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Procrastinação é preguiça? Atividades e a relação com sua motivação.

Pela manhã, acordada deitada em sua cama, após o despertador tocar, você repassa todos os afazeres daquele dia, os momentos de concentração plena e aqueles que você sabe que precisa para descansar e abrilhantar ideias novas.

Chegando ao fim daquele dia, você repassa essas atividades e se depara com aquele pensamento: “Não fiz metade do que me propus porque estava com preguiça e, existe algo seriamente errado comigo!”

Quantas vezes associamos a não produtividade (que não é falta de atividade) à preguiça, a falta de organização, falta de dedicação e comprometimento?

Esquecemos que todas as funções mentais que empregamos em uma atividade precisa de volição, ou seja, de motivação para aquilo fazer sentido e ser efetivamente executado.

E, quando isso não ocorre, temos a famosa procrastinação, que se compõe em deixar para depois a conclusão ou até mesmo o início de tarefas diversas e não terminá-las, de adiar por dias, meses ou até mesmo anos.

Mas por que isso acontece?

Primeiro de tudo é necessário analisar: qual é a sua relação com a atividade que você precisa a todo o custo terminar?

O que ela representa?

O que ela vai lhe proporcionar?

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A sociedade tem a característica de nos colocar em situações com a justificativa de que você simplesmente precisa se livrar desta tarefa para apenas começar outra, e assim sucessivamente, não trazendo condições críticas de perceber o que produziu e se lhe agrada estar empregado nisso.

Assujeitação é algo que podemos encontrar em situações onde há procrastinação, uma forma de não estar consciente de sua atividade realizada e fazer apenas pensando no final da mesma, o que não sustenta uma motivação para ela ser cem por cento feita, reconhecida e ser transformadora de novos conhecimentos.

Podemos perceber isso durante os dias da semana, por exemplo, estar completamente afoito para chegar o fim de semana e dedicar-se em atividades onde claramente reconhece que há motivação envolvida, há afeto.

Fomos educados a aceitar incondicionalmente lugares de trabalho que nos forneçam moeda de troca para termos necessidades atendidas e privilégios alcançáveis dentro de uma cultura.

Apesar de até certo ponto haver uma compensação, percebemos que viver durante dois dias de folga e sobreviver em cinco, começa a trazer um adoecimento psicológico.

Nosso cérebro sabe a capacidade de ter motivação nas atividades que você emprega em seus dias livres e não compreende porque isso não ocorre em todos os seus dias de vida. Bingo! Temos a procrastinação.

A procrastinação traz pensamentos e reações internas, gerando baixa autoestima no trabalho, falta de segurança na entrega de projetos, medo de falhar, entre outros.

Precisamos compreender que as reações adversas que temos quando não conseguimos executar uma tarefa, não estão interligadas apenas ao nosso cérebro biológico, a constituição dele vem a partir da inserção de uma cultura, de hábitos, de instituições de educação, que o molda, e com tal ressalva percebemos que, a não realização de atividades não poderá excluir toda a influência que estes mediadores tem na vida do ser humano.

Ou seja, podemos pensar que ao identificar sinais de procrastinação em sua rotina de trabalho, estudos e atividade, necessitará mais do que a famosa força de vontade para conclusão daquilo que você se propôs.

Necessitará compreender um complexo sistema de emoções interligadas ao seu atual momento de vida, as relações sociais que você possui no local oriunda dessa atividade, no ambiente que está ao realizá-la e o mais importante, qual o sentimento e emoção que todo este contexto te traz.

Pois através desta consciência, você trará humanização para sua procrastinação, admitirá que não existe perfeição em formato de momento para terminar uma atividade, mas existem sim, formas de desenvolver-se através de um propósito autêntico originado de motivações pessoais.

Leia mais sobre atividade e procrastinação

Gouveia, Valdiney V. et al. Escala de Procrastinação Ativa: evidências de validade fatorial e consistência interna. Psico-USF [online]. 2014, v. 19, n. 2 [Acessado 1 Novembro 2021] , pp. 345-354. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-82712014019002008. Epub 11 Set 2014. ISSN 2175-3563. https://doi.org/10.1590/1413-82712014019002008.

Zanolla, Silvia Rosa da SilvaO conceito de mediação em Vigotski e Adorno. Psicologia & Sociedade [online]. 2012, v. 24, n. 1 [Acessado 1 Novembro 2021] , pp. 5-14. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-71822012000100002. Epub 24 Abr 2012. ISSN 1807-0310. https://doi.org/10.1590/S0102-71822012000100002.

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CRP 06/124413 - Graduada Universidade Presbiteriana Mackenzie. Psicóloga Clínica de abordagem sócio-histórica especialista em Neuropsicologia clínica pelo IPAF/ Instituto de Psicologia Aplicada e Formação (2016) com atendimentos individuais para crianças, adolescentes e adultos, no enfoque em avaliação neuropsicológica, habilitação/reabilitação cognitiva, psicoterapia e orientação profissional. “Viva a vida que te inspira.”

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