violência doméstica, violência familiar, maus tratos, briga

Quando a violência doméstica dói na alma

2 min de leitura · 

Tem uma Caixa de Segredos que ficou aqui paradinha, sem resposta, por algumas semanas. Porque aborda um assunto muito polêmico, a violência doméstica e eu precisava refletir bastante antes de escrever um texto.

O desabafo trata de uma família, dessas que a igreja chama de tradicional, com um pai que é pastor, inclusive, mas que dentro das quatro paredes se transforma num monstro, ataca a esposa, os filhos, destrói o físico e a alma dessas pessoas. Quem me escreve, diz se sentir muito triste, culpada e por tanta dor, desenvolveu algum tipo de automutilação, que eu acredito, doa menos que o que ela presencia dentro de casa.

Pois bem, eu devo dizer que você deve denunciar seu pai, na delegacia de proteção à mulher, ao conselho tutelar, por meio dos telefone 180 (central de atendimento à mulheres) ou 100 (direitos humanos), que é o disque denúncia , mas sei que só isso não vai aliviar o peso que você carrega, essa culpa que se criou na sua cabeça e da qual você não é dona de jeito nenhum. Então, primeiro vamos falar sobre ela.

A culpa quando vemos alguém sofrer por nos defender é enorme, pode nos corroer por dentro, mas precisamos entender que ter nascido não é algo que podemos controlar. A gente nasce e como qualquer ser vivo, deveríamos ser cuidados, amados, respeitados. Se qualquer coisa diferente disso acontece, não é sua culpa, é simplesmente o resultado de alguns comportamentos disfuncionais que algumas pessoas podem apresentar ao longo da vida. Resultado de tantas coisas que passam, de traços de personalidade não muito bons, de heranças psíquicas e genéticas e daí a pessoa começa a ter atitudes ruins, violentas e pode ser que nem perceba o mal que causa.

O importante é a gente entender que esse sofrimento PODE e DEVE ter fim. As vezes demora, as vezes parece que nunca vai acabar, mas acaba. Você precisa encontrar quem te ouça e te oriente pra poder pensar e sentir de outra maneira, pra poder ressignificar sua história e quem sabe um dia, ajudar alguém com sua experiência. Procure por um psicólogo ou psicóloga, existem serviços públicos que não cobram por isso.

Outra coisa importante é você não achar que é responsável por sua mãe, irmão, restante da família. Você é uma vítima dessa violência e precisa ser cuidada. Se deixar a ideia de que precisa ficar sofrendo pra proteger todo mundo te dominar, ninguém poderá resolver a situação.

Quando você estiver mais tranquila, mais forte, com menos culpa e menos dores, poderá agir para por um fim à essa história ruim e dar início à uma nova, sem grandes sofrimentos.

A gente precisa sempre estar alerta, pra não deixar a violência, seja ela qual for, se tornar algo comum, que a gente olha, sente, sofre e acha normal, aceitável. Não é! E por mais que algumas atitudes violentas sejam sintomas de alguns transtornos, essa pessoa precisa ser tratada e a vida precisa seguir, em equilíbrio e paz.

Você vai gostar de ler também:

Raquel Ferreira
CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

Participe, queremos ler o que você tem a dizer