Masturbação Infantil

Masturbação Infantil: não fique na mão com o assunto.

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7 min de leitura · 

Esses dias respondi algumas perguntas sobre Masturbação Infantil para o site bebe.com.br e, como eles não utilizaram todo o conteúdo, vou colocar todas as respostas por aqui. 😉 Confira:

1) A partir de que idade a criança começa a demonstrar interesse em seus órgãos genitais e por que isso ocorre?

Próximo ao desfralde.

A faixa de idade tem uma variação entre 2 e 3 anos.

Nessa faixa etária a criança aprende a se rotular como menino ou menina, assim como identificar, o sexo de outras pessoas também. É aí que se inicia a identidade de gênero. Nessa fase a criança brinca com seus genitais, observa o prazer mas logo se entretém com outras coisas. Esse ato de mexer com seus órgãos genitais tem o nome de masturbação infantil.

A partir dos três até os cinco anos, se dá a estabilidade do gênero onde as crianças aprendem a categorizar os outros, observando características e a categorizar elas mesmas diante do contexto social. Para algumas teorias, é a partir dos 3/4 anos que a criança começa a explorar cada pedacinho do seu corpo.

É importante dizer que não se trata de desejo sexual, nem malícia, na verdade, é mesmo interesse naquela parte do seu corpo e o prazer como mexer no lóbulo da orelha ou no nariz com um paninho. Ah, também tem curiosidade na exploração e descoberta das sensações.

2) Como os pais devem reagir quando virem a criança se tocando? E o que não fazer nessa hora?

Explique, converse e não reforce o comportamento com gracejo e muito menos com bronca.

Você só deve se preocupar se for algo intenso ou muito frequente.

Converse. Aproveite os diversos casos para ir explicando aos poucos.

Esse é um ato mecânico e quase inconsciente da criança.

Da mesma forma que há pouco tempo ela colocava tudo na boca para experimentar, a criança vai se tocar, observar o outro e ser curiosa.

A melhor tática, com jogo de cintura, é deixar claro que isso pode ser feito em privado e entrar no conceito de privacidade.

É, inclusive aí nesse momento, que começa-se a explicar que se outros mexerem nessas partes pessoais ela deve contar para você.

Fale sobre consentimento. Diga que os genitais são especiais e ninguém deve tocá-los a não ser durante o banho ou limpeza.

Lembre-se: a criança está curiosa e se descobrindo, ela não quer um tratado ou uma aula.

Nomeie os órgãos genitais, ela deve saber o que é um pênis, a vulva e uma vagina.

Evite frases como: “fecha as pernas você ja esta ficando mocinha”, “larga esse piru que ele vai acabar caindo”, “isso vai dar espinhas ou vai crescer pelos nas mãos” elas ficam gravadas e podem causar problemas futuros na aceitação do próprio corpo, baixa auto estima, etc.

Da mesma forma não use situações hipotéticas ou técnicas como: “você logo fará isso quando crescer, chama-se masturbação”.

A criança não está pronta para administrar o que ela não teve necessidade.

Não castigue, não brigue, não tire a mão e nem seja agressivo.

Esse tipo de atitude gera sentimento de culpa, ansiedade e vergonha do próprio corpo.

Brincar com o corpo (a masturbação infantil menos ainda) não causa nenhum problema. Conhecer-se não faz mal, pelo contrário, é muito bom.

Explique sobre a limpeza, sobre cuidados para não se machucar. Observe se a criança está fazendo isso para chamar sua atenção, e verifique o motivo dessa necessidade e não a puna por brincar ou conhecer seu corpo.

Ninguém conhece sua criança melhor que você. Preste atenção e explique. Dá trabalho mas você estará formando um adulto que conhece seu corpo, que entende o que é bom ou ruim.

3) E se isso ocorrer em público?

Aja naturalmente. Oriente. Distraia a criança com outra coisa. Pergunte se ela já viu você fazendo isso em público.

Ela está entretida na curiosidade e em algo que lhe proporciona prazer – não é prazer sexual erótico – é uma sensação boa.

Não puna e nem brigue. Oriente-a para que isso possa ser feito em casa, em locais mais confortáveis e seguros.

Explique que é um momento de intimidade.

4) Como e quando as conversas sobre a própria sexualidade, masturbação infantil, devem ser puxadas em casa? Chamar os órgãos genitais de apelidos é ruim?

Se dependesse do grau de tabu que a sociedade considera a resposta esperada seria nunca ou próximo aos dezoito anos, mas isso não vai acontecer.

Falar sobre a sexualidade ou nomear correta ou incorretamente os genitais dizem mais sobre os pais do que sobre a criança.

Cada pai, mãe ou cuidador deve observar o momento apropriado e falar sobre aquilo que a circunstância pede sem firulas ou grandes invenções. Isso vale para nomear “as partes” (?). – Não parece a passagem do Harry Potter, “aquele que não deve ser nomeado”? – Há estudos que demonstram que as mulheres têm constrangimento em dizer vagina, vulva ou nomear a composição do seu aparelho e órgão genital: vagina, ovários, trompas de Falópio e útero (ou tubas). Monte de Vênus (monte púbico) e vulva, que engloba grandes lábios, pequenos lábios e o clitóris.

Também há outros estudos que mostram que homens mal sabem fazer a higiene do seu “dito cujo”. Pênis, escroto (saco ou bolsa escrotal) e testículos! Genitália. Órgão genital, sexual e reprodutor. Aparelho sexual e reprodutor.

Note que se os pequenos de três anos perguntam sobre seus genitais eles têm curiosidade sobre eles, assim como tem curiosidade sobre seu nariz, orelha e querem saber porque o papai é diferente da mamãe. Respondam o que sabem.

Se não sabem, pesquisem, conversem com alguém que saiba e prepare-se para responder. Por que mais cedo do que você imagina virão perguntas sobre a própria e a sexualidade do outro.

Prepare-se como você se prepara para ajudar a responder como é que se calcula a fórmula de baskara – quando for a hora. Seja próximo e também seja a pessoa que responde às dúvidas do seus pequenos. Eles começam (e vão) perguntar para você.

De forma direta, as conversas devem ser iniciadas assim que as ações e os interesses forem aparecendo como explicamos mais acima. Uma pergunta, resultará em outra. E eles devem aprender sempre e o máximo que puder, supra essa necessidade como supre a necessidade de afeto e de alimento. Chamar os órgãos sexuais por apelidos ou outros nomes lúdicos não é por si ruim, mas gera crianças de 40 anos que têm vergonha de cuidar da próstata ou crianças de 40 anos que não se permitem nomear a vagina e dizer sentem desejo, ou que tem vergonha de se tocar ou de se achar bonita.  Sua sexualidade tem nome. Tem cheiro. Tem que ter cuidado. Como o coração, como a mente. E falar disso com as crianças as transforma em adultos mais preparados. 😉

5) Reprimir a masturbação infantil pode atrapalhar o desenvolvimento da criança?

Não reprima o ato, oriente. Não há um problema com o desenvolvimento da criança, mas proibir, utilizar frases mal colocadas, mentirosas, brigar terá efeito no adulto que ela se tornará. Como já foi explicado, cada uma das atitudes gerará consequências futuras – de ansiedade a problemas sexuais e de aceitação e estima própria a longo prazo. Conhecer o próprio corpo é saudável, importante e não faz mal. Perceba o que está motivando o ato. Entenda os excessos. Converse e oriente. 🙂 As crianças buscam nos pais o conhecimento que estão adquirindo. Se tiver dúvidas, procure um psicólogo e peça as orientações, você também não deve se cobrar por saber de tudo, você teve sua formação com coisas boas e ruins e ser um bom pai ou cuidador requer preparar essa criança para o futuro e o presente dela.

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Sobre os Autores do Post:

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Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

Raul Oliveira

Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

2 thoughts to “Masturbação Infantil: não fique na mão com o assunto.”

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