Livre-se dos rótulos que você usa

Livre-se dos Rótulos Que Você Usa

3 min de leitura · 

“Eu sou uma pessoa _________________________” (complete com os rótulos que te definem).

Você provavelmente já se definiu desta forma. E provavelmente já ouviu pessoas falarem de si mesmas assim também.

É comum nos definirmos com poucas palavras. Porém, nem sempre isso cria um hábito de pensamento saudável.

Quando, internamente, falamos a nós mesmos “sou assim”, “sou assado”, estamos nos limitando. Estamos ignorando outras partes nossas que poderiam ser desenvolvidas.

E também estamos nos definindo como estáticos. Sou é um termo muito usado, quando, na realidade, deveríamos usar “Estou”.

Quem nos define?

Desde crianças ouvimos de nossos pais e familiares “tem o gênio da mãe”, “vai ser bailarina”, “é desastrado”, “é teimoso”, “é difícil”, “é boazinha”, “é um príncipe”.

Esse processo de falar “a criança é” se faz importante, até certo ponto, para o desenvolvimento da personalidade.

Quando somos bebês precisamos ouvir essas definições a nosso respeito (mesmo que sejam totalmente imaginárias e fantasiosas), para assim irmos criando a noção de que somos pessoas no mundo, e algo é esperado de nós.

Contudo, em determinado momento do nosso desenvolvimento, é preciso que haja condições psicológicas para que façamos um “filtro” de todas essas “vozes”.

Começar a dizer a nós mesmos “não quero ser igual minha mãe”, “não sou tão teimoso”, etc.

Por vezes isso acontece parcialmente, ou seja, nos livramos de parte destes rótulos.

E por vezes mantemos alguns que se tornam tão internalizados que são confundidos com nosso próprio ser.

Confundindo o rótulo com sua personalidade

Digamos que uma criança ouviu durante a sua infância, que era uma “criança boazinha”. Ao longo de sua infância agiu de forma mais tranquila, tinha a capacidade de perceber o que era esperado dela e “aprontou” poucas vezes, logo, recebeu poucas broncas.

Quando recebia broncas, sentia-se com medo de perder o amor dos adultos. Logo, mantinha-se cada vez mais na linha.

O exemplo acima é bastante simplificado, mas o objetivo é mostrar que existem fatores ambientais e internos que colaboram para a internalização dos rótulos.

Crescida, esta pessoa pode ser alguém que alimenta um medo muito grande de errar, talvez um perfeccionismo exagerado.

Ou pode ser alguém que se volta a estar à disposição do outro, nunca atendendo aos seus próprios desejos por crer que seria um comportamento rebelde.

Às vezes, não é possível livrar-se do rótulo, pois, ele foi usado como “roupa protetora” para as angústias infantis.

Na vida adulta, de tanto usar esta “roupa”, confunde-a com sua pele. O problema é que, perde-se de vista que não se É de determinada maneira, mas se ESTÁ agindo de uma forma específica.

Como livrar-se dos rótulos

O primeiro passo é entender que nossa personalidade pode ser extremamente dinâmica. E que determinada característica que você tem, não te define.

Apenas este processo, que pode parecer simples, é bastante desafiador e pode exigir ajuda de um psicólogo.

Você pode aprender outras características a fim de lidar melhor com os diferentes desafios da vida.

Uma pessoa “teimosa”, que tem a seu favor a persistência de ir atrás daquilo que quer. Mas pode estar perdendo diversas oportunidades de enxergar pontos de vista diferentes, ou mesmo de se aprimorar.

Uma pessoa “boazinha” pode ser adorada pela família e amigos. Mas pode se sujeitar a relacionamentos abusivos se não aprender a colocar limites e proteger a si mesma.

Uma pessoa “trabalhadora” pode ficar à beira de um colapso psicológico caso perca seu emprego e não consiga se recolocar no mercado de trabalho como gostaria.

Enfim, livrar-se dos rótulos é se ver como uma pessoa inteira. É buscar um maior grau de liberdade para agir e ser.

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Thais Tamara

Psicóloga graduada pela Universidade Paulista, e especialista em Psicologia Hospitalar pela Faculdade de Medicina da USP.

Atuo como psicoterapeuta clínica desde 2014 em São Paulo nos bairros Vila Madalena (ZO) e Jardim São Paulo (ZN) com adultos e adolescentes, sou palestrante sobre temas de saúde mental e emocional e co-fundadora do Projeto Re-Criar, que visa a aproximação e discussão de temas psicológicos do universo feminino. Na minha prática utilizo a abordagem psicodinâmica, que aborda os conflitos inconscientes e busca, a partir do vínculo e comunicação entre paciente e terapeuta, a superação de conflitos e o amadurecimento emocional da pessoa, para que se viva da melhor maneira possível. 06/11.843-0 Contato: (11) 9.6797.3939

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