora ainda não sejamos capaz de responder, como resolver esse problema.

Querer resolver

Em certos aspectos temos o caminho mais comum e pragmático de resolver os problemas que conseguimos ou trabalhar com tempo para resolver os problemas a longo prazo.

Falamos um pouco disso sobre os tipos de tratamento empregados no TDAH.

Ensinamos a nossos pequenos que a frustração faz parte da vida.

Ensinamos a lidar com conformismos ou com superações e, para isso, o esporte está cheio de exemplo, onde força, dedicação e tempo dão chance que o poder seja possível.

O que sei, na verdade, é que eu mesmo lido com a dificuldade entre o que quero e o que preciso fazer todos os dias.

Que todo dia lavo louça (e não quero, detesto para ser sincero) mas preciso.

A cada momento, lembro do básico para dedicar: quero, posso ou devo?

O que sei e que posso dizer para vocês?

Que cada um vive sua batalha e que com um psicólogo será possível identificar qual é a mais adequada para você e por você.

Não será fácil, nunca é, gratificante (ainda estou esperando que seja) mas que há vários e muitos momentos felizes, com certeza existem.

 

Referências:

[1] Dias, Rosa (1997). A Influência De Schopenhauer Na Filosofia Da Arte De Nietzsche Em O Nascimento Da Tragédia. Cadernos Nietzsche 3:7-21. Disponível em: http://gen.fflch.usp.br/sites/gen.fflch.usp.br/files/upload/cn_03_01%20Dias.pdf

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Raul Oliveira
Formado em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital hoje está no papel de graduando em Psicologia é um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br
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