respeito ao adolescente

Respeito: comportamentos e ações no mundo da adolescência – 1 ou 2 perguntas.

Em um grupo de estudos que participei surgiu a seguinte frase sobre respeito que me impactou imensamente: 

“Como podemos esperar que os adolescentes se sintam respeitados e aprendam a transmitir respeito se antes que consigam integrar isso em ações e comportamentos, fazemos com que eles se sintam desrespeitados em sua forma de ver o mundo?”

Ao refletir sobre isso e contextualizando o papel da adolescência na sociedade, percebo o quanto estamos distantes de compreender a real importância relacional do respeito nesta fase de desenvolvimento tão singular, e o quanto que a falta do ato respeitoso impacta na integração deste conceito pelos adolescentes na vida adulta. 

Mas o que seria essa ação respeitosa?

O respeito pode estar ligado a hierarquia (superioridade e inferioridade), nos mostrando como os contatos humanos são mantidos se considerarmos as diferentes formas existentes de relações.

Pensar sobre o respeito nos leva a ampliar nossa compreensão, pois a mesma pode ser vista por diferentes pontos, estando atrelados: lealdade, obediência, autoritarismo, tolerância, cuidado, transmissão de valores,  entre outros. 

Respeito é algo que aprendemos e devemos praticar, sendo parte fundamental da convivência humana para se manter uma relação saudável. 

Quer saber mais sobre o que é respeito, falamos sobre isso neste texto

Parece óbvio, mas não é. Adolescentes são seres humanos

Parece óbvio falar isso, mas na prática este processo é difícil de ser compreendido e praticado genuinamente, considerando a visão do respeito em sua aplicação autoritária, tão utilizada pelos adultos aos adolescentes.  

Muitas vezes os “adultos” acabam desrespeitando as formas de pensar e agir dos adolescentes pelo fato de acreditarem que sua experiência de vida lhes promova este direito, atrelando ao significado do respeito apenas o processo de obediência, deixando de lado as múltiplas formas entrelaçadas ao seu significado como falamos anteriormente.

Isso ocorre por uma crença enraizada de que os adolescentes possuem pouca experiência de vida, gerando assim invalidação dos seus sentimentos, pensamentos e modos de agir. 

Atrelando ao significado do respeito apenas o ato impositivo de autoridade e hierarquia, esquecendo de utilizar as outras formas do respeito, e deste modo, deixando de praticá-lo genuinamente. 

Respeito na fase da adolescência caminha junto a punição? 

A resposta é NÃO. 

O uso de punição, com objetivo de impor ao invés de ganhar a confiança e criar vínculos respeitosos, muitas das vezes são ações utilizadas por falta de repertório de quem a impõe (quem faz isso não sabe ou não quer ter essas opções), isso afeta diretamente de forma negativa a vida dos adolescentes, fazendo com que a qualidade da comunicação seja escassa, criando barreiras relacionais. 

É importante você saber que  punição e imposição de limites não é sinônimo de respeitabilidade.

Além disso, destaco que punição a longo prazo não traz resultados e sim medo, o que caminha distante de uma relação que prevaleça o respeito mútuo e laços de confiança.

Por isso, respeitá-los é muito diferente de impor medo e buscar superioridade e vai muito além de garantir seus direitos básicos de sobrevivência. Está ligado ao cuidado e a promoção de campo/espaço para que eles vivam como realmente são, podendo fazer uso do respeito ao se expressarem diante a suas diversas novas formas de experiências no mundo. 

Conseguimos então agir diferente?

A resposta é SIM. 

Somos capazes de fazer diferente, mas precisamos nos abrir para este processo de mudança. E isso só acontecerá se falarmos abertamente sobre os impactos da falta do respeito na vida dos adolescentes, praticados geralmente por suas redes de apoio (os adultos que fazem parte de sua vida).

A mudança positiva comportamental por parte da rede de apoio do adolescente e a forma como isso é comunicado favorecem a integração do respeito como repertório de uso diário do adulto e do adolescente, ampliando assim suas potencialidades de vias expressivas, repercutindo em transformações verdadeiras que serão internalizadas e mantidas durante a adolescência e vida adulta. 

Os adolescentes buscam integrar valores que possam facilitar sua convivência social e depende do auxílio de uma figura de referência que lhe transmita estes conhecimentos, deste modo,  te convido a ampliar e explorar o uso significativo dessa respeitabilidade, para que assim, possam transmiti-los com mais propriedade, honestidade e lealdade. 

Por parte de todos os envolvidos na relação o respeito deverá favorecer campo para o diálogo aberto, sendo realizado de forma gentil e verdadeira, assim a mutualidade estará sendo praticada e integrada no decorrer de sua convivência cotidiana.

Finalizando

Espero que a partir daqui você observe suas relações com os seus adolescentes de maneira diferente e respeitosa. Que principie por um olhar e escutar atentos que considerem o ser humano que está diante de você.

Caso tenha alguma dúvida, pergunta, você pode colocar nos comentários ou agendar uma sessão comigo.

Aproveite e envie este texto para alguém. Até logo! 

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Matheus, Tiago CorbisierQuando a adolescência não depende da puberdade. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental [online]. 2008, v. 11, n. 4 [Acessado 5 Setembro 2022] , pp. 616-625. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1415-47142008000400008. Epub 12 Jan 2009. ISSN 1984-0381. https://doi.org/10.1590/S1415-47142008000400008.

Moreira, J. O., Rosário, Ângela B., & Santos, A. P. (2012). Juventude e adolescência: considerações preliminares. Psico42(4). Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/index.php/revistapsico/article/view/8943

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Psicóloga em Psico.Online

Psicóloga CRP 06/174.419 e CRP 04/IS01169, Especializanda em Psicologia Clinica Infantojuvenil e Especializanda em Psicologia Escolar. Atuo com a escuta ativa e acolhedora dentro de um espaço seguro e ético, objetivando um caminhar conjunto para propiciar transformações por meio de um olhar empático e humanizado. Possuo habilidades lúdicas e interativas com crianças, adolescentes e adultos que auxiliam na construção do processo de desenvolvimento socioemocional e na melhoria da qualidade de vida.

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