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Categories: Morte

O luto por alguém que não morreu, será possível?

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3 min de leitura · 

Temos a mania de associar o luto a morte, como quando perdemos um pai, uma mãe, um irmão, mas será que experimentamos o luto apenas quando alguém morreu? 

Além de ter perdido alguns familiares e sofrer por essas perdas, também pude viver para experimentar o luto por amigos que mudaram de cidade, de um animal de estimação que escapou ou até mesmo uma demissão inesperada. Esses, são lutos de alguém que não morreu, mas são lutos.

Viver esse tipo de perda, pode-se tratar de um período difícil e solitário, que cada pessoa experimenta de formas e intensidade diferente.

A morte do outro configura-se como a vivência da morte em vida.

É a possibilidade de experiência da morte que não é a própria, mas é vivida como se uma parte nossa morresse, uma parte ligada ao outro através dos vínculos estabelecidos [1] que deixam de existir, que morreu.

Aí tem os casos que no qual as pessoas têm “supostos vínculos que jamais poderiam ser quebrados, e um belo dia a pessoa sai da sua vida, vai embora ou simplesmente pára de falar com você.

Você fica se perguntando “O que foi que eu fiz de errado?”. 

Bom na verdade não há uma resposta certa para isso. Mas então, como lidar com essa sensação de perda, essa dor inesperada ?

O luto nos leva a pensar e a repensar a nossa vida, a forma como vivemos, como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor.  A gente compara, tenta entender, lembra, chora, revolta-se, chora, tenta voltar ao normal, sentimos que a dor é tão grande que não vemos aquela luz no fim do túnel.

Olho à minha volta e percebo que cada um tem o seu próprio luto, de forma mais ou menos intensa.

Aprendo, assim, que não se deve julgar ou comparar a dor de ninguém. 

Dor é para ser entendida e consolada, jamais menosprezada, por tanto é importante tentar compreender a dor de uma pessoa pois ela é única.

Essa dor que tem intensidade diferente e é sentida de forma diferente, ela pode demorar para passar, mas passa. Por outro lado, muitas vezes, teremos que atravessar o luto por alguém que se foi de nossas vidas, mas continua por aí, lindo, leve e solto.

Quando nos separamos de alguém por outras causas que não a morte, também teremos um luto a ser enfrentado. 

Olharemos ao redor e a pessoa não estará mais ocupando os nossos espaços, mas ainda habitará um lugar dentro de nós. 

E sofreremos do mesmo jeito, ainda mais imaginando onde o outro está, com quem, fazendo o quê, se está mais feliz que nós, se sente a nossa falta, enfim, a separação sem a morte também traz dor e saudades e sendo assim também precisa de seu tempo de cura e cicatrização.

A vida, como se vê, nos obrigará a aprender que a gente tem que continuar, muitas vezes sem o que queríamos, de uma forma totalmente diferente daquela com que tanto sonhávamos.

Sobrevivendo com as ausências doídas, enquanto a alma vai se despedaçando. Apesar de ninguém substituir ninguém, sempre iremos ao encontro de novos amores, novas amizades, novos bichinhos de estimação, para que nosso amor não sufoque dentro do peito e encontre outra morada onde possa descansar com verdade.

 Como enfrentamos essas mudanças é que farão a diferença e é assim que o amor não morre.

Referências:

[1] KOVACS, JULIA M. Morte e Desenvolvimento Humano Cap 9 pg 153. 2002

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Guilherme Camargo Ramos

Psicólogo clínico. Atua na abordagem comportamental CRP 06/154943. Já participou de cursos, palestras e simpósios sobre a análise do comportamento e suicídio. Amante de tecnologia e cultura japonesa. Atualmente, trabalha como voluntário no (CVV) Centro de Valorização à Vida. Telefone (11) 97782-8238

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Guilherme Camargo Ramos

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