Masturbação Infantil: não fique na mão com o assunto.

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Sumário

Esses dias respondi algumas perguntas sobre Masturbação Infantil para o site bebe.com.br e, como eles não utilizaram todo o conteúdo, vou colocar todas as respostas por aqui. 😉 Confira:

Próximo ao desfralde.

A faixa de idade tem uma variação entre 2 e 3 anos.

Nessa faixa etária a criança aprende a se rotular como menino ou menina, assim como identificar, o sexo de outras pessoas também. É aí que se inicia a identidade de gênero. Nessa fase a criança brinca com seus genitais, observa o prazer mas logo se entretém com outras coisas. Esse ato de mexer com seus órgãos genitais tem o nome de masturbação infantil.

A partir dos três até os cinco anos, se dá a estabilidade do gênero onde as crianças aprendem a categorizar os outros, observando características e a categorizar elas mesmas diante do contexto social. Para algumas teorias, é a partir dos 3/4 anos que a criança começa a explorar cada pedacinho do seu corpo.

É importante dizer que não se trata de desejo sexual, nem malícia, na verdade, é mesmo interesse naquela parte do seu corpo e o prazer como mexer no lóbulo da orelha ou no nariz com um paninho. Ah, também tem curiosidade na exploração e descoberta das sensações.

Explique, converse e não reforce o comportamento com gracejo e muito menos com bronca.

Você só deve se preocupar se a masturbação infantil for algo intenso ou muito frequente.

Converse. Aproveite os diversos casos para ir explicando aos poucos.

Esse é um ato mecânico e quase inconsciente da criança.

Da mesma forma que há pouco tempo ela colocava tudo na boca para experimentar, a criança vai se tocar, observar o outro e ser curiosa.

A melhor tática, com jogo de cintura, é deixar claro que isso pode ser feito em privado e entrar no conceito de privacidade.

É, inclusive aí nesse momento, que começa-se a explicar que se outros mexerem nessas partes pessoais ela deve contar para você.

Fale sobre consentimento. Diga que os genitais são especiais e ninguém deve tocá-los a não ser durante o banho ou limpeza.

Lembre-se: a criança está curiosa e se descobrindo, ela não quer um tratado ou uma aula.

Nomeie os órgãos genitais, ela deve saber o que é um pênis, a vulva e uma vagina.

Evite frases como: “fecha as pernas você ja esta ficando mocinha”, “larga esse piru que ele vai acabar caindo”, “isso vai dar espinhas ou vai crescer pelos nas mãos” elas ficam gravadas e podem causar problemas futuros na aceitação do próprio corpo, baixa auto estima, etc.

Da mesma forma não use situações hipotéticas ou técnicas como: “você logo fará isso quando crescer, chama-se masturbação”.

Não castigue, não brigue, não tire a mão e nem seja agressivo.

Esse tipo de atitude gera sentimento de culpa, ansiedade e vergonha do próprio corpo.

Brincar com o corpo (a masturbação infantil menos ainda) não causa nenhum problema. Conhecer-se não faz mal, pelo contrário, é muito bom.

Explique sobre a limpeza, sobre cuidados para não se machucar. Observe se a criança está fazendo isso para chamar sua atenção, e verifique o motivo dessa necessidade e não a puna por brincar ou conhecer seu corpo.

Ninguém conhece sua criança melhor que você. Preste atenção e explique. Dá trabalho mas você estará formando um adulto que conhece seu corpo, que entende o que é bom ou ruim.

Aja naturalmente. Oriente. Distraia a criança com outra coisa. Pergunte se ela já viu você fazendo isso em público.

Ela está entretida na curiosidade e em algo que lhe proporciona prazer – não é prazer sexual erótico – é uma sensação boa.

Não puna e nem brigue. Oriente-a para que isso possa ser feito em casa, em locais mais confortáveis e seguros.

Explique que é um momento de intimidade.

Se dependesse do grau de tabu que a sociedade considera a resposta esperada seria nunca ou próximo aos dezoito anos, mas isso não vai acontecer.

Falar sobre a sexualidade ou nomear correta ou incorretamente os genitais dizem mais sobre os pais do que sobre a criança.

Cada pai, mãe ou cuidador deve observar o momento apropriado e falar sobre aquilo que a circunstância pede sem firulas ou grandes invenções. Isso vale para nomear “as partes” (?). – Não parece a passagem do Harry Potter, “aquele que não deve ser nomeado”? – Há estudos que demonstram que as mulheres têm constrangimento em dizer vagina, vulva ou nomear a composição do seu aparelho e órgão genital: vagina, ovários, trompas de Falópio e útero (ou tubas). Monte de Vênus (monte púbico) e vulva, que engloba grandes lábios, pequenos lábios e o clitóris.

Também há outros estudos que mostram que homens mal sabem fazer a higiene do seu “dito cujo”. Pênis, escroto (saco ou bolsa escrotal) e testículos! Genitália. Órgão genital, sexual e reprodutor. Aparelho sexual e reprodutor.

Note que se os pequenos de três anos perguntam sobre seus genitais eles têm curiosidade sobre eles, assim como tem curiosidade sobre seu nariz, orelha e querem saber porque o papai é diferente da mamãe. Respondam o que sabem.

Se não sabem, pesquisem, conversem com alguém que saiba e prepare-se para responder. Por que mais cedo do que você imagina virão perguntas sobre a própria e a sexualidade do outro.

Prepare-se como você se prepara para ajudar a responder como é que se calcula a fórmula de baskara – quando for a hora. Seja próximo e também seja a pessoa que responde às dúvidas do seus pequenos. Eles começam (e vão) perguntar para você.

De forma direta, as conversas devem ser iniciadas assim que as ações e os interesses forem aparecendo como explicamos mais acima. Uma pergunta, resultará em outra. E eles devem aprender sempre e o máximo que puder, supra essa necessidade como supre a necessidade de afeto e de alimento.

Chamar os órgãos sexuais por apelidos ou outros nomes lúdicos não é por si ruim, mas gera crianças de 40 anos que têm vergonha de cuidar da próstata ou crianças de 40 anos que não se permitem nomear a vagina e dizer sentem desejo, ou que tem vergonha de se tocar ou de se achar bonita. 

Sua sexualidade tem nome. Tem cheiro. Tem que ter cuidado. Como o coração, como a mente. E falar disso com as crianças as transforma em adultos mais preparados. 😉

Não reprima o ato da masturbação infantil, oriente.

Não há um problema com o desenvolvimento da criança, mas proibir, utilizar frases mal colocadas, mentirosas, brigar terá efeito no adulto que ela se tornará.

Como já foi explicado, cada uma das atitudes gerará consequências futuras – de ansiedade a problemas sexuais e de aceitação e estima própria a longo prazo.

Conhecer o próprio corpo é saudável, importante e não faz mal.

Perceba o que está motivando o ato. Entenda os excessos. Converse e oriente. 🙂 As crianças buscam nos pais o conhecimento que estão adquirindo.

Se tiver dúvidas, procure um psicólogo e peça as orientações, você também não deve se cobrar por saber de tudo, você teve sua formação com coisas boas e ruins e ser um bom pai ou cuidador requer preparar essa criança para o futuro e o presente dela.

 

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Sobre os Autores do Post:

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Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

4 thoughts on “Masturbação Infantil: não fique na mão com o assunto.

  1. Essas pessoas que falam isso nunca passaram por algum trauma sexual e por isso não entendem. Toda criança é inocente e pode passar por uma fase de descobertas, mas isso não pode se repetir muitas vezes, mesmo que a criança não esteja em público. As pessoas acham que a maldade só está na cabeça dos adultos, mas te digo que não é verdade: crianças que se masturbam podem criar um vício (o que é prejudicial e elas podem entender melhor o que é quando crescer e querer parar, mas vai ser bem difícil) e esse hábito pode gerar mais tarde uma erotização. Vícios não são saudáveis! Falo isso porque conheço caso assim, conforme as crianças vão crescendo, elas vão começando a enxergar a maldade que os adultos enxergam, vendo de forma erótica. Isso não é coisa de criança! Nós devemos manter a inocência delas, ainda mais hoje em dia que os estímulos vêm de todos os lados. As crianças estão sendo muito expostas a conteúdos sexuais e vendo as coisas de forma maldosa. Falar pra criança que ninguém pode tocar nas partes íntimas dela é uma forma de proteger, de evitar um abuso sexual. Isso é bem diferente de deixar a criança ter um comportamento sexual que não condiz com a sua idade. Já vi criança falando de sexo como se fosse adolescente ou adulto. Isso não é normal e não se deve ignorar isso como se fosse normal. É um absurdo ver gente falando que os pais não devem associar masturbação infantil com abuso sexual! Pelo amor de Deus, existe um caso muito famoso, inclusive, de uma criança que se masturbava várias vezes e depois descobriram que ela era estuprada pelo próprio pai. Ela estava fazendo nela mesma o que o pai fazia com ela. É mais do que óbvio que se deve desconfiar de um abuso sexual ao ver uma criança se masturbando. Não se deve repreender, assustando a criança, diante dessa situação. Tem que desconfiar e conversar com a criança pra saber se houve ou não um abuso sexual, além de prestar bastante atenção no comportamento da criança. Conheço casos assim, que a criança começa a apresentar um comportamento sexual que é inadequado pra idade dela e depois descobrem que a criança foi abusada. Não quero desesperar ninguém, mas por amor às crianças, nós devemos conversar com elas que ninguém deve tocar nas suas partes íntimas, observar o comportamento e conversar com sabedoria pra saber se houve ou não um abuso sexual. Uma criança pode estar sendo violentada sexualmente agora e os pais nem sequer desconfiam por causa de pessoas que falam esses absurdos e acabam apoiando a masturbação da criança. Eu já passei por um trauma na infância e sei o que estou dizendo, além de conhecer também outros casos. E sobre a criança se masturbar pra aliviar a tensão e relaxar: isso é um sinal de que a criança não está feliz e está estressada. A criança pode estar sofrendo. Os pais devem ficar atentos e ajudar a criança a passar por essa fase estressante. Tem que conversar com ela e ver o que está fazendo mal à criança pra que isso não se torne apenas um hábito de descarregar a raiva, estresse ou tédio. Uma criança que faz isso precisa de atenção porque ela pode acabar não sendo feliz e sendo insatisfeita porque os verdadeiros problemas não são tratados e ela apenas se masturba pra descarregar ao invés de resolver o que está prejudicando ela.

    1. Olá usuário Anônimo, obrigado por comentar a publicação. Sinto muito por tudo o que passou e depois de ler e reler com atenção seu comentário, caso o seu e-mail seja válido para receber o alerta da nossa resposta, agende uma sessão, comente se quiser que foi orientada ou orientado pela nossa equipe. Há muita mistura de informação no seu comentário, uma preocupação genuína e que deve ser levada a sério, mas há uma sobreposição do seu próprio medo, de incompreensão do texto publicado, de falta de fontes e pesquisas. “Conheço casos”, “minha experiência” são armadilhas na hora de trabalhar com esse tipo de situação.
      Inclusive, recomendamos que veja outros posts onde falamos da educação sexual, de modelos de trabalhar com a violência sexual infantil e o combate a pedofilia, além é claro, de outros temas sobre sexualidade.
      Entretanto, perceba, não é o caso deste post. Ele trata de um comportamento infantil. Mesmo no exemplo que você trouxe, a perversidade, a irresponsabilidade estava no adulto. A visão, a sexualização está nesse sentido. Cabe sim aos pais e responsáveis cuidarem e observarem, mas também cabe aos pais e responsáveis propiciar um ambiente e modelos que não transforme crianças em adultos com sofrimentos causados por medo, irresponsabilidade ou desejo dos deles.
      Agradecemos muito a sua colaboração e o tempo para escrever esse comentário.

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