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Categories: Reflexões

Calar a boca daquele que não concorda conosco

2 min de leitura · 

Calar a boca. Particularmente sempre achei o termo “Calar a boca” forte demais.

Ele me lembra aquela criança na fase da aquisição da individualidade: “a bola é minha e se não quero mais brincar pego e vou embora”.

Vivemos um momento que o egoísmo foi tão incentivado e a concorrência foi tão elevada que o senso comunitário ficou relegado ao quase esquecimento.

Melhor calar a boca! Você não sabe o que fala, eu sei (a bola é minha).

Um exponenciador desse contexto é a fragilidade da conexão que se faz no on-line. Não concordo com você, não tenho que conviver com você, te bloqueio. 

Meu anonimato ou meu distanciamento também permite que eu fale o que quiser, já que na sua frente não conseguiria ou pesaria os prós e contras (inclusive da agressão física).

Acaba-se por fugir da frustração e evita-se confrontações que o deixarão triste. É a facilidade de bloquear aqueles que não concordam conosco.

Ora, melhor calar a boca dele do que a minha, senão eu ficarei triste e assumirei que devo sair da minha zona de conforto.

Verdades costumam doer.

Projeções costumam estampar claramente o interior em uma figura focal.

Imagine então se todos calarem a boca de todos que divergem de você.

Começaria na escola: vou sair dela pois não sei onde vou usar isso.

Vamos calar a boca do professor.

Me isolar do modelo comunitário  colocando-me num modelo de iguais: todos concordarão que não preciso disso.

Todos iguais, passam a se encontrar na caverna para calar a boca daquele que diz que as sombras são o mal – troque a analogia, mas pode ser se encontrar com iguais que dirão que aquilo não serve para nada (e nenhum frequenta a escola).

Ah! Aquele que frequentou há anos teima em dizer que é necessário. Ele, fora da caverna é que é o errado, certo? Errado.

Vamos calar a boca dele.

Não sei se ficou claro que esse isolamento, essa separação cria nichos “tribos”; “comunidades”; “sociedades minoritárias” que vão levantar-se contra o outro e iniciará uma fase de todos contra todos.

Cria-se o que chamamos de difusão, a sua voz de perde, você é minoria, num grupo minoritário, gritando ao lado de outro grupo minoritário com voz de ódio pois ninguém te escuta. Ninguém cria laços.

Só quero ser ouvido.

Afinal, calar a boca foi ideia de quem?

Será mesmo que calar a boca do outro é a melhor solução?

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