Adolescência: queria uma outra relação com meus pais!

Adolescência: queria uma outra relação com meus pais!

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Adolescência é a transição da infância para a juventude e é uma fase conturbada.

Wallon um dos teóricos que trabalhou nessa área fala inclusive sobre os lutos que existem e dos processos contraditórios e identificatórios que acontecem nessa fase: luto pelos pais da infância que eram acolhedores e agora são mais efusivos nas cobranças, luto do corpo que está mudando.

Vale dizer que, quando falamos desse “luto”, falamos do processo de transição, de transformação das coisas, que algo deixou de existir para renascer em outra concepção.

A morte de um passado para um presente e nascimento do futuro.

Nesse vai e vem o adolescente vai e volta da infância para a potência do adulto. Voz fina, voz grossa. Criancísse e adultísse em excesso, essas coisas.

Além é claro, do estar se tornando alguém, captando, transformando: evoluindo.

Enfim, o mundo atual é uma bagunça e isso também influencia na bagunça que é essa fase cheia de experiências e transições. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Para ter uma ideia, há vários tipos de adolescentes e jovens que são influenciados culturalmente, socialmente, fisicamente, psicologicamente e que torna bem complicado determinar alguma coisa com precisão absoluta sem algumas entrevistas e muita, mas muita conversa.

O fato é que é na faixa da adolescência e juventude que o indivíduo busca a sua “emancipação” e a sua “identificação”.

É a hora que os amigos se tornam essenciais para suprimir e agregar o que foi perdido dos pais (ou o que eles não puderam mais oferecer) e, então, é que os conflitos acontecem.

É a hora de colocar em check as salvaguardas dos pais.

Não é fácil, nem para quem está na adolescência e nem para os pais.

É também nessa fase que o processo de individuação começa a florescer, que os questionamentos são feitos e que a fase dos porquês se transforma na fase do “por que não”?

Uma caixa de segredos que chegou, vem de uma garota que nos fala que gostaria de ter outra relação com os seus pais.

Pelo que ela descreve, é uma garota centrada, com boa argumentação, que já consegue ver o lado bom e o lado ruim das coisas.

Além disso, ela nos diz que tem buscado forças para se tornar ela mesma e sair da comparação da irmã mais velha.

Que gostaria que seus pais percebessem mais seus esforços e nuances e que costuma perder o controle na hora das discussões com eles.

Que sente falta dos amigos e que diferente da irmã que concentra-se no estudo, ela deseja muito essa vida mais agitada com seus amigos da escola.

Querida leitora, esse post será mais para os seus pais do que para você.

A introdução meio longa deste artigo ilustra bem a fase que você está vivendo. As necessidades de espaço, de busca e de se tornar você mesma. E (é um chute ok?) você parece estar se saindo bem.

Para você, direi o seguinte: perder o controle na hora que a emoção aflora é natural, só evite os excessos, não agrida, tente ponderar, conversar.

Sei que é quase impossível na hora, mas uma boa conversa séria, mostra maturidade da sua parte e deixa os seus pais mais confortáveis e confiantes em você.

Pense que com eles mais confortáveis a acessibilidade aumenta (ao menos em teoria) pois, como falei acima, tudo precisaria ser investigado e de muita conversa para entender os detalhes dessa relação.

Enfim: converse, não grite.

E se você já sabe que gostaria de ter uma relação diferente com seus pais, o primeiro passo está dado, será seu processo busca e modificação da relação atual para a qual você deseja.

Só não abuse da confiança que você conquistar.

Dito isso, vamos ao restante.

Aos pais de filhos adolescentes de diferentes idades.

Seus filhos não foram feitos em moldes e formatos equânimes. Eles são diferentes. Têm necessidades diferentes, personalidades diferentes, vontades diferentes. Sei que parece bobo informar isso, mas é bom lembrar.

A leitora que procurou a nossa caixa de segredos trouxe o momento da comparação: uma filha mais velha estudiosa e a mais nova mais necessitada dos amigos.

Elas estão em fases diferentes. Têm idades diferentes. Estão em momentos diferentes. E precisam de decisões diferentes pois, correndo o risco de ser repetitivo, são diferentes.

Parte do processo complicado da adolescência é que os pais querem que os filhos sejam adultos, mas não dão espaço e cerceiam essa possibilidade quando são confrontados a guisa do que consideram o certo. Será o certo?

Nos dias atuais os perigos e a velocidade que precisamos tomar as decisões, o cansaço, tudo afeta e queremos pôr em prática aquilo que já sabemos que funciona.

Um recado, se funcionou antes, com outra pessoa, não quer dizer que funcione novamente.

Um famoso psicólogo (Jung) disse: “cada ser humano é um universo”. E no caso da adolescência eu diria que com muitas estrelas supernovas a explodirem em descobertas e novas formas de ver o mundo.

Aos pais de adolescentes, não pressionem, não larguem. Mas estejam prontos para conversar quando forem procurados. Ouçam. Pondere de verdade e sejam sinceros.

Estipulem regras claras. Não voltem atrás em decisões tomadas mas tirem um tempo para ouvir e deixar a novidade acontecer.

Recompense aquilo que é bem feito. Prestem atenção no que vocês não acham importante mas que é importante para o outro. Troquem. Pais e mães, conversem quando puderem.

O diálogo é um bom caminho para uma relação de compreensão e apoio. Assim se consegue alinhar a relação para esta seja satisfatória para ambos.

O trabalho de vocês é árduo, mas é compensatório.  😉

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Debora de Barros Paschoal
CRP 06/126.802 - Psicóloga especialista na abordagem fenomenológica existencial, que é uma abordagem focada na compreensão da existência de cada individuo e seu sentido, fazendo isso baseando em suas vivências e convicções.
Co-fundadora do Teramor, que visa trabalhar com mulheres a questão de relacionamento e amor próprio, trazendo maior qualidade de vida e empoderamento, as distanciando ou recuperando de relações abusivas.
Telefone/Whatsapp: 11 9.7468-7802
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