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Amor em tempos líquidos?

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Amor: sentimento afetivo; afeição por; afeto. Sentimento de afeto que faz com que uma pessoa queira estar com outra, protegendo, cuidando e conservando sua companhia.

Este é o significado que o dicionário nos mostra, mas será que ele condiz com a nossa realidade?

Em tempos de aplicativos, redes sociais e excesso de trabalho, todo esse conceito parece bem distante. As pessoas não têm tempo para nada ou pelo menos dizem não ter. Acho, porém, que tudo é uma questão de prioridade e ultimamente o amor não anda no topo da lista de muita gente.

O que observo no dia a dia é que cada vez mais as pessoas têm medo de se relacionar. Afinal, relacionamento é investimento, não só financeiro, mas principalmente de tempo e de afeto.

Na teoria, quando você está em um relacionamento sério, é esperado que você se entregue, compartilhe seus medos, frustrações, inseguranças, faça planos junto da outra pessoa e possa contar com seu apoio em qualquer situação, com reciprocidade.

Parece, no entanto, que a entrega é uma tarefa gigantesca e o medo do tombo, também. Como consequência, acabamos nos fechando e achando o máximo quando algum amigo sente inveja do nosso desapego pelas pessoas, porque assim não sofreríamos por amor.

Quem dera! Estamos vivendo tempo líquidos, como diria Zygmunt Bauman. Nessa nova era o indivíduo estabelece relações frágeis, efêmeras e com baixa tolerância à frustração e ao enfrentamento de problemas.

Nas relações líquidas, o vínculo é visto como sinônimo de aprisionamento. E hoje em dia, as coisas são feitas para não durar.

Mas será que vale a pena vivermos nessa fluidez?

Estamos cada vez mais individualistas e cheios de  incertezas. As relações são vistas como mercadorias, se não te agradou ou começou a apresentar “defeito”,  apenas descartamos e procuramos por outro “produto melhor”.

E onde está o verdadeiro amor? Provavelmente por aí, sentindo-se sozinho, porque infelizmente hoje o romantismo é visto como algo careta e fora de moda. O amor foi banalizado e reduzido a múltiplas experiências passageiras e por demonstrações de afeto via redes sociais.

O sentimento de responsabilidade pelo outro perdeu seu valor e o amor acabou ganhando um novo significado na sociedade atual, com a busca imediata do prazer sem se preocupar com vínculos e sentimentos.

Cabe a cada um de nós escolher entre tornar o amor partícipe ou deixá-lo escorrer por entre os dedos.

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Natália Resende

Psicóloga, graduada pela PUC-MG. Pós graduada em Construcionismo Social: práticas psicossociais pós-modernas, pela mesma universidade. Membro do GT em Psicologia da Educação, possui cursos na área de Psicologia Social e teoria sistêmica. Atuação na área clínica com atendimentos individuais e de família. https://meupsicoonline.com.br/psicologa-nataliaresende

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Natália Resende

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