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Lembranças ativadas: uma possibilidade de ressignificação

2 min de leitura · 

O correr das horas, muitas vezes, não nos permite a atentar para detalhes valiosos de nossa existência. Talvez por isso muitos me considerem um pouco ‘aluado’. Gosto de observar os feitos do Criador pela fechadura, de refletir nos detalhes que nossa rotina frenética não nos deixa aproveitar. O passado constantemente nos bate à porta das formas mais inusitadas. Estive recentemente num lugar que trouxe ao meu presente um personagem que havia sido retirado naturalmente da minha história. Sabe aquelas pessoas que num insight se perguntam sobre sua existência? Quando criança era o melhor amigo do meu irmão, apesar das desavenças de nossas mães. Era a tal espécie de amor de todo o fígado. Segundo os chineses, esse é o órgão mais coerente do corpo humano. “Mais afeitos as mudanças de estado. Provocado, ele cospe bílis e sai esverdeando o que outrora parecia ser uma realidade rósea”. E sem aprender sobre a inteligência emocional do fígado na escola, meu irmão e seu fiel amigo já aplicavam tal processo em suas vidas emocionais. Mas a “maturidade” fez todo esse belo convívio cair por terra. Talvez por isso eu seja mais um amante e fascinado pela Síndrome de Peter Pan. Estar preso na infância é querer ser a resposta pura, singela, verdadeira, ingênua de uma criança. Ser um rei natural de situações diversas com saídas criativas e apaixonantes. Criança tem uma solução ingênua e prática para absolutamente tudo. Em caso de crise econômica logo disparam que a impressão de mais dinheiro resolve. Quando a questão é distância, um aparelho de teletransporte é o suficiente. Para as brigas, a reconciliação com um abraço sincero e esquecendo – apagando – tudo de ruim que aconteceu. Retomando a amizade do meu irmão, com o tempo, talvez por uma forma de defesa de suas referências, deixaram de se falar. Era como se todo aquele belo passado não tivesse existido. Dois estranhos conhecidos. Voltaram a estudar na mesma classe escolar anos depois. Mesmo com essas peripécias da vida, talvez numa tática de retomar aquela bela relação, agiam como se nunca tivessem se visto e não faziam questão de tentar. Meu irmão morreu sem aproveitar essa oportunidade. Reencontrando o tal personagem, todas essas questões sobrevoaram meus pensamentos. Ele me cumprimentou cordialmente, e eu, fui recíproco. Mas ao ouvir sua saudação não era aquele rapaz que me falava, mas, sim, aquela criança que estava acima de qualquer questão constrangedora entre nossas mães. Não posso dar a certeza que a intenção dele foi essa, mas me apego a essa ideia para ver as pessoas com uma esperança diferente. Percebi que o mundo parece girar muito rápido. Na verdade, ele gira lento o suficiente para ativar lembranças que achávamos não ter mais importância.

Por Jhonatan Rocha

E você, que lembranças tem, que podem te levar a revisar o seu passado? Que lembranças tem, que precisam de um significado novo? Já pensou em procurar um psicólogo pra te ajudar nessa jornada? 😉

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