Como lidar com o arrependimento

Arrependimento: vamos trabalhar isso?

4 min de leitura · 

Arrependimento, todos nós temos. E não estou falando daquela máxima que ouvimos por aí, “é melhor arrepender-se por ter feito, do que por não ter feito”… por que não é bem assim.

Quando falamos de arrependimento não estamos em um território que seja fácil. Ele envolve decisões e escolhas que envolvem consequências que devem ser ponderadas.

Quando bate o arrependimento, estamos falando daquela sensação que “puxa, deveria ter feito de outro jeito”, “puxa, não deveria ter feito isso ou aquilo” ou ainda “puxa, deveria ter tentado”.

É muito mais fácil escolher quando você sabe o que vai acontecer, ou quando se tem poucas opções mas nesses casos, o arrependimento também pode ser “consertado” rapidamente.

E, na vida, bem, nela dificilmente as coisas funcionarão dessa maneira.

Há uma frase atribuída a Nelson Mandela, que diz o seguinte: “Eu nunca perco, ou eu ganho, ou eu aprendo!”.

E no caso dos arrependimentos, deveríamos trabalhá-los como aprendizado.

Como conhecimento adquirido e tentar, mudar e utilizar esse conhecimento a nosso favor.

Será possível remediar o arrependimento?

Para entrarmos nessa pergunta, vale definir, primeiro o que é o arrependimento.

Arrependimento: Definições

De acordo com Sugden (1985, p. 77), o arrependimento pode ser definido como “a sensação dolorosa de reconhecer que ‘o que é’ se compara desfavoravelmente ao ‘o que poderia ter sido’”.

Por outro lado, quando esta comparação é favorável, o indivíduo experimentará uma sensação agradável, chamada de alegria (SUGDEN, 1985).

Em outras palavras, Kahneman e Tversky (1982, p. 170) apresentam o arrependimento como “uma forma especial de frustração em que o evento que alguém mudaria é uma ação executada ou não executada. O arrependimento é sentido se alguém pode facilmente imaginar ter tomado uma ação que teria levado a um resultado mais desejável“.

Na psicologia, Landman (1987a, p. 153) define o arrependimento como “um estado cognitivo / afetivo mais ou menos doloroso de sentir pesar por perdas, transgressões, 14 deficiências ou erros”. [1]

E quando a vida muda de direção?

Entender o que é o arrependimento, pode ajudar com aquilo que lidamos. Se estamos imaginando coisas, sobre tentativas infalíveis que nunca poderiam trazer resultados, pois não havia informação suficiente.

Peguemos um exemplo: o termino de um relacionamento. “Mas se eu tivesse feito diferente?”.

Trabalhemos esse SE, TIVESSE.. a oportunidade, você faria ou está apenas remediando através de uma fuga ou se esquivando daquilo que você realmente NÃO faria?

Hoje mesmo, quantas vezes você disse que faria algo e não fez? Até que ponto você executa ações sobre as quais pensa?

Imaginar um futuro ou passado diferente é ignorar as opções de presente.

O que você pode fazer e FARÁ hoje?

A ansiedade no arrependimento

Tem outra frase que usam por ai falando que ansiedade é excesso de futuro na nossa vida. Já parou para pensar (se você tem ansiedade com certeza), que essa imaginação pode estar descontrolada ou escondendo algo que você não tem controle?

Você precisa de controle de tudo na sua vida? Por que?

Não dá para desconsiderar que a ansiedade vem junto com o arrependimento ou com o medo dele. E, sabendo disso, como proceder? O que você faria diferente?

O papel de ansiedade no arrependimento pode ser total, pois o leque de opções que se abre, torna-se impossível de gerenciar, e então, você talvez – e digo talvez por se tratar de um hipótese – você obtenha uma resposta infalível para fugir ou isentar-se de uma responsabilidade.

E não entenda mal, não estou desconsiderando a ansiedade como doença, mas nem todos os graus de ansiedade são iguais, e nem todas elas tem o mesmo gatilho ou objetivo.

Por isso, na terapia, você trabalhar cada ser individualmente e investiga o que está acontecendo. Só mantenha ligada a opção de que, será que uma coisa é ligada a outra?

Quando o medo faz ignorar o arrependimento futuro

A dor e o medo da dor é intrínseco ao ser humano. Se sabemos que dói, e não temos prazer na dor, acabamos por adiar, fugir, esquivar, tentar escapulir a todo custo daquilo que nos causa medo: é instinto de sobrevivência.

Mas será que o custo futuro vale mais a pena do que o custo que temos na atualidade? Será que adiar uma coisa, na esperança que ela mude de lugar não é fantasiar?

Dica para trabalhar o arrependimento

Essa é uma dica suspeitíssima, pensando onde você está lendo este artigo. Mas conversar com um profissional sobre os seus medos e sobre seus receios podem ser uma boa pedida.

O arrependimento como vimos pode ser em dois contextos e está no oposto da alegria, mas será que precisa ser assim?

Durante a terapia, você e seu psico poderão levantar as hipóteses e propor ações que minimize a possibilidade de arrependimento diante de uma situação.

Você terá mais informações para tomar sua decisão. Terá debatido com alguém. E poderá seguir, por um caminho que é menos amedrontador do que um caminho desconhecido sozinha, ou sozinho.

Espero que tenha gostado.

Referência Consultada

[1] https://doi.org/10.31414/ADM.2018.D.129503

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Sobre os Autores do Post:

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Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

Raul Oliveira

Psicólogo CRP 06/154.661 - Formado Psicologia e em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital. É um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

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