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Auto-cobrança, como anda a sua?

Faz tempo que precisava escrever em resposta à uma Caixa de Segredos, mas não me sobrava tempo pra refletir direito sobre isso e eu, inclusive, comecei a me cobrar muito por não ter feito até então, esse texto.

Vamos lá, primeiro quero falar sobre a cobrança da sociedade, aquela sob a qual nascemos, crescemos e vivemos.

A sociedade ainda hoje dita muitas regras em nossas vidas, padrões pra tudo: isso é certo, aquilo não, faz assim, estuda, casa, estuda mais, viaja, tenha um carro, estuda mais um pouco, tenha filhos, fala várias línguas, seja bem sucedido…

É tanta coisa pra darmos conta, que tem hora que a gente já nem sabe mais o que tá fazendo com a própria vida ou o que quer de verdade.

Respira fundo e bem devagar, agora pensa se o que você tem feito em sua vida é realmente o que você queria.

Pode ser que a resposta não venha tão facilmente, mas não deixe de se questionar.

Agora pensemos, se o mundo nos cobra e colocamos esse peso todo nas nossas costas, tem como não gestar uma auto-cobrança?

Difícil, hein?! O que eu atendo de paciente com auto-cobrança excessiva, não tá escrito. E o pior é que percebo que muito disso tem a ver com a falta de diálogo na família.

Os pais cobram boas notas ou cobram que você faça faculdade, mas você não conseguiu dizer pra eles que não queria. Não conseguiu dizer pra eles que não gostou do curso ou que simplesmente não queria continuar, você age como se fosse um crime decepcioná-los.

E quando a gente cala, a alma sente e o corpo começa a reagir mal. Adoecemos, física e psicologicamente.

Então, aqui vai uma dica: pra que nada disso aconteça, FALE! Fale sem medo, mesmo que você acredite que todos ficarão decepcionados, mesmo que pareça que desistir é errado, porque no fundo, o peso de suportar isso tudo é só seu e é só você quem pode se livrar dele.

Ah, uma outra dica, mas essa é para os pais e mães de plantão: estejam atentos, conversem com seus filhos e filhas, perguntem sobre os estudos, o colégio, o cursinho, a faculdade, as escolhas. Não os obriguem a fazer algo de que não gostam, mas sim, os apoiem naquilo que amam. A vida poderá ser bem melhor desse jeito 😉

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Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

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  • Caramba! Acho que encontrei o combustível da minha ansiedade. Vale! Dicas de livros e vídeos seria de grande ajuda. Obrigada!

    • Olá, Alcilene! Espero que consiga "secar" esse combustível e baixar essa ansiedade ;)
      Sobre dicas, gosto muito de 2 documentários que estão disponíveis no Netflix, um deles é o Given e o outro é o Minimalism. E um livro do Augusto Cury, chamado "Ansiedade - como enfrentar o mal do século". Se precisar de algo mais, estamos por aqui. Abraço!

  • Oi, Raquel! Gostei muito da sua postagem. Tenho uma amiga de quem gosto muito, mas por quem também me sinto cobrada. Ela gosta de ser a dona de casa perfeita, mas eu não sou assim. Prefiro ser uma excelente profissional, e acho que nós mulheres nos cobramos demais para cumprir todos os papéis, dentro e fora de casa. Gostaria de dizer isso a ela, para que ela parasse de cobrar meu interesse por assuntos domésticos, mas tenho medo de ser grosseira. O que você me aconselha? Abraços

    • Olá, seria interessante entender o que te faz acreditar que ela fará essa interpretação sobre você. Já pensou sobre isso? No mais, seja sincera, amigas não são seres idênticos e nem precisam aceitar ou gostar de tudo o que a outra faz, mas respeitar, sim ;)

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Raquel Ferreira

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