Opiniões, comentários ou críticas? 5 dicas para ponderar a hora de opinar.

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Vou falar de comentários, críticas e opiniões, das fake news, de posições e mais vários assuntos. Se você não quiser ler ou pensar a respeito, até por que este texto conversa com um outro post do Instagram, pula ele, pois será pró causa própria e social, além de ser um texto bem longo.

A imagem do post é esta aqui:

Opiniões em causa própria

A causa própria deste post se dá por alguns comentários que chegam nas redes sociais e que me deixam entristecido (ou bravo) devido ao baixo índice de interpretação e ao alto índice de preconceito, estereótipo, ignorância e exclusão do que não convém – ou que não são percebidos – a quem comenta.

E que fique claro: não falo de todos os comentários ou opiniões, muitos, são o nosso guia, são muito importantes e bons, inclusive queria muitos mais deles nos posts do blog, nos tuítes, nas imagens do Insta, Tumblr, Facebook, Youtube ou TikTok (aqui está o link).

Contudo os comentários e opiniões de trolls, haters e ignorantes (que ignoram), dói, incomoda e desestimula. E, toda vez penso: melhor calar do que falar. Será?

Melhor calar do que falar as nossas opiniões?

Calar, ao invés de falar nossas opiniões, não é uma visão equilibrada também. E depois de pensar um pouco, calar sempre tem um motivo: nossos comentários vão sendo devorados pelo desgaste que dá em explicar e re-explicar a mesma coisa muitas e muitas vezes onde algumas delas, o ônus é maior que o bônus, e isso, somados a um curto período de tempo tornam opiniões, comentários e críticas aversivas, cansativas de serem dadas por aqueles que conseguem explicar, por um fio…

É até por isso que falamos em técnicas de feedback e feedforward, de comunicação não violenta, de pontos de vista ou dos incômodos gerados entre visões incompletas, opositoras e às vezes, simplesmente, sem alinhamento.

Opiniões, críticas ou comentários...
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E até a esse ponto, isso exclui os comentários que são educados, críticos e que visam uma conversa produtiva e de desenvolvimento. Essas podem apontar falhas, vieses e pontos de vista não pensados até então.

Porém fazer isso dá trabalho, leva tempo, precisa alinhar visões, discursos e precedentes. Precisa considerar o limite entre o prático e o exageradamente prático. Entre os objetivos, propósitos e a sobrevivência.

Equilíbrio entre a pressão da entrega, o prático e o exageradamente prático

Não dá para equilibrar a falta de calma, excesso de pressão e a tal da “entrega” se você não pensar e ir fazendo. Para fazer rápido, testar, experimentar você tem que ter costas quentes (e ser chancelado por outras autoridades, por conteúdo, por poderes – dinheiro, política, links e tantos outros “donos”).

Não é só chegar com frases prontas e soltar um: “tá ruim, cuidado, não concordo, vcs tem que mudar”… a produção de conteúdo leva tempo, requer entender o percurso e a base que ele foi criado. Tem por matéria prima, o próprio conteúdo e por herança, o conteúdo das gerações passadas.

Pode até não ter referência e se tratar de um artigo de blog, mas é consistente? É tendencioso? É possível discordar e aprender alguma coisa? Qual o background de quem escreveu? Ser radical para quaisquer extremos não equilibra as coisas. Seja em opiniões, críticas ou comentários.

O mesmo vale para aqueles que recebem a opinião, crítica ou comentário: eles querem ler (ou você quer), ouvir, processar, pensar, escutar, separar o joio do trigo? Ouvir e escutar também requer tempo, trabalho e habilidades. É a diferença entre o ouvir e o escutar e “a coisa” em si.

Este texto mesmo, levou mais de três horas para ser feito e compõe um post do instagram, um post no blog e a consulta de uma série de referências que você pode usar, mas também tem a liberdade de ser escrito em uma propriedade que ganha força e corpo há anos. Isso deve ou não ser considerado? O que você acha?

Mas você e eu desmerecemos o post pois “não fui com cara?” ou não tem título ou ligações – referências que eu conheça? Ou porque coloca o “status” como referência. Cada cabeça com o seu guia é um processo perigoso também, assim como o processo de ser apenas guiado.

As opiniões, as críticas e os comentários no social

Já no social, é urgente que esse contexto e questionamentos se propaguem, pois o salto cognitivo (de aplicação do conhecimento) se mostra mais que urgente para sairmos desse tumulto de diz que me diz, opiniões e tantas coisas ruins que são produtos dessas uniões.

O interesse, a política, o tempo faz parte de tudo e ao ser excluído, cria distorções. Fere. Machuca. E nesse percurso, também precisamos aprender a ler, escutar e utilizar esse produto que surge após termos lido e escutado ou estudado.

Opiniões nas palavras de um crítico

Em 2015, um crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

Eu gostava das conversas de bar.

Quando estava com meus amigos e colegas nos bares – antes da pandemia, várias ideias muito boas surgiram. Só fica o alerta, e também um ponto de atenção, ao conceito de “prejudicar a coletividade” a partir dessas ideias que se propagam ou nasceram ali.

Nos dias de hoje, não podemos considerar verdadeira a “morte ao mensageiro”.

A declaração, de Umberto Eco, foi dada em uma quarta-feira, dia 10/06/15, durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa (que é quando alguma personalidade tem a honra de receber de presente uma qualificação por suas contribuições oferecidas por outras pessoas que o honram nesta área do saber – chancelando ele e seu trabalho) em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.

“Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”, disse o intelectual.

Segundo Eco, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior.

E nesse ponto, embora sejamos todos humanos, há pessoas que vão adquirindo mais experiência, mais conteúdos, estudando mais e que isso não é ligado a títulos ou saberes acadêmicos.

Quem tem autoridade? Quem conquista essa autoridade com base “crítica”? Será que é superior ou é igual? Essas perguntas precisam ser feitas. Quanto de tempo é desperdiçado para entender a tal aldeia e seu contexto, o título e o patamar?

Umberto Eco pecou ao igualar, sem considerar os tipos de inteligência, as tão conhecidas transdisciplinaridades. Ora, afinal a comunicação é comunicação e há uma teoria, mas será que precisamos estudá-la para nos comunicar bem? Não.

Contudo precisamos aprender a contextualizar, aprender a ver amplamente muitas coisas que ao olharmos tão de perto, perdemos o foco.

Então todo conteúdo e comentário precisa ser “entendido”. Não também.

E se falamos de massa, funciona igual?

O tempo como variável

Acreditar que se dará conta de responder à mesma velocidade do passado a comunicação presente e a que nos espera no futuro é um erro. Se a voz do imbecil está ecoando para uma multidão, o que devemos fazer com ela? Silenciá-la?

A mesma ferramenta pode ser usada para o bem ou para o mal, quem está a empunhá-la?

“O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

Ou as fake news, mentiras e fofocas que prejudicam a coletividade a partir de um portador da verdade, mas quem é portador dessa verdade? Você? Eu?

Estamos buscando um Salvador ou Messias (foi irresistível o trocadilho), mesmo o texto não se relacionando à política, mas aos comentários, críticas e opiniões que chegam pelas redes sociais para pessoas comuns.

Qual a realidade que você vivencia?

Será que meu texto, com tantas palavras dificílimas e tão extenso chegará àquela pessoa que mal sabe ler pois tem que sobreviver e sustentar ainda a família? Será que quem ler terá tempo de interpretar referências ou levará 10% do conteúdo?

Será que lerá e pensará: foda-se esse blá blá blá.. me explica o que preciso fazer! Seja meu Guru, Mentor, Psicólogo… que perigo!

Mas não sou seu salvador pois tenho responsabilidade, contudo, onde está a sua responsabilidade por ter se tornado autoridade? Onde está seu dever, suas obrigações e de novo, sua responsabilidade por “estar em um patamar superior”? Estamos em que patamar superior? Nenhum! Só que só atribuímos poder a um chefe, líder, moderador, salvador e se todos são, quem será o seguidor?

Quais opiniões seguir? A do imbecil ou a do intelectual?

Então devemos seguir o imbecil que tem a palavra superior ao intelectual e acadêmico?

Não dá para desassociar essas coisas como não dá para desassociar a razão de emoção do ser humano. E uma coisa raramente excluí a outra. Há intelectuais imbecís e imbecís metidos a intelectuais.

O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma “equipe de especialistas” as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é “confiável” ou não.

Isso em 2015 e lembrem-se, da lei de Moore, do efeito Dunning Kruger que fala muito sobre as opiniões, das falácias, dos vieses, dos vários nomes famosos que podem ser aplicados as mesmas brigas ideológicas entre linhas da psicologia, entre as raízes filosóficas e as transições entre o conhecimento no tempo.

Humanismo? Iluminismo? Construtivismo? Criacionismo? Negacionismo? Qual o nível da discussão? E qual o nível da dor da discussão?

E assim surgiram essas agências de checagem, que procuram fontes, que procuram referências e que vão lá, entender se tem mentiras, compreensões de sentido e significado que são empregados.

Autoridade é dada a quem?

E assim surgem e desaparecem autoridades.

E assim os algoritmos medem autoridade com bases científicas, lógicas, racionais. Afinal, ali estão as engenhosas respostas e alguém tem que pôr a mão na massa. Eles sabem ou estão certos?

Qual a sua bolha de conhecimento?

Será que existe uma pseudoconcretude ou uma concretude real? E enquanto debatemos isso na academia, nas rodas intelectuais os falsos positivos surgem. Corrompem com a urgência, com a ansiedade.

O sujeito, ao apresentar o objeto está falando do objeto ou da interpretação dele do objeto e toda a realidade é construída a partir de uma ideia falsa ou verdadeira?

Acho que a posição dessa frase é um tanto quanto prepotente, desumana, niveladora e sectarista (intolerância; comportamento de quem é intolerante, sectário; estado de quem expressa intransigência), principalmente em uma posição de psicologia onde precisamos ouvir e não descartar o contexto em modelos de comparação.

Mas um guarda, do portão do nosso domínio, tem que ser um filósofo ou obedecer ordens?

Contudo tem uma verdade nessa frase polêmica do Umberto Eco e que faz a sincronia com este acumulado de dúvidas.

Não somos só razão e lógica. Somos em essência uma composição entre sentimentos, emoções, razões, lógicas e ambiente. E há imbecis em todos os lugares, inclusive na Internet.

Ainda assim devemos permitir a expressão? Sim, claro, mas temos que filtrar.

Incorporar a autocrítica, a crítica, os deveres, o contexto social humano e empático em uma conversa de comunicação aberta, nivelando conhecimentos e entendimentos em um processo contínuo de feedback e tratamento dos ruídos.

Ninguém deve se calar, mas se todo mundo falar ao mesmo tempo, só teremos balbúrdia de ruído e vozerio, onde as vozes que deveriam ser ouvidas mudam e as coisas ditas por elas serão perdidas.

Então, criamos ferramentas para que isso não aconteça e isso gera novamente injustiças. Por isso o processo empático. Por isso a diferenciação entre crítica e opinião é importante:

Criticar sem fundamento não te dá autoridade.

E sabe o que é uma crítica? O termo “crítica” deriva do termo grego kritike, significando “a arte de discernir”, ou seja, o fato de discernir o valor das pessoas ou das coisas. Análise sistemática das condições e consequências de um conceito; significa a teoria, a disciplina ou uma aproximação e uma tentativa de compreender os limites e a validade de um conceito.

Quanto a opinião é o modo de ver, pensar, deliberar, parecer, conceito, juízo, reputação, ideia e princípio de alguma coisa ou pessoa.

Enquanto isso, só de provocação, não vou por as referências de pesquisa neste post, até porque, ele é para corroborar o seguinte: crítica sem fundamento (alicerce) é opinião. Opinião que você não ouviria, não usaria em uma camiseta em você, que desestruturam ou não se mantém com fundamentos são apenas exposição de ignorância.

E conforme a imagem de origem desse post, lá da mamaedecasa… segue a lógica (como princípio da autocrítica) para comentários e depois de um tempo, decida se é melhor falar ou calar.

5 dicas para ponderar a hora de opinar

Depois de tudo isso, vamos ao lado prático do post e às cinco dicas para ponderar na hora de opinar.

  1. Será que é preciso mesmo dizer isso?
  2. Você usaria uma camiseta com esses dizeres?
  3. Qual é a base que você está utilizando para falar isso? São sentimentos que gerarão resultados bons ou ruins?
  4. Você está ponderando suas palavras ou está sendo impulsivo ou impulsiva?
  5. Você deve, pode e também quer falar isso?

E de mais alguns:

  1. Você só quer falar ou gostaria de ouvir também a resposta?
  2. Caso você recebesse o mesmo comentário sobre você, sobre algo que você ama, como seria a sua reação?

E agora, para pensar ainda mais um pouco, há uma história que é atribuída a Sócrates sobre a fofoca que gostaria de compartilhar, mas com um pouco mais de emoção. Depois me conta o que achou:

As três peneiras

Uma pessoa procurou outra e disse que precisava contar algo sobre alguém com muita urgência.

A pessoa, sabiamente, ergueu os seus olhos e perguntou:

“O que você me contará, já passou pelas três peneiras?

Sem entender muito o que estava acontecendo, a pessoa que trazia a notícia e ia falar, perguntou:

“Três peneiras?”

Então, sorrindo a pessoa respondeu calmamente:

“Isso, mesmo. Você já passou pelas três peneiras”?

Sem entender muito, a pessoa com a notícia calou e esperou, questionando com sua cara: “que peneiras?”. Então, a pessoa continuou:

“A primeira peneira é a da VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo, antes de espalharmos um boato, uma fake news e uma história descabida”.

O rapaz nem se mexeu, então, a pessoa sabia, continuou:

“Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a da BONDADE. O que você gostaria de me contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama ou o nome do próximo?

E ainda em silêncio, ouvia:

“Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a da NECESSIDADE. Convém contar? Resolverá alguma coisa? Ajudará a comunidade? Poderá melhorar as coisas?

e então, arremata:

“Se passou pelas três peneiras, conte-me, ficarei imensamente feliz em ouvir e passar adiante! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos e colegas”.

Pela escrita e pela lembrança, acho que a partir de agora, você vai pensar um pouco mais para dar uma opinião, uma crítica ou fazer um comentário, mas se chegou até aqui, comente no post, queria muito saber o que você achou do texto.

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Sobre os Autores do Post:

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Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

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