A psicoterapia é um recurso utilizado no tratamento de questões emocionais e comportamentais. Ela ocorre por meio de diálogos estruturados, embasados em técnicas científicas oriundas da psicologia e de outras áreas do conhecimento. São trocas promovidas em ambiente seguro, com sigilo e acolhimento.
Atuo como psicóloga há pouco mais de seis anos, acreditando na possibilidade de melhora da qualidade de vida em diversos cenários por meio da psicoterapia. Tenho como abordagem a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Nessa linha de atuação, ajudo o cliente a compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. A partir disso, aprofundamos e ressignificamos crenças e percepções, identificamos padrões prejudiciais e buscamos, por meio de ensaios e tarefas, mudanças que possam promover saúde, bem-estar e maior satisfação com a vida.
É evidente que o ser humano é complexo, possuindo múltiplas formas de mudança e, também, de adoecimento. O crescimento das pesquisas e um olhar mais aprofundado da ciência têm trazido novas possibilidades de compreensão, que contribuem para aprimorar o processo terapêutico. Foi por isso que decidi estudar neurociências.
Essa ciência tem como foco o estudo do cérebro e do sistema nervoso, desde as bases estruturais — que costumo chamar de “nosso hardware” — até os processos fisiológicos e funcionais, o “nosso software”, que atuam sobre emoções, pensamentos e comportamentos. Ela também investiga a aprendizagem, a memória, a percepção e, principalmente, a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se modificar ao longo da vida. Isso nos ajuda a entender de que forma essas estruturas permitem mudanças e como podemos influenciar positivamente novos padrões.
Ao integrar conhecimentos dessas duas áreas, encontramos diversos estudos que demonstram que a psicoterapia, incluindo a TCC, pode promover alterações na estrutura e no funcionamento do cérebro. Por exemplo:
O estudo de Goldapple et al. (2004) mostrou que, em pacientes com depressão, a TCC foi associada a mudanças no metabolismo cerebral, especialmente no córtex pré-frontal, região ligada à regulação emocional e à tomada de decisões. Isso indica que a psicoterapia atua diretamente em áreas envolvidas nos sintomas depressivos.
Já o estudo de Siegle et al. (2006) demonstrou que, após o tratamento com TCC, os pacientes apresentaram maior conectividade entre o córtex pré-frontal e a amígdala. Essa ligação mais forte contribui para reduzir reações emocionais exageradas, como ansiedade, irritação ou impulsividade.
A partir da psicoterapia aliada aos conhecimentos em neurociência, é possível reorganizar conexões neurais, estimular novas formas de adaptação e promover mudanças ao longo da vida. Trata-se de um verdadeiro treinamento emocional e cognitivo, que favorece transformações em prol da saúde mental. Dessa forma, a junção entre psicoterapia e neurociência se mostra potente, ampliando as possibilidades de intervenções cada vez mais eficazes.
Se quiser saber mais sobre como a psicoterapia e os conhecimentos em neurociência podem contribuir para sua saúde mental, entre em contato.
Referências:
Goldapple, K. et al. (2004). Modulation of cortical-limbic pathways in major depression: treatment-specific effects of cognitive behavior therapy. Archives of General Psychiatry.
Siegle, G. J. et al. (2006). Increased amygdala and decreased dorsolateral prefrontal BOLD responses in unipolar depression: related and independent features. Biological Psychiatry.





