câncer de mama e outubro rosa hands holding breast cancer pink paper ribbon

Câncer de mama e o Outubro Rosa

O Outubro Rosa é a campanha de prevenção ao Câncer de mama e começou nos EUA na década de 1990, quando o laço cor-de-rosa foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, desde então, promovida anualmente na cidade.

Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi, nos Estados Unidos, começaram efetivamente a desenvolver e fomentar ações voltadas à prevenção do câncer de mama, denominado como Outubro Rosa. 

A primeira iniciativa vista no Brasil foi em 2002, com a iluminação do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo, na cor Rosa, para destacar a ação.

Bom, mas o que de fato é o câncer de mama? 

De forma mais simples podemos dizer que seria a multiplicação desordenada das células da mama, seja por consequência genética ou por influência ambiental. Tal ação ocorre tanto no ducto (canal que leva o leite ao mamilo)  mamário  quanto dos glóbulos mamários (onde o leite é produzido). [2]

 Tipos de Câncer Mamário: 

  • Não invasivo, também chamado de câncer in situ, é aquele que está contido em algum ponto da mama, sem se espalhar para outros órgãos 
  • O invasivo acontece quando essa membrana se rompe e as células cancerosas invadem outros pontos do organismo 

Porém é bom lembrar que todo câncer in situ tem potencial para se transformar em invasivo

Segundo dados da agência nacional de saúde e demais órgãos governamentais, para cada 100 mulheres, 1 homem têm câncer de mama que é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. [3]

Infelizmente o câncer de mama responde, atualmente, por cerca de 29% dos casos novos de câncer em mulheres.

Quando falamos de tipo histológico do câncer queremos nos referir ao tipo presente no determinado diagnóstico, ou seja, é como se fosse o nome e o sobrenome do câncer.

  • Carcinoma ducta in situ 
  • Carcinoma ductal invasivo 
  • Carcinoma lobular in situ 
  • Carcinoma lobular invasivo
  • Carcinoma inflamatório
  • Doença de Paget

Entender o estado de avanço é crucial até para planejar de fato como será o tratamento. Para isso, a evolução das células cancerosas e tumores são divididas em fases que chamamos de Estadiamento do câncer de mama, que são divididas assim [1]:

Fase 0: as células cancerosas ainda estão contidas nos ductos.

Fase 1: tumor com menos de 2 cm, sem acometimento das glândulas linfáticas da axila.

Fase 2: O tumor tem entre 2 cm e 5 cm de diâmetro.

Fase 3: nódulo com mais de 5 cm que pode alcançar estruturas vizinhas, como músculo e pele, assim como as glândulas linfáticas.

Fase 4: tumores de qualquer tamanho com metástases e, geralmente, há comprometimento das glândulas linfáticas. 

No Brasil cerca de 60 a 70% dos casos são diagnosticados em estadio 3 ou 4.

Para o tipo de câncer e estadiamento ser identificado, múltiplos fatores estão envolvidos para a estruturação da doença e seu desenvolvimento. 

Podemos listar entre algumas categorias como: 

  • Fatores ambientais e comportamentais:
    • Obesidade e sobrepeso após a menopausa
    • Sedentarismo e inatividade física
    • Consumo de bebida alcoólica
    • Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X)
    • Ser fumante
  • Fatores da história reprodutiva e hormonal:
    • Primeira menstruação antes de 12 anos
    • Não ter tido filhos
    • Primeira gravidez após os 30 anos
    • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos
    • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona)
    • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos
  • Fatores genéticos e hereditários:
    • História familiar de câncer de ovário
    • Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos
    • História familiar de câncer de mama em homens
    • Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2

A busca por diagnóstico e tratamento requer muitos exames e o envolvimento de demais profissionais da área da saúde. 

Mamografia, ressonância magnética, ecografia e outros exames de imagem. 

A Biópsia – estudo de análise do tecido coletado da mama identifica se as células são tumorais ou não. Por fim estudo dos receptores hormonais para saber se aquele tumor expressa algum ou não, além de sua classificação histológica (Estrógeno; Progesterona e HER-2)

Já o tipo de tratamento é decidido pelo mastologista baseado no grau de evolução da doença: Questão Hormonal, Estadiamento e Metástase. 

Com isso as optativas por  Terapia Local (Cirurgia e Radioterapia) e Terapia Sistêmica (Quimioterapia, Hormonioterapia e Imunoterapia) são melhor avaliadas pela equipe que acompanha o/a paciente.

Quando o tumor é pequeno, normalmente preserva-se parte da mama (quadrantectomia), complementando o tratamento cirúrgico com radioterapia. 

Se já há a apresentação os linfonodos com câncer (metástase), além do tratamento cirúrgico (radioterápico), adiciona-se a quimioterapia

Bom, agora podemos finalmente nos perguntar como a psicologia age em suporte no tratamento?

A intervenção psicológica oncológica

Sentimentos e sensações de perda do controle sobre a vida, as claras mudanças na autoimagem, medo da dependência, diversos estigmas, medo do abandono, raiva, impotência, fracasso, isolamento e morte. 

Ideias que a pessoa tem ao ter o diagnóstico da doença. Afinal, quando recebemos uma notícia ruim, já tenho ideia do que pode nos ocorrer. 

Com isso tem-se que trabalhar determinados conceitos como a qualidade de vida e entendimento com elaboração em pontos específicos dentro de quadros de ansiedade, depressão e ajustamento à nova situação, por meio da promoção do bem-estar psicológico do paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde. 

Visando prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levando o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer, possibilitando assim significações desse processo consistentes e conscientes.

Dentre as muitas ações do psicólogo, podemos destacar estar presente em todas as etapas por meio do acolhimento e escuta, ou seja, ouvir a queixa da paciente – seja ela qual for. 

Desenvolver estratégias adaptativas para quem passa diretamente pelo tratamento dando todas e devidas informações sobre a doença. 

Trabalhar também a família em conjunto com uma equipe multidisciplinar. [4]

Assim sendo na área hospitalar ou clínica, presume-se resultados como melhora do estado geral de saúde, maior qualidade de vida visando melhor tolerância aos efeitos adversos da terapêutica oncológica (químio/radioterapia e cirurgia) e melhor comunicação entre paciente, família e equipe.

Dentre as muitas técnicas usadas, podemos destacar

  • Questão da Humanização
  • Técnicas de Relaxamento
  • Grupos Psicoterápicos
  • Terapias expressiva

Não podemos esquecer que até as mínimas perturbações emocionais prejudicam o bom funcionamento do sistema imunológico causando alterações bioquímicas, constituindo assim um dos fatores responsáveis pela origem e desenvolvimento das doenças. 

O Prognóstico e a reação: “Espírito de luta”!

A célula produzida pelo sistema imunológico, a célula natural killer (NK), ela é responsável pela vigilância imunológica sobre o câncer, controlando a difusão das células malignas, a paciente tenderá a ter um pior prognóstico se o baixo nível de ajustamento ao câncer, falha no apoio social, alto nível de estresse e presença de sintomas depressivos diminuem a produção e atividade da NK.

Bom, apesar de todo esse arcabouço médico não podemos esquecer que existem Direitos que devem ser lembrados pela rede de apoio: 

Lei nº 12.802:  reconstrução mamária como procedimento obrigatório no mesmo ato no qual foram retiradas as mamas

Amparo assistencial ao idoso e ao deficiente (LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social) – OBS: o critério fundamental é de que a renda familiar seja inferior a um quarto do salário mínimo

Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença: que estão inscritas no Regime Geral de Previdência Social (INSS), independentemente do pagamento de 12 contribuições, têm direito à aposentadoria por invalidez- site ou telefone 135

FGTS:  direito  de sacar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)

Isenção de impostos: têm direito a algumas isenções de impostos. Estão isentos, por exemplo, do imposto de renda relativo aos rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão, inclusive as complementações

PIS: os portadores de câncer e seus dependentes têm direito assegurado de realizar saque do PIS, na Caixa Econômica Federal (CEF) 

Transporte coletivo gratuito: o transporte coletivo gratuito está restrito a alguns municípios. Para ter mais informações, basta acessar o site do Inca (Instituto Nacional do Câncer)

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Links Úteis:

Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Instituto Brasileiro de Controle do Câncer

MAMAinfo

Sociedade Brasileira de Mastologia

FEMAMA

Referências para se aprofundar no tema Câncer de Mama

[1] Estadiamento do Câncer de Mama

[2] O que é o Câncer de Mama

[3] Incidência do Câncer de Mama no Brasil, 2022.

[4] Scannavino, Camila Saliba Soubhia et al. Psico-Oncologia: atuação do psicólogo no Hospital de Câncer de Barretos. Psicologia USP [online]. 2013, v. 24, n. 1 [Acessado 28 Outubro 2022] , pp. 35-53. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-65642013000100003>. Epub 14 Maio 2013. ISSN 1678-5177. https://doi.org/10.1590/S0103-65642013000100003.

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Psicóloga em Psico.Online

Psicóloga CRP 06/170571 pós-graduanda em abordagem psicanalítica. Adoro escrever, palestrar e me relacionar com os mais diversos assuntos da psicologia e das pessoas. Espero contar com vocês para nos conhecermos mais. Alguns temas que já trabalhei: Psicologia Aplicada a Imigração, Psicologia Investigativa, Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, Saúde Mental no Ambiente de Trabalho e Feminicídio e A Importância do Apoio Psicológico para Pessoas com Câncer de Mama. Agora, me diga você: qual paixão move sua vida?
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