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Quem nunca disse: ah! A ignorância é uma benção?

Pois é, esse frase é dita e redita no senso comum e saber popular e antes de começarmos a falar dela, vamos entender a origem de alguns dos seus termos:

Ignorância. A origem da palavra vem da palavra “ignorante” que tem, por sua vez, a sua origem no latim, no vocábulo IGNORANTIA, que é um derivado de IGNORARE, cujo significado é “não saber”.

Ela é composta por IN, “não” e GANRUS, “aquele que domina um tópico ou assunto, sabedor”. [1]

Benção segundo o site a Origem da Palavra [3], vem do Latim BENEDICTIO, “ato de abençoar”, de BENE, “bem”, mais DICTIO, de DICERE, “dizer”.

Já no site Etimologista diz-se que no hebraico, a palavra “bênção” (“berekhah”) vem de uma raiz (“barakeh”, “beirakheh”) que significa “ajoelhar, abençoar, exaltar, agradecer, felicitar, saudar”.

Tanto no hebraico quanto no grego (“eulogia”) apresenta um sentido de concessão de alguma coisa material.

Todavia, a forma grega acrescenta ainda os bens espirituais (e aqui é tópico para outra conversa).

Nos dicionários, consta como “ação de benzer, favor divino, graça”.

Juntemos tudo: a ignorância é uma benção ou quem sabe, felicitemos àqueles que ignoram algo. Será?

A ignorância é uma benção… é?

anonymous woman having dispute with crop person a ignorância é uma benção
Photo by Liza Summer on Pexels.com

Com base na etiologia – ciência que estuda a origem das palavras – presumiríamos que, quando falamos que “A ignorância seria uma benção” também diríamos que o não saber deveria ser exaltado, abençoado e que seria algo divino para ser felicitado ou exaltado. Será?

Particularmente, não concordo com isso de muitas maneiras. Será que você, inconformado com isso concorda mesmo?

No campo religioso, e a partir Daquele que é onisciente, e que fomos criados a sua imagem e semelhança, por mais fraco que fossemos, ainda assim, a nós para tentarmos nos aproximar Dele, seria pedida a busca por essa onisciência (tentar aprender ou conhecer o mais que conseguirmos).

No campo da ciência, essa frase por si, nos levaria a uma época sem descobertas ou tentativas de aprender ainda mais sobre tudo, sobre como funcionam as coisas e sobre como podemos curar doenças, criar tecnologias, etc.

Aqui vale até um conceito base entre ciência e crença: na crença, “eu acredito que alguém possui uma resposta”, na ciência, eu não sei se há uma resposta e vou testar teorias ou modelos para tentar chegar até algum lugar, logo, eu parto do “eu não sei”. Sou ignorante.

No sentido estendido da frase, não acho que deixar de saber facilite algo.

Talvez amenize com base em outra frase: o que os olhos não vêem o coração não sente. Um infartando, arrisco a dizer, discordaria.

E, como uma pessoa que busca levar informação, acolhimento e um pouco de conhecimento adquirido por experiência e estudos, não posso concordar com nenhuma delas. Mas não é uma tese, afinal, eu sei que ignoro muitas coisas, mas sei também que não ignoro um monte de outras coisas.

Pelo menos não na maioria do tempo.

Sou a favor do conhecimento. Da troca. De compartilhar aquilo que sabemos para juntos evoluirmos.

Também sou favorável, que podemos sentir, mesmo sem ter visto algo, sentir por ter conhecimento e esse sentir não especifica se é bom ou ruim.

Muitas vezes a fim de evitar a dor (ou tentar insensatamente ignorá-la) tentamos negá-la.

Em estado de negação ou em levantar muros sobre aquilo que incomoda, machuca ou entristece, acabamos por dizer: não quero saber.

Mas não saber, não quer dizer que o fato em si não aconteça.

Também não quer dizer, que pelo fato de querer me preservar (do desconhecido ou do conhecido) me faça ter consciência, e nossa conversa iria para os meios da alienação.

Ainda acredita que a ignorância é uma benção?

Depois, concordando com a autora das fases do luto: negamos, ficamos com raiva, tentamos barganhar (se a dor tanta vamos ignorar, o que acha?) e por fim a depressão e aceitação. E nem ela, tem unanimidade, pois falamos de diversidade, de construções e meios diferentes e de pessoas distintas que lidam diferente com vários tipos de ignorância.

No blog da Rosana [2] há um post contrário a esse título: A ignorância [NÃO] é uma benção.

E ela sugere que o termo surgiu em um poema, onde, o poeta dizia que em um lugar onde há tolos, a ignorância é uma benção, mas que a apropriação da frase a fez meio pop no nosso tempo.

Assim, queridas leitoras e queridos leitores, compartilho com vocês que a ignorância, por mais tentadora que seja no momento de dor, não é solução. É, talvez negação, talvez incerteza, mas certamente não ajuda a solucionar nada. A ignorância é uma benção para quem? Para manutenção de um estado? Que estado? Qual estado?

A ignorância nos faz tomar atitudes drásticas e impensadas, a ignorância releva o mais primitivo de nós mesmos e passamos ao modelo egoísta, ao modelo animalesco, a um princípio de estado primitivo de manutenção social?

Tornar-se ignorante por vontade própria é negar a sua existência na Era da Informação e do Conhecimento.

É preferir, voltar-se para a caverna (ver o mito da caverna de Platão) ao invés de sair e descobrir que o mundo, por mais difícil que seja, ainda tem coisas boas e belas.

E pelo peso que atribuo às coisas que julgo positivas, a ignorância é uma benção, deixa de ter sentido, ao menos neste instante, pois a mim, me parece muito mais controlável não ignorar e bem dizer as ações que posso ter diante daquilo que conheço.

Afinal, nesse ponto, a minha autonomia é que está em jogo.

E ai, concorda comigo?

Referências sobre o texto ignorância é uma benção:

[1] https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-ignorancia/

[2] https://rosanahermann.wordpress.com/2012/08/10/a-ignorancia-nao-e-uma-bencao/

[3] http://origemdapalavra.com.br/palavras/bencao/

Que tal alguns livros para refletir se a ignorância é uma benção?

É importante que se diga, que embora estes livros indicados para se aprofundar no tema da ignorância é uma benção, nada, suprime a sua leitura crítica para formação de uma teoria. 😉

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Texto Original 12/09/2018 | Revisitado 14/09/2021

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Sobre os Autores do Post:

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Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

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