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Insônia: será o mal da humanidade?

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Há alguns anos a insônia era minha companheira fiel, noite após noite estava ela ali na minha cama, acariciando minha cabeça num ritmo frenético que eu jamais conseguiria gostar. Os meses passavam e ela não me abandonava. Exercícios de respiração, meditação, chás dos mais variados sabores, escuridão total, nada adiantava. O desespero de quando a gente não dorme é tão intenso que mais cedo ou mais tarde, acabamos cedendo aos remédios e comigo não foi diferente.

Tenta um, perde a hora, tenta outro, ganha uma dor de cabeça de brinde, o terceiro e a gente acorda como se estivesse bêbada. Ok, vamos parar um pouquinho e pensar em algum outro plano, deve existir algum método infalível que eu ainda não tive conhecimento, não é possível!

Sim, existe, existem, aliás. A questão é que o que funciona pra mim, talvez funcione pra Maria, mas não pro João e a grande sacada é que a gente precisa se ouvir, se conhecer, pra saber o que vai nos salvar.

Leia também “Um pesadelo chamado insônia”

O meu método infalível foi a terapia. Tinha tanta coisa se passando pela minha cabeça, mesmo que eu nem percebesse, que quando deitava a cabeça no travesseiro virava uma verdadeira festa, um encontro de ideias e pensamentos que falavam tão alto e não me deixavam dormir. A psicóloga me ajudou a enxergar e a ouvir essas ideias e pensamentos todos. Juntas fomos organizando a bagunça e trazendo paz pra dentro de mim. Até que uma noite… ZzzZzzZZZzzzz

Vez ou outra essa “galera do barulho” volta pra fazer uma visitinha e eu, gentil que sou, os recebo, mas vou logo avisando que não vai dar pra estender a festa por muito tempo.

Então eu respiro fundo, me concentro, ouço (e as vezes anoto) o que cada um tem pra me dizer e dou boa noite. É hora de descansar e amanhã a gente retoma os assuntos. Funciona, nem sempre com 100% de satisfação, mas pra quem passou meses a fio sem saber o que é um bom sono, perder só 2 horinhas com a a algazarra da insônia é um privilégio sem tamanho.

Eu contei tudo isso porque tenho me deparado com muita gente sofrendo desse mal. Gente que tem vida saudável, pratica yoga, come direitinho, mas não dorme e numa conversa despretensiosa com algumas dessas pessoas, pude perceber que lhes sobra saúde, mas também lhes sobram preocupações, medos, ansiedades.

E cheguei a conclusão de que a insônia é uma questão de conhecimento. Não adianta a gente tentar vencê-la, é preciso conhecê-la pra saber como lidar e então, pedir licença pra descansar 😉

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Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

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