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Sobre segredos, vidas secretas e afins

3 min de leitura · 

Recebemos uma Caixa de Segredos nessa semana, que levei dias pensando em como colocaria uma resposta em texto.

Não porque é um assunto difícil de se falar, mas porque é um assunto com tantos tabus que daria um livro.

O segredo em questão vem de um rapaz, casado, que mantém casos extra-conjugais com outros homens e me pergunta o que deve fazer.

Minha primeira resposta é: FAÇA O QUE TE FIZER FELIZ! Mas, eu sei que precisamos entender um pouquinho o porquê dessa sua pergunta.

Vamos por partes, o primeiro tabu, a TRAIÇÃO. Eu me lembro como se fosse hoje, quando ouvi de alguém bastante conceituada pra mim: “traição é uma questão de ponto de vista, você mesmo pode estar se traindo, quando acha que na verdade está traindo alguém”.

Me fez todo o sentido, pois quando “traímos” precisamos entender qual é a crença que temos à respeito disso, como enxergo isso na minha vida e não o padrão da sociedade.

Me ajuda a pensar que traímos sentimentos e não pessoas. Então, se você é casado, mas sai com outras pessoas e se sente bem, não está traindo você, mas talvez traia os sentimentos de sua esposa/marido, que pode ter a traição como algo horrível e imperdoável. Por outro lado, se ambos encaram estar com outras pessoas, mesmo dentro do casamento, como algo natural, aceitável, não há traição.

É uma questão de princípios e cada um tem o seu, não dá pra seguir por toda uma vida os padrões que a sociedade nos impõe, sem questionar, sem saber se isso é uma verdade pra sua vida e, sim, à vezes precisaremos conversar com nossos pares, pra saber como eles encaram determinados assuntos, conceitos, princípios.

Segundo tabu, sair com pessoas do mesmo sexo. Juro que meu sonho é um dia não precisar mais chamar isso de tabu. Almejo o dia em que poderemos estar e amar quem bem entendermos, sem preconceitos e olhares maldosos de uma sociedade hipócrita.

Eu parto do pressuposto de que o amor não tem gênero, amor é amor e pronto. Você pode ser homem e amar uma mulher, pode ser homem e amar um homem, pode ser homem e amar mulher e homem, ou pode não amar, mas simplesmente sentir-se atraído, sem critérios, sabe?

O amor ou a atração são coisas tão mais simples do que pintamos. A questão é que não paramos, nunca, para rever conceitos e, seguimos a onda de moral e ética imposta há séculos.

Olhar pra alguém, querer estar com alguém, amar alguém, é leveza, é sentimento de bem-estar, de realização. Que tal refletir um pouco sobre isso? Sobre como você tem se sentido quando está com alguém, quando ama alguém?

E no seu caso, querido escritor da caixa, ainda cabe uma conversa com sua parceira, sobre o que ela pensa à respeito do amor, das relações homossexuais, das extra-conjugais. Quem sabe você não se surpreende e descobre que seus medos eram desnecessários?!

Terceiro tabu, falar sobre seus segredos, assumir quem você é.

Nesse ponto precisamos lidar com a coragem e o que tenho a te dizer sobre isso é que geralmente não é um caminho fácil, mas que vale tanto a pena, que ao passo que vai abandonando seus segredos, você se descobre uma pessoa tão melhor, tão mais bonita, tão mais feliz e segura.

Sugiro que se você tiver um segredo, desses que nunca abriu a boca pra contar pra alguém, desses que tem medo até de sonhar em falar, procure um psicólogo, psicóloga, psicanalista, terapeuta. Não precisa contar nada na primeira sessão se não quiser, vá, conheça o profissional, identifique-se com ele, crie um vínculo e quando achar que dá, bota pra fora.

Despeja ali todos os segredos que te consomem. Tudo aquilo que tem impedido você de ser e ter leveza de alma, de espírito, de consciência.

Aos poucos, o profissional vai te ajudar a entender de onde vem as suas travas, seus medos e vai, junto com você, encontrar meios para que as mudanças aconteçam e façam de você uma pessoa completa.

Pouco a pouco, um passo por vez e saberá o que e quando fazer.

E você, qual é o seu segredo, conta pra gente?

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Raquel Ferreira
CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

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