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Você já ouviu falar de arteterapia?

Você nasceu para fazer arte

e isso pode ajudar com suas dificuldades emocionais. Um encontro de saberes entre a psicologia, a arte e a filosofia dentro da fenomenologia existencial e da arteterapia. 

Você é uma pessoa que sempre disse que não nasceu para fazer arte? Que só sabe desenhar bonequinhos de palito e olhe lá? 

Então, eu tenho uma notícia: talvez você esteja muito errado! Vou te explicar agora o porquê de você ter SIM nascido para fazer arte. 

Vamos compreender como a arte é uma parte essencial na nossa história e como ela pode ser um recurso importantíssimo para sua saúde mental com a arteterapia.

Arteterapia - Foto: Cora Munhoz Rezende, 2021.
Arteterapia – Foto: Cora Munhoz Rezende, 2021.

A arte sempre esteve presente na humanidade.  

A arte esteve presente em todos os momentos da história com diversas funções e sentidos. 

O ser humano, no período pré-histórico, já reproduzia artisticamente os acontecimentos cotidianos e utilizava a arte como instrumento de manifestação da sua espiritualidade. 

Quanto mais complexa a humanidade foi ficando, mais complexas as representações artísticas e seus significados também ficaram. Mas independentemente das técnicas ou habilidades, os seres humanos sempre utilizaram seus corpos e ferramentas para produzir arte como manifestação de sua existência no mundo. 

Em paralelo, a arte é uma peça importante no desenvolvimento humano, principalmente na infância. 

Nos primeiros anos de vida, a criança está descobrindo o mundo e o seu próprio Eu. E é, nesse período, que começa a atribuir significados através dessa relação de descoberta e aprendizagem.

A presença de recursos lúdicos e artísticos na vida de uma criança enriquece o seu ambiente e propicia condições para um desenvolvimento saudável. 

Antes de andar, as crianças dançam. Antes de falar, elas cantam, e antes de escrever, desenham! 

A arte é uma necessidade humana!  

O filósofo Nietzsche, em sua obra A vontade de Poder, diz que a arte é a maneira pela qual o ser humano  experimenta o sentido da vida, enquanto o próprio humano constrói e atribui esse sentido através da possibilidade de criar. [1]  

Ou seja, construímos e damos sentido à vida enquanto a vivemos, sendo artesãos de nossa própria história.  

É como um idioma universal  

A arte é uma forma de linguagem da qual todos nós podemos compreender, pois vai além das barreiras linguísticas, temporais e culturais. 

Você certamente já se alegrou ou se emocionou com uma música em outro idioma, mesmo sem compreender sequer uma palavra dita. Mas, uma produção artística não se resume apenas a uma obra agradável aos cinco sentidos. Ela é, antes de tudo,  uma mensagem, e contém a intenção de seu criador. 

Por exemplo: Uma declaração de amor, um retrato histórico,  uma denúncia política, ou um relato pessoal, entre outras infinitas possibilidades. 

Todas as emoções podem ser evocadas através dela, pois a arte é a mais pura linguagem dos sentimentos, produzida por quem sabe muito bem o que é sentir:  O ser humano.    

Tem efeito terapêutico comprovado: a arteterapia  

 Agora que você já sabe que a arte está profundamente presente em nossas vidas, vou te contar sobre a utilização dela como ferramenta de promoção e manutenção da saúde.  

Os resultados dos recursos expressivos nesse contexto são maravilhosos.

A arteterapia, por exemplo, é um campo multidisciplinar, que usa a arte como canal de expressão. 

Desenho, dança, escrita, cinema, teatro, escultura e uma infinidade de manifestações são utilizadas com enfoque terapêutico, tanto no tratamento de várias condições, quanto na promoção de bem estar e desenvolvimento pessoal. E isso constrói a arteterapia.

A utilização da arteterapia é comum em diversas áreas além da psicologia, como a enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, entre outras, e cumpre uma função de manutenção integral da saúde e não só a de cura de doenças. 

Por meio das técnicas terapêuticas (arteterapia), em uma união entre a ciência e a arte, podemos trilhar um caminho cheio de vida e cor, rompendo as paredes brancas dos hospitais e clínicas ao dar lugar às representações de cada ser humano em sua própria trajetória.  

A arte é o combustível da vida!

Até agora, você aprendeu o seguinte sobre a arte e a arteterapia:

  • Sempre esteve presente na humanidade (Existem registros artísticos que remontam à pré-história) 
  • É uma peça importante do desenvolvimento humano (Antes de andar, as crianças dançam. Antes de falar, elas cantam, e antes de escrever, desenham! ) 
  • É como uma linguagem universal (Vai além das barreiras linguísticas, culturais e temporais, e é utilizada para transmitir mensagens importantes) 
  • Tem efeito terapêutico comprovado (É utilizada em diversos contextos da saúde, para além da cura das doenças, promove o bem estar e manutenção da saúde integral) 
  • E tudo isso compõe a arteterapia.

 A humanidade faz a arte e a arte faz a humanidade! 

A arte na psicoterapia (arteterapia)

A Psicóloga Bilê Tatit Sapienza (2015) diz que, o psicólogo, ao lidar com um paciente, deve compreender sua  individualidade  e suas angústias, a partir de tudo o que faz parte da construção de seu ser. 

Sendo assim, a história, religião, mitologia, e a arte em geral, devem fazer parte da terapia, pois são integradas à vida humana. 

A autora defende que a terapia deve ser um trabalho artesanal, de criação exclusiva para cada um, e não um produto pronto.[2] 

A partir disso, paciente e terapeuta dão vida, em  conjunto,  a magnífica obra de arte que é processo terapêutico.  

A arte no cotidiano: 3 maneiras de utilizar a arte e a arteterapia para enfrentar os desafios da vida.

O caráter universal da arte muitas vezes faz com que sua eficácia como instrumento psicológico seja subestimada e questionada. Mas, apesar de sua universalidade, a falta de conhecimento e de valorização da arte como um todo, dificulta que o tema seja aprofundado na prática. [3] 

É preciso incentivar e valorizar a arte, os recursos artísticos estão e devem estar sempre disponíveis a todos! Afinal arte e terapia só colaboram para um melhor desenvolvimento da qualidade de vida e da saúde mental.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que toda pessoa tem o direito de participar livremente da cultura de sua comunidade, e desfrutar das artes e dos benefícios resultantes dela.[4]  

E por fim, 3 maneiras de usar a arte e a arteterapia para lidar com os desafios da vida. 

Experimente fazer arte para o bem da sua saúde mental.

  1.  Quando estiver confusa, confuso ou triste, experimente escrever sobre suas angústias. A escrita é uma ferramenta terapêutica poderosa que nos permite enxergar  as situações de maneira mais ampla e pode trazer alívio.  
  2. Se estiver se sentindo desanimado, sem energia vital para seguir o dia, experimente fazer pintura a dedo. Sinta a textura, a temperatura e a consistência da tinta entrando em contato com seus dedos e com o papel. Os estímulos sensoriais podem te ajudar a sentir a vida que pulsa dentro de você e ao seu redor!  
  3. Se a ansiedade bater, e você não conseguir relaxar, que tal gastar energia com uma música animada? Coloque uma música que te lembre coisas boas, mexa o seu corpo vigorosamente no seu limite, e não se preocupe com técnicas de dança. O importante é liberar a tensão.  

E não se esqueça: construa sua própria relação com a arte, como artista ou apreciador, na vida pessoal ou em sua comunidade, pois isso é parte de você e um direito seu.  ♥

REFERÊNCIAS   

[1] NUNES, Juliana Bernabé. Todos somos artistas: um diálogo entre Nietzsche e Beuys. 2010. Dissertação (Pós graduação em Filosofia) – Universidade Federal do Espírito Santo – Centro de Ciência Humanas e Naturais, Vitória, 2010. Disponível em: http://repositorio.ufes.br/bitstream/10/3646/1/tese_4548_Juliana%20Bernabe.pdf. Acesso em: 10 mar. 2021 

[2] SAPIENZA, Bilê Tatit. Conversa sobre terapia. 2. ed. atual. São Paulo: Escuta, 2015. 

[3] DUQUE, M. C. N.; FERREIRA, D. C.; GANZELA, P. E.; MAIM, M, R.; PIRES, D. G. S. P.; SOUSA, J. S.; CHAINÇA, E. (orientadora). O uso dos recursos expressivos na promoção de saúde mental em instituições de assistência social. Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP – Universidade Paulista. Campus São José do Rio Preto, 2020 

[4] Assembleia Geral da ONU. “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. “Nações Unidas”, 217 (III) A, 1948, Paris, art. 1, http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/. Acesso em: 10 mar. 2021 

DIAS, Victor R. C. da Silva. Sonhos e psicodrama interno na análise psicodramática. São Paulo: Ágora, 1996. 

CORSO , Diana Lichtenstein. Fadas no divã: Psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: ArtMed, 2006. 

ROMANELLI, Guilherme Gabriel Ballande. Antes de falar, as crianças cantam!: considerações sobre o ensino de música na educação infantil. Rev. Teoria e Prática da Educação, 2014. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/TeorPratEduc/article/view/28208/pdf_69. Acesso em: 10 mar. 2021. 

GABRIELA, Martorell. O desenvolvimento da criança: do nascimento à adolescência. Porto Alegre: AMGH, 2014 

TRINCA, Walter (org.). Formas lúdicas de investigação em psicologia: procedimento de desenhos-estórias e procedimento de desenhos de família com estórias. São Paulo: Vetor, 2020. 

AIDAR, Laura. História da arte: um guia cronológico para entender os períodos artísticos. Cultura genial. Disponível em: https://www.culturagenial.com/historia-da-arte-guia-cronologico/. Acesso em: 10 mar. 2021 

UNIÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE ARTETERAPIA (Brasil). Disponível em: https://www.ubaatbrasil.com/. Acesso em: 10 mar. 2021. 

Foto de Elijah O’Donnell no Pexels

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Sobre os Autores do Post:

Psicóloga | [email protected] | + posts

CRP 06/166863 | Psicóloga, multiartista e pós graduanda em Psicologia Social. Em 2020 integrou o Coletivo Anita, projeto de divulgação da Psicologia para grupos e comunidades nas redes sociais em meio a pandemia de Coronavírus. Estuda a criatividade humana, busca conectar os saberes da humanidade com ênfase na Psicologia e Arteterapia, e acredita em uma construção coletiva da saúde mental.

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