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Dói demais. É uma frase comum ouvida na clínica. Ela representa, em duas palavras, uma série de contextos, histórias, sentimentos e emoções.

Dói demais representa, para aquele que a pronuncia, uma expressão resumida de eventos catastróficos combinada com uma descarga indescritível e confusa de tudo o que está no seu interior.

Dói demais, representa para quem ouve com atenção, talvez, o momento de maior fragilidade do ser humano. E, deveria, abrir as portas para a compaixão (piedade talvez?) e cuidados.

O que é a dor? O que dói demais?

A dor, nos textos de psicologia, é um fenômeno complexo multideterminado por variáveis biológicas, psicológicas e sociais que pode ser entendida em diversos níveis da interação do sujeito com o seu ambiente.

Este fenômeno ocorre, a primeira vista, diante de uma lesão tecidual, que pode não ocasionar necessariamente a dor, como por exemplo, quando técnicas anestésicas ou comportamentais são utilizadas para amenizar o sofrimento por ela causado.

Entretanto, estudos apontam que a dor não é simplesmente uma função da quantidade de dano corporal, mas é uma experiência desagradável que afeta o indivíduo como um todo desde um mero desconforto até uma limitação total de suas atividades. [1]

A dor tem aspectos sensoriais, afetivos, autonômicos e comportamentais e, além disso, a sensação
de dor não necessariamente necessita ser baseada em qualquer experiência prévia com ela. [2]

Muitos estudiosos tratam a dor como uma simples dimensão variando apenas na magnitude sensorial. Mas,
descrevê-la somente em termos de sua intensidade é o mesmo que especificar o mundo visual apenas em
termos da intensidade luminosa, sem considerar o padrão, a cor, a textura. [2]

Há três grandes categorias nas quais podem ser agrupados os indicadores da sensação de dor: (1) indicadores obtidos através da autoavaliação (autorregistros), (2) indicadores observáveis (comportamentais) e (3) indicadores fisiológicos (alterações biológicas). Às vezes, estes indicadores são agrupados em apenas duas amplas categorias: indicadores fisiológicos e indicadores psicofísicos.

Além disso, a dor é dividida basicamente em dois tipos: aguda, que geralmente dura pouco tempo; e crônica, que, é caracterizada após seis meses de duração contínua. [3]

Dói demais, demais…

Quando resolvi escrever este texto acabara de tomar conhecimento da morte de um conhecido.

Depois de trabalhar o dia todo, de ouvir a descrição da “dor psíquica” de várias pessoas e das suas relações com ela, no instante do “estalo” para o texto, pensei na dor de pedra no rim, depois pensei na dor de perder uma pessoa querida e em seguida na dor de cada um dos meus pacientes.

Fui buscar uma imagem que representasse visualmente a dor e diante de foto de lágrimas, de proteções do abdómen e de mãos levadas à fronte da cabeça compreendi que ela também não poderia ser visualizada ou representada de uma única e global forma.

Há quem sinta prazer na dor. Há quem lide com ela de maneiras diferentes e inusitadas pois são impactados por sua carga cultural.

Há casos relatados de quem não sinta dor (minha pesquisa não foi tão longe para saber se essas pessoas também não sentiam dor ou sofrimento psíquico) e, nesse momento, outro estalo: dor, sofrimento, angustia e medo são coisas diferentes.

Nossa relação com a dor e nossas ações diante dela mudam: os nomes mudam. A dor de uma cólica, a dor de um dente, a fibromialgia, o reumatismo e dor ciática. A dor da perda, da despedida e da transformação.

Todas elas, apenas representadas no “dói demais”.

Como lidar com aquilo que dói demais?

A primeira estratégia para controlar o processo doloroso é desvendar sua causa mas, em muitos casos, porém, o incômodo não tem origem clara e a saída é tratar sintomas. Nessa empreitada, além do uso de medicação, recorrem-se a várias práticas na tentativa de reforçar o tratamento: analgésicos, psicotrópicos, bloqueios analgésicos, antineuralgico, além das medidas da medicina física, psicotrópica e psicoterapia. [3]

Nesse sentido as psicoterapias incluem estratégias comportamentais e cognitivas para lidar com a dor, como o apoio e a escuta ativa, a imagiologia orientada, técnicas de relaxamento, biofeedback, informação processual e sensorial e a musicoterapia. Estudos sugerem que estas terapêuticas não farmacológicas melhoram a intensidade da dor e reduzem o consumo de analgésicos. [4]

Leia também: Guia para o Tratamento da Dor em Contextos de poucos recursos – IASP

lonely woman crying with closed eyes dói demais
Photo by Karolina Grabowska on Pexels.com

Mas cheguei até aqui pensando em achar uma resposta para minha dor que dói demais.

O que podemos oferecer para a sua dor, depois de tudo que explicamos neste texto, é o tratamento psicoterápico. A sua dor é individual, suas respostas em relação a ela estão ligadas diretamente a seu momento, a sua formação e construção como individuo.

Não há uma ação direta e generalizada, há tratamentos para lidar com o processo, há estratégias que podem ser tomadas e prescritas individualmente, e para ajuda nesse sentido, recomendamos agendar uma sessão com nossos profissionais.


Espero que tenha gostado do texto. Deixe seu comentário e compartilhe, abaixo há uma série de artigos relacionados às várias formas e explicações da dor. Até a próxima.

Referências do texto dói demais

[1] Moraes, Antonio Bento Alves. (2010). Apresentação do dossiê: psicologia e dor. Temas em Psicologia18(2), 272-276. Recuperado em 25 de junho de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2010000200002&lng=pt&tlng=pt.

[2] da Silva, José Aparecido e Ribeiro-Filho, Nilton PintoA dor como um problema psicofísico. Revista Dor [online]. 2011, v. 12, n. 2 [Acessado 25 Junho 2021] , pp. 138-151. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1806-00132011000200011. Epub 28 Set 2011. ISSN 2317-6393. https://doi.org/10.1590/S1806-00132011000200011.

[3] Bastos, Daniela Freitas, Silva, Glauce Cerqueira Corrêa da, Bastos, Isabela Duque, Teixeira, Luciane Alves, Lustosa, Maria Alice, Borda, Maria Cristina da Silva, Couto, Sílvio César Ribeiro, & Vicente, Therezinha Alves. (2007). Dor. Revista da SBPH10(1), 85-96. Recuperado em 25 de junho de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582007000100007&lng=pt&tlng=pt.

[4] International Association for the Study of Pain (Associação Internacional para o Estudo da Dor)- IASP. Guia para o Tratamento da Dor em Contextos de Poucos Recursos. USA: IASP; 2010. 130p

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