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Ensinem as crianças a como pensar e não o que pensar

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Ensinem as crianças a pensar e como pensar e não o que pensar.

Cofuso? Basicamente você mesmo, já parou para pensar em como é difícil educar um ser humaninho senão não estaria aqui. Nunca sabemos se estamos no caminho certo, ajudando, incentivando mas este texto pode te dar algumas pistas.

Vem ler.

Neste artigo, você vai ver:

  • A metáfora do pêssego e o perigo das respostas mastigadas.
  • O impacto do pensamento crítico na autodeterminação infantil.
  • A Teoria da Autodeterminação e os três requisitos para a motivação real.
  • Perguntas frequentes sobre como estimular a autonomia das crianças no dia a dia.

A parábola do pêssego: por que não entregar
respostas prontas?

Um certo professor tinha o costume de contar uma parábola ao fim de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam a mensagem.

– Professor – disse em tom desafiante um de seus alunos – você sempre nos conta uma história, mas nunca nos explica o seu significado ou o motivo dela.

– Peço desculpas por ter agido assim – respondeu o professor – e para reparar esse erro, vou lhe presentear com um delicioso pêssego.

– Obrigado professor – respondeu o aluno com um sorriso.

– Porém, quero te agradecer conforme o merecido. Me permite descascar o pêssego?

– Sim, muito obrigado. – surpreendeu-se o aluno, lisonjeado pela gentil oferta do mestre.

– Gostaria, já que tenho a faca na mão, que o cortasse em pedaços, para que te seja mais cômodo?

– Eu adoraria, mas não quero abusar de sua generosidade, professor.

– Não é um abuso algum se eu te ofereço não é mesmo? Só quero poder lhe agradar em tudo o que eu possa. Permita-me também mastigá-lo antes de lhe dar.

– Não professor. Eu não gostaria que fizesse isso! – queixou-se surpreendido e contrariado o aluno.

O professor fez uma pausa, sorriu e disse:

– Se eu explicasse o sentido de cada parábola à vocês, seria como dar-lhes as frutas mastigadas.

Tristemente, muitos professores e pais pensam que o melhor é entregar as frutas perfeitamente cortadas e mastigadas às crianças quando na verdade, a sociedade e as escolas estão estruturadas de tal forma que se focam mais na transmissão mecânica de conhecimentos e de verdades absolutas, do que em ensinar aos pequenos a pensar por sua conta e tirar suas próprias conclusões.

O desenvolvimento da autonomia e o papel do ambiente

Os adultos, também educados sob esse mesmo esquema tradicional, muitas vezes repetem em casa o erro de mastigar a fruta. Reproduzimos aquilo que nos ensinaram, ainda que não seja a forma mais funcional e ainda que nem sempre estejamos conscientes disso.

Porém, ensinar uma criança a acreditar cegamente em supostas verdades, sem questioná-las, implica em tirar-lhes uma de suas capacidades mais valiosas: a autodeterminação. Educar não é criar moldes prontos, mas ajudar os pequenos a criarem a si mesmos.

A autodeterminação é a garantia de que seremos os protagonistas de nossas próprias vidas. É evidente que erraremos no percurso, mas o erro faz parte do processo de aprendizagem e de reorganização do esquema mental. Quando as crianças se acostumam a pensar, a questionar a realidade e a buscar soluções para si mesmas, começam a confiar em suas capacidades e enfrentam os desafios com maior segurança e resiliência.

Os três pilares da motivação: o que diz a ciência

Uma série de experimentos desenvolvidos na década de 1970 na Universidade de Rochester demonstrou que as recompensas externas podem até melhorar a eficácia em tarefas repetitivas, mas tornam-se contraproducentes quando lidamos com problemas que demandam reflexão e pensamento criativo.

Esses resultados levaram o psicólogo Edward L. Deci a formular a Teoria da Autodeterminação, segundo a qual para motivar genuinamente as pessoas e as crianças, não precisamos de prêmios ou punições constantes, mas de um ambiente que promova três necessidades psicológicas básicas:

Necessidade BásicaO que significa na prática 
CompetênciaSentir que temos grau de capacidade para realizar a tarefa, evitando frustrações e ansiedades desproporcionais.
AutonomiaDesfrutar de liberdade para explorar caminhos, buscar novas soluções e testá-las sentindo controle sobre a ação.
VínculoManter interações seguras e de apoio com as pessoas ao redor, sentindo-se conectado e acolhido.

Mostramos possibilidades e mediamos o caminho, mas evitamos fechar o mundo em verdades absolutas. Para ilustrar essa importância, vale a pena assistir ao curta da Pixar La Luna, que aborda precisamente como permitir que as crianças encontrem sua própria maneira de atuar no mundo.

Assista ao curta La Luna (Pixar)

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Dar respostas prontas aos filhos prejudica o desenvolvimento?

Sim. Quando a criança recebe tudo mastigado, sua capacidade de reflexão e busca ativa por soluções não é ativada. Com o tempo, ela se torna dependente de validações externas para tomar qualquer decisão.

2. Como incentivar o pensamento crítico no dia a dia?

Em vez de dizer exatamente o que fazer diante de um dilema, faça perguntas orientadoras como: “O que você acha que pode acontecer se fizermos assim?” ou “De que outra forma poderíamos resolver isso?”.

3. A motivação por recompensas funciona?

Ela pode funcionar para tarefas mecânicas a curto prazo, mas prejudica o pensamento criativo e a resolução autônoma de problemas complexos a longo prazo, conforme aponta a Teoria da Autodeterminação.


Retirado originalmente de Rincón de Psicología Blog (traduzido e adaptado). Revisão técnica e curadoria editorial por Marcos Raul de Oliveira (CRP 06/154661).

Referências:

Deci, E. L. & Ryan, R. M. (2000). Intrinsic and Extrinsic Motivations: Classic Definitions and New Directions. Contemporary Educational Psychology, 25(1), 54–67.

Retirado de Rincón de Psicología Blog (traduzido e adaptado)

Referências: Deci, E. L. & Ryan, R. M. (2000) Intrinsic and Extrinsic Motivations: Classic Definitions and New Directions. Contemporary Educational Psychology; 25: 54–67.

Autores que participaram deste post:

Marcos Raul de Oliveira (CRP 06/154.661) é psicólogo, administrador com ênfase em marketing e cursou Tecnologias da Inteligência e Design Digital focando sua pesquisa no ser humano contemporâneo, seu sofrimento transversalizado pela tecnologia. Atua principalmente com atendimentos clínicos online para adultos, unindo psicologia, tecnologia e comunicação em uma prática fundamentada na abordagem histórico-cultural. É cofundador das plataformas Psico.Online e MeuPsicoOnline.com.br, autor de três livros e colaborador em veículos como revistas, portais e jornais especializados em saúde mental, comportamento e cultura digital. Com um olhar crítico e acessível, integra experiência clínica, pesquisa e inovação para promover reflexões profundas e transformações reais na vida das pessoas.

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