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Filhos tóxicos e filhas tóxicas, afinal, é possível? Neste texto falaremos rapidamente sobre o assunto para você considerar suas opções, afinal se você chegou até aqui, quer dizer que o problema está rondando.

Antes de continuar é importante compreender o seguinte: nenhum texto dará conta das variáveis próprias da sua família. O que isso significa?

Significa que por mais dicas que ofereçamos no texto ou por mais características que trouxermos aqui, para você tentar identificar “essa toxicidade”, só uma entrevista pessoal, direta, que avalie as características sociais, psíquicas e biológicas poderão orientar melhor, por isso, sempre recomendamos: agende sua consulta em caso de dúvidas.

Alerta dado vamos direto ao ponto. Filhos tóxicos existe? Filhas tóxicas existem também? Sim! Qualquer relação pode se tornar tóxica e facilitar o adoecimento dos indivíduos, da relação ou do grupo. Já falamos das relações tóxicas neste texto que abordava se você era uma pessoa tóxica, por exemplo, mas tem outros tantos aqui no site mesmo, faça uma busca, só clicar aqui e deixar a página aberta em outra janela.

Além disso, se você é uma mamãe preocupada ou se você é um papai preocupado, vale a pena salientar já que os filhos tóxicos são resultados de uma criação deficiente naquilo em que foram malcriados na grande maioria das vezes, mas não é o caso de desespero, o importante é que é possível mudar já que a constatação foi feita.

Além do problema de malcriação (que estamos trabalhando no ambiente social) também há o Transtorno Desafiador Opositor que segundo Kaplan, Sadock e Grebb (2003) [1], os sintomas mais frequentes observados em crianças com TDO são: discutem com adultos; desafiam ou recusam-se ativamente a obedecer a solicitações e regras dos adultos; perturbam as pessoas deliberadamente e, frequentemente responsabilizam os outros por seu erro ou mau comportamento.

Contudo, este tipo de comportamento pode estar presente em outros tipos de transtornos tais como, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtornos cognitivos e retardo mental, entre outros: os autores ainda ressaltam: “os dois transtornos possam ser variantes evolutivas um do outro, sendo o transtorno de conduta a progressão natural do transtorno desafiador opositivo com a maturação da criança”.

E complica um pouco mais, pois, como dissemos ali em cima, pode não ser um transtorno, pode ser um problema com o ambiente familiar.

family of four walking at the street filhos tóxicos e as condutas do pais.
Photo by Emma Bauso on Pexels.com

Filhos tóxicos, dica 1: observe a conduta dos pais e filhos

É muito perigoso afirmar que filhos tóxicos existem ou classificar uma criança como fonte de toxicidade. A criança está em desenvolvimento e responde ao ambiente que está inserida.

O mesmo vale para um direcionamento (desvio) dos problemas dos pais para o tal dos “filhos tóxicos”.

A primeira coisa a ser feita, portanto, se há uma suspeita de filhos tóxicos é: se observe e também observe as variantes do contexto familiar tentando ao máximo evitar o juízo de valor ou “dar um diagnóstico”.

Também é injusto culpar um pai ou uma mãe que estão “abarrotados” de problemas, medos, dívidas, inseguranças e precisam decidir entre o pior e o muito ruim.

Por isso a primeira dica é essa: observa e conduta de cada um deles com um especialista de preferência.

Filhos tóxicos, dica 2: não é porque você não concorda que é tóxico

Não sei se contaram para você mamãe ou papai, mas você colocou um outro ser humano no mundo, e isso quer dizer que esse ser humano tem (ou está desenvolvendo) sua própria personalidade.

Podemos falar aqui, se já não falamos em outros textos, do papel de ser uma mãe, de ser um pai ou um criador/cuidador. O que quero dizer: que é importante observar se os “filhos tóxicos” não estão em uma fase de contrapor a estrutura naturalizada da família.

Se os filhos tóxicos não estão chamando a atenção para uma falta ou um excesso cometido na dinâmica familiar. Não é fácil cuidar de um outro ser humano, mas se está sob a sua responsabilidade, você precisa perceber “os sinais”.

Filho rebelde, filho manipulado por pais tóxicos, filhos tóxicos que reproduzem comportamentos do ambiente, filhos questionadores e que tiram você da sua zona de conforto, não são tóxicos.

Dica 3: filhos tóxicos e o ambiente

Depois de avaliar cuidadosamente as duas primeiras dicas, precisamos avaliar a relação, não os indivíduos, afinal seu filho ou filha, podem estar causando problemas de fato. Então vem a seguinte pergunta: quais são os problemas?

Meu filho não me obedece?

Meu filho ou minha filha estão fazendo birra?

Meus filhos têm realmente algum transtorno?

Eu li um texto sobre a Síndrome do imperador e acho que é o meu caso!

Pois bem. Essas questões não dão para responder por aqui sem conhecer você ou os seus filhos tóxicos. Partimos de uma investigação, do mais amplo e comum, para o mais unitário e individual.

Como dissemos lá no começo, a grande maioria dos casos, são problemas relacionados a criação e que alguns ajustes, difíceis para os pais, podem melhorar muito (e até solucionar) o problema.

Mas ai vem uma outra dificuldade da nossa época: a arrogância de que temos que fazer tudo sozinhos ou que damos conta de tudo.

Se você, papai e mamãe, responsáveis por uma criança, não estão dando conta dessa responsabilidade, o que farão a respeito disso? A sugestão aqui é: adaptar-se procurando ajuda.

Não entendam mal essas palavras, mas quando falamos que é necessário entender que nossos comportamentos influenciam o comportamento dos outros é disso que estamos falando.

Seu papel de mãe e de pai é o de cuidado, de formação, de proventos (responsabilidades e obrigações). Sabendo disso, a rede familiar, a rede de profissionais, etc, pode ajudar muito.

Finalizando

Afinal como identificar essa história de filhos tóxicos?

Primeiro identifique o que está acontecendo para você dar essa definição de filho tóxico ou pai tóxico. Liste, num papel, o que está incomodando.

Em seguida, observe se há algo que pode ser alterado já e que você tem condições de fazer por conta, e observe. Essas mudanças não são de um dia para o outro.

Agende uma orientação parental com um profissional, ele vai investigar com você o que está acontecendo. Nossos psicólogos e psicólogas estão à disposição.

Implemente regras, limites, mudanças tanto para você quanto para as crianças, e em seguida, avalie.

Espero que essas dicas, possam ser úteis para melhorar a convivência e a dinâmica familiar.

Não esqueça de comentar se gostou e de avaliar este texto.

Bibliografia para se aprofundar sobre o tema dos filhos tóxicos

[1] Paulo, Marta Montovanelli de; Rondina, Regina de Cássia. Os principais fatores que contribuem para o aparecimento do Transtorno Desafiador Opositor. Revista Científica Eletrônica de Psicologia, v. 1, p. 1-7, 2010. Available at: <http://hdl.handle.net/11449/115154>.

Colossi, Patrícia Manozzo and Falcke, DeniseImplications of Experiences in the Family of Origin and Infidelity in Violence Loving Relationships. Trends in Psychology [online]. 2019, v. 27, n. 2 [Accessed 12 August 2021] , pp. 339-355. Available from: <https://doi.org/10.9788/TP2019.2-04>. Epub 13 June 2019. ISSN 2358-1883. https://doi.org/10.9788/TP2019.2-04.

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