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Medo e ansiedade: como você lida?

6 min de leitura · 

O medo é comum a todo ser vivo pensante. Todos os seres vivos pensantes têm medo de algo. Animais reagem instintivamente ao menor sinal de perigo, demonstrando a eficácia e os efeitos do medo para a manutenção da sobrevivência.

Tanto animais pequenos quanto grandes podem fugir ou atacar, sob a influência do medo. Outros animais utilizam outras estratégias quando estão com medo. Por exemplo, alguns sapos podem produzir venenos e liberar estes venenos pela pele.

O ponto é que o medo é naturalmente um regulador dos seres, fazendo com que se adaptem e criem maneiras para garantir sua sobrevivência. No ser humano não é diferente. O medo possibilita a adaptação do ser humano diante das dificuldades encontradas.

Fisiologicamente, o medo no ser humano apresenta características semelhantes à maioria dos seres vivos.

Quando está com medo, o organismo responde com algumas alterações fisiológicas para que haja uma forma de manter a sobrevivência. Por exemplo, o coração passa a bater mais acelerado, causando um aumento da pressão sanguínea, especialmente nas pernas e braços, possibilitando ou a fuga ou o ataque frente a um perigo.

Clique e fale com um Psicóloga Online agoraO aumento da pressão também aumenta a temperatura, causando suor em diversas partes do corpo. Como o sangue passa a circular mais nessas regiões, ocorre a diminuição de circulação na região da cabeça, causando o conhecido efeito de palidez no sujeito.

Além disso, devido à falta de circulação na cabeça, o oxigênio que deveria chegar até essa região diminui, fazendo com que o cérebro tenha pouca fonte de energia.

Esse efeito causa o típico “brancão” ou mesmo desmaio (um tipo de desligamento que o cérebro tem que fazer caso haja muita pressão). Esses e outros sintomas fisiológicos são comuns tanto em animais como em seres humanos.

No cérebro, o medo é associado à amígdala cortical que desempenha um papel central no estado de medo. Ao menor sinal de perigo, a amígdala cortical reage, acionando a liberação de adrenalina e outros hormônios que desencadearão todos os sintomas mencionados acima.

Pessoas com alterações fisiológicas na amígdala cortical ou outras partes do cérebro, terão reações diferentes em relação ao medo. Por exemplo, existem pessoas que serão muito sensíveis ao medo, ao passo que outras poderão, inclusive, não sentir nenhum sinal de medo, mesmo reconhecendo os sinais de perigo.

Em toda história humana, o medo possibilitou a adaptação. A partir do reconhecimento dos perigos o ser humano desenvolveu formas de se proteger dos perigos e enfrentar o medo, garantindo a sobrevivência da espécie.

O fato é: o medo é uma emoção natural que ajuda na adaptação, nos acompanhando por todo o nosso desenvolvimento, desde o nascimento até a finitude.

Podemos pensar no medo como um companheiro de estrada que nos ajuda a nos desenvolver e criar formas de lidar com situações de perigo. Porém, há situações onde o medo não é saudável e está ligado ao adoecimento psíquico, físico, emocional, social e, portanto, global do ser humano.

Na abordagem cognitivo-comportamental, sentir medo é considerado normal e saudável, dependendo de como nós pensamos e reagimos a esse medo. Por exemplo, sentir medo quando você encontra uma cobra com as presas a mostra é natural, bem como ao andar numa rua escura, ser abordado uma pessoa desconhecida.

No momento em que nossos sentidos percebem essas situações, a amígdala dispara o sistema nervoso e, então, percebemos o perigo dessas situações e passamos a sentir medo.

Porém, em alguns casos, o medo pode ser desadaptativo ou irracional, como por exemplo, medo de coisas que não são consideradas perigosas, como é o caso de algumas pessoas que tem fobias de animais pequenos ou situações consideradas ilógicas (medo de gato, palhaço, cores, objetos).

Nos primeiros casos, o contexto permite avaliar o perigo como racional e lógico, porque apresenta circunstâncias perigosas para a vida de qualquer pessoa. No segundo caso, o medo é real, porém irracional. Nesses casos, o medo é considerado irracional ou desadaptativo, pelos objetos de que se tem medo não serem normalmente perigosos. Porém, é necessário dizer que não se deve desconsiderar o medo que essas pessoas sentem. São fobias específicas.

Os motivos pelos quais desenvolvem essas fobias específicas são vários, e se deve ter em mente que a experiência do medo e sensação de perigo é real.

Em muitos casos, esses medos específicos são causas de se evitar locais, casas de amigos, trabalho/escola, etc, causando prejuízo nas atividades de quem apresenta esses medos. Importa compreender que para essas pessoas é muito difícil viver tranquilo, especialmente quando se pode haver a presença dos objetos dessas fobias.

Associado ao medo tem a ansiedade. A ansiedade é um efeito do medo. É um estado relacionado à percepção e avaliação do perigo. Também é natural e saudável. Por exemplo: é perfeitamente natural sentir-se ansioso (a) antes da apresentação de um seminário, de uma reunião, de um encontro, quando se estuda para uma prova ou se prepara para uma entrevista de emprego.

Apesar dessas situações não apresentarem risco de morte, elas representam estado de perigo para o sujeito. Então, encontrar-se ansioso em um estado assim é natural e não há problema nisso.

O estado de ansiedade ajuda na manutenção do estado de alerta e na preparação para enfrentar uma situação considerada difícil. Pode-se pensar nela como uma pressão/combustível para uma ação (estudar para o seminário, rever o conteúdo da prova, treinar pra entrevista, etc).

Porém, a ansiedade pode ser prejudicial. Ocorre quando o sujeito está constantemente ansioso por algo. Nesses casos, o estado de alerta é constante, impedindo que o sujeito relaxe e pense com clareza. O foco é constante nos sinais de perigo. Outros aspectos são as palpitações e outros sintomas relacionados ao medo. Esses estados podem vir de situações complexas e difíceis para o sujeito como: grandes mudanças, viagens longas, mudanças de emprego, desemprego, fins de relacionamentos, etc.

A ansiedade também pode ser patológica. Nesses estados ela é bastante prejudicial ao sujeito, impossibilitando-o de agir, pensar, sentir ou se comportar de forma adequada, prejudicando suas ações, planos, atividades, relacionamentos e, não menos importante, sua autoestima, autoconceito e autoeficácia.

Alguns sinais comuns que podem indicar ansiedade patológica são: dificuldades para dormir ou constante estado de sono, comer demais ou não comer absolutamente, cansaço mental, dificuldade de concentração em atividades simples, agitação, sintomas fisiológicos, medos constantes, evitação de ambientes, evitação de pessoas, etc. Nesses casos, é interessante a busca de um profissional de saúde mental para ajudar na resolução desse estado.

Algumas coisas corriqueiras podem ajudar a diminuir o estado de ansiedade.

Atividades ao ar livre, (passeios, esporte, lazer, etc), atividades sociais e culturais (com família, amigos, grupos de trabalhos, etc), atividades manuais (escrita, desenho, construção de pequenas coisas, etc), alimentação saudável, etc. Em alguns casos, pode-se necessitar de terapia medicamentosa, mas esses podem ser em casos mais extremos. Alternativas à medicação podem ser bastante úteis em situações de ansiedade patológica como psicoterapia, e terapia ocupacional.

Enfim, é importante observar que o medo e a ansiedade são naturais ao ser humano. Apenas em algumas situações e contextos podem vir a ser considerados anormais, em especial quando prejudicam o sujeito em sua relação consigo, com os outros e com suas atividades. A busca de ajuda profissional é necessária em situações mais extremas, mas existem alternativas para diminuir o impacto dos efeitos da ansiedade e do medo.

Gostaríamos de saber: o que você faz quando está com medo? E quando está com ansiedade?

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Alex Daniel Rodrigues de Souza

Psicólogo CRP 21/02777 pela Universidade Federal do Piauí. Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto Domingos Batista, Parnaíba-PI. Psicólogo, terapeuta cognitivo-comportamental e consultor em desenvolvimento pessoal e profissional. Natural e residente em Parnaíba, a poucos kms do mar. Músico amador. Apreciador das boas coisas da vida.

3 thoughts to “Medo e ansiedade: como você lida?”

  1. Ótimo texto, bastante informativo e interessante. De palavras fáceis e compreensão rápida o que faz com que a informação contida nele seja assimilada rapidamente….

  2. Tenho medo do novo,da solidão de tomar decisões e simplesmente sinto raiva por não sair disso choro e me deprimido ,ficando sozinha….me ajude doutor …bjs obrigada

    1. Olá, Regina! Busque ajuda profissional. As vezes, a solução está mais fácil do que imaginamos, mas precisamos de um norte para começar a nos reorganizar e reencontrar a satisfação e o bem-estar

Participe, queremos ler o que você tem a dizer