Testaram a saúde emocional dos relacionamentos

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Relação a dois não é nada fácil, não é mesmo?

Nos relacionamentos íntimos, as pessoas podem, de tempos em tempos, querer saber como os seus parceiros se sentem a respeito delas.

Pode ser que você e seu parceiro se deem razoavelmente, mas você se pergunta: o relacionamento está equilibrado?

Afinal todos nós somos curiosos e queremos manter a saúde emocional da nossa relação, não é mesmo?

Será que existe uma maneira simples de avaliar a temperatura emocional do seu parceiro em relação a você sem ter que perguntar?

E, em caso afirmativo, poderíamos usar essa leitura em uma base regular para monitorar o curso da saúde dos nossos relacionamentos íntimos? Afinal como anda a saúde emocional da nossa relação?

Os pesquisadores de relacionamento consideram o santo graal de seu trabalho prever quais casais manterão os laços de intimidade e, portanto, os níveis de satisfação com seus parceiros na relação.

Estudos, inclusive, mostrando que os contribuintes para relacionamentos de alto funcionamento tendem a focar a ausência de problemas como um dos fatores mais importantes.

Afinal, os casais de sorte nesses relacionamentos evitam permitir que as disputas se transformem em comportamentos negativos.

No entanto, se você crê no romantismo, deve também acreditar que é preciso mais que isso para um relacionamento durar.

Mais do que apenas um acordo de paz negociado entre adversários, não é mesmo, afinal é a “minha relação”.

Bem, na verdade, de acordo com a pesquisa Índices comportamentais de ressonância de positividade associados à satisfação conjugal em longo prazo de Marcela Otero e colegas da University of California Berkeley (2020), “a ausência de padrões de interação negativos não implicaria na presença de padrões positivos”.

Mas o que isso quer dizer?

Vamos pensar: Otero et al. observam que “intercâmbios positivos demonstraram amortecimento dos efeitos adversos do afeto negativo, construindo relacionamentos de alta qualidade ou ambos” (pp. 1225 – 26).

Isso quer dizer que nem sempre nos sentiremos bem em relação ao parceiro no momento, mas que se houver sentimentos positivos suficientes para contrabalançar, essa infelicidade momentânea provavelmente irá embora.

E como seriam esses sentimentos positivos?

Pensando em seus próprios relacionamentos mais íntimos, o que faz você se sentir bem com seu parceiro?

Você tende a se sentir emocionalmente conectado, acredita que seu parceiro se preocupa com você (e vice-versa) e que vocês podem ler os sinais um do outro com precisão quase perfeita, não é isso?

Vocês, como diz a expressão: “terminam as frases uns dos outros”.

Será que seu parceiro poderia interpretar a queda de seus ombros como um sinal de que você teve um dia ruim?

Os autores da pesquisa propõem que a chamada “ressonância positiva” entre parceiros envolva exatamente esse tipo de reciprocidade emocional.

Usando o modelo de emoções de “ampliar e construir”, os autores afirmam que as emoções positivas se acumulam com o tempo, fortalecendo os laços dos parceiros em uma espiral ascendente. Seria como créditos entre cada parceiros.

Para testar o valor da “ressonância positiva” na satisfação com o relacionamento, eles usaram dados existentes em uma amostra de casais que participaram de um estudo de relacionamentos realizado em 1989 – 90.

As 148 díades incluíram 78 casais com média de 44 anos e outros 65 casais em seus 60 anos.

Todos foram levados para o laboratório, onde se envolveram em uma conversa de 15 minutos enquanto conversavam sobre uma área de desacordo entre eles.

Para medir a satisfação no relacionamento, a equipe de pesquisa usou dois instrumentos de padrão de qualidade conjugal.

Aproveitando as novas teorias de emoções nos relacionamentos, os pesquisadores reanalisaram as gravações de vídeo com uma escala projetada para avaliar a ressonância de positividade entre os dois parceiros.

Ao contrário das medidas comportamentais que rastreiam minuto a minuto como um parceiro parece estar se sentindo, a pontuação de ressonância captura o que os autores chamam de “conexão interpessoal”.

Os autores propuseram que um senso de conexão refletiria uma “síntese holística” (um tipo de acordo conjunto maior) de afeto positivo compartilhado, cuidado e preocupação mútuos e sincronia de comportamento não-verbal.

Em outras palavras, uma avaliação individual mostraria o número de vezes que um dos membros sorriu, mas essa avaliação conjunta indicaria quando os dois parceiros pareciam reagir a uma situação com humor.

Para ilustrar como essa diferença pode funcionar na vida real, considere a seguinte situação hipotética.

Você tem falado sobre uma área em que você e seu parceiro discordam, como a quantidade de tempo que passa ao telefone com sua irmã.
Sua parceira acha que você fala muito sobre nada, mas você gosta de comparar suas opiniões sobre programas de TV e filmes com sua irmã diariamente.

Agora imagine que você foi trazido ao laboratório de um pesquisador para falar sobre essa situação.

Embora você e sua parceira não concordem, ambos ainda conseguem rir sobre como algumas dessas conversas de irmãs podem ser bobas.

As medidas usadas pelos pesquisadores para quantificar a ressonância positiva totalizaram uma série de quatro indicadores comportamentais.

Agora pergunte-se qual destes se aplicaria ao último desentendimento com seu parceiro, pensando não apenas nele, mas na interação entre vocês dois:

  • Mostrando humor ao mesmo tempo.
  • Inclinando suas cabeças ao mesmo tempo.
  • Usando termos de carinho.
  • Falando em tons de voz afetuosos.
  • Cada um deles sozinho contaria como o que os autores se referem como ressonância de positividade de “Nível 1”.

Para aumentar sua pontuação para o “Nível 2”, vocês não apenas sorririam, mas ririam alto, espelhavam os movimentos da cabeça um do outro pelo menos duas vezes, conversavam afetuosamente por pelo menos 15 segundos e usavam termos carinhosos duas vezes ou mais.
Comparando a pontuação de ressonância de positividade de cada casal com suas avaliações de comportamento baseadas individualmente, os autores descobriram que, como previram, os parceiros com maiores pontos tinham também escores mais altos nas medidas de satisfação conjugal.

Em outras palavras, as avaliações comportamentais de cada membro do casal, ou dos dois somados, não eram tão eficazes em prever a qualidade do relacionamento quanto a avaliação “holística” das interações do casal.

Um fator chave na satisfação com o relacionamento, de acordo com este modelo, é que você e seu parceiro estão “em sincronia”.

Resumindo, como os autores concluem, ao longo do tempo, “episódios repetidos de ressonância de positividade podem promover sentimentos de unidade, orientação para o outro, tomada de perspectiva e união interpessoal” (p. 1231).

Ao testar sua própria frequência de ressonância de positividade, seu relacionamento pode ser muito mais gratificante.

E para ficar claro:

Quanto mais o casal, como unidade, tem momentos de sintonia e criam créditos, tendem a melhorar seu relacionamento íntimo.

Gostou da pesquisa? Concorda com ela?

Referência

Otero, MC, Wells, JL, Chen, K.-H., Brown, CL, Connelly, DE, Levenson, RW, & Fredrickson, BL (2020). Índices comportamentais de ressonância de positividade associados à satisfação conjugal em longo prazo. Emotion, 20 (7), 1225–1233. doi: 10.1037 / emo0000634.supp (suplementar)

Baseado no artigo: https://www.psychologytoday.com/intl/blog/fulfillment-any-age/202011/4-simple-ways-test-your-relationship-s-emotional-health

Imagem: Foto de RODNAE Productions no Pexels

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