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O que é dependência emocional? Vamos descobrir juntos? Você já se deparou em uma situação na qual você fazia mais pelas outras pessoas do que por você mesmo? Neste texto, vamos entender um pouco sobre o que é a dependência emocional e o que você pode fazer em relação a ela.

Para começar direto no ponto: o que é dependência emocional? A dependência emocional é uma relação afetiva em desequilíbrio e que está sujeitada a um ou outro lado da relação. Ocorre em relacionamentos interpessoais (amorosos, familiares, amizades ou trabalho). Quem está sujeito à dependência emocional, são pessoas com dificuldades em viver bem sem essa figura a qual depende, passando a depositar no outro a expectativa de um preenchimento de vazio, buscando uma completude quase parasitária em casos extremos. Incomodou? Vamos falar sobre isso…

A dependência emocional está mais presente do que imaginamos, porém não falamos muito sobre ela, até porque tem relação com vários outros assuntos como veremos adiante.

Muito se fala sobre a falta de amor e pouco sobre o excesso dele, normalmente confundimos com amor essa dependência.

Isso é comum pois pensamos que amamos demais por fazer coisas que parecem exageradas, que normalmente não faríamos nem por nós mesmos, e acabamos por justificá-las.

A verdade é que a dependência afetiva se iguala a qualquer outro tipo de vício.

Quanto mais a praticamos mais a achamos comum e maior é a dificuldade de nos livrarmos dela.

Neste processo a pessoa dependente deixa de ser quem realmente é para viver à mercê daquele que é amado.

Ela não é mais uma pessoa com vontades ou pensamentos próprios e sim uma extensão do outro.

Tudo gira em torno do(a) companheiro(a) e dos desejos dele(a), pois na percepção do dependente, deixar algumas coisas de lado para ver seu amado feliz e satisfeito é um preço pequeno para se pagar.

Com o passar do tempo, essa dependência vai sufocando e causando grande sofrimento psíquico. Os limites entre a dependência e a independência começam a ficar turvos.

Já notou que às vezes nós nos incomodamos porque nosso(a) parceiro(a) não sente ciúmes ou não se desespera com nossa ausência como gostaríamos?

Essa necessidade de saber que o nosso companheiro sente da mesma forma como sentimos, e pior, cobrá-lo para que sinta o mesmo torna-se cansativa e desgastante.

Temos por costume colocar demais nossas expectativas no outro como se fosse obrigação dele superá-las, mas esquecemos que não é responsabilidade do outro fazer o que desejamos, ou que esperamos que faça. É o nosso desejo conflitando com o do outro.

E por que mesmo percebendo que a dependência emocional não é algo que nos favorece, ainda nos tornamos dependentes?

Por que a dependência emocional nos afeta?

dependência emocional

Nossa sociedade e cultura nos ensina que o amor verdadeiro é aquele que tudo suporta, aquele ao qual nos leva a fazer loucuras e agir de forma irracional.

Internalizamos e confundimos o sentimento de amor com seus limites e limitantes. Inclusive já falamos sobre os tipos de amor neste texto e nos tipos de relacionamentos neste outro texto aqui.

Nós nos acostumamos a ver beleza nesse tipo de ato, acreditando que eles são o jeito certo de agir, ao invés de ver que não são ações do mais puro sentimento mas sim uma dependência.

Em sua maioria os dependentes têm medo de perder a sensação de segurança que o relacionamento traz mesmo quando o relacionamento não vai tão bem, ou quando já não existe mais respeito ou admiração.

Quem depende ainda continua ali, por achar que não sobreviveria sem o parceiro e por fim aceita situações abusivas, por “amar demais” e acreditar que não conseguiria viver sem essa relação.

Quem depende pensa que para conseguir se livrar dessa situação de dependência é necessário se desapaixonar, pois sabe que a dor de se desvencilhar desta situação é grande e acredita que deixar de amar é a única forma para colocar um fim à dependência. Mistura-se a relação de um com a relação e limites do outro.

Muitas pessoas começam a fazer terapia como se houvesse uma fórmula mágica para se livrar da dependência emocional, mas a verdade é que isso é um processo que demanda tempo, autocontrole e auto consciência do paciente.

Assim como o tratamento para dependência química, há recaídas, abstinência, redução de danos…
É necessário saber que mesmo querendo aquela “droga” ela não irá fazer bem e que você deve se manter afastado dela.

A dependência emocional pode ser confundida com prazer. Pode ser confundida com amor. Pode ser confundida com a necessidade do outro e a sua necessidade.

Segundo Walter Riso [1] o fato de você querer estar com seu companheiro(a), sentir vontade de cair em seus braços e de demonstrar afeto, não significa que você seja um dependente.

Se seu parceiro estiver disponível para isso, se torna uma troca.

O relacionamento no qual o amor verdadeiro existe, é cercado de admiração e respeito mútuo.

Afinal de contas, falamos de uma relação entre indivíduos que possuem individualidades. Falamos em relacionamento. Não em dependência ou co-dependência, não é mesmo?

Espero que tenha gostado dessa explicação, avalie o texto nas estrelinhas abaixo. Se precisar de ajuda ou se identificou, nossos psicólogos (e eu) estamos à disposição, só precisa agendar sua sessão aqui.

Se quiser saber mais sobre a dependência emocional, deixe nos comentários que produzimos mais conteúdo sobre o tema. Até breve.

[1] RISO, Walter. Amar ou depender? Página 17. 1ª Edição,2014

[2] RISO, Walter. Amores de alto risco. 1 Edição, 2014

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Sobre os Autores do Post:

Psicóloga at Psico.Online | + posts

Psicóloga CRP 06/164189 atuante em clínica na abordagem da Teoria Cognitiva Comportamental (TCC) com atendimentos individuais de adolescentes, adultos e idosos.

3 comentários em “Vamos falar sobre dependência emocional?

  1. Texto maravilhoso e necessário! Já estive no papel de dependente e sei o quão desgastante esse papel é e o quão difícil é sair dele,. É preciso mais do que a procura por ajuda profissional é preciso compreender que essa relação te afeta e acima de tudo é necessário querer sair dessa situação.

Gostaríamos de escutar o que você tem a dizer.