TDO Transtorno Opositor

Transtorno Desafiador Opositivo – TDO

7 min de leitura · 

Transtorno é um assunto delicado para ser tratado.

São muitas linhas e muitos caminhos que tenuemente se cruzam e se separam em um emaranhado de “ses” e também de “senão”.

Não há lei para muita coisa na Academia das Ciências do Cérebro, da Mente e das Doenças Emocionais, Sentimentais ou Ambientais (cometendo uma injuria em algumas linhas em separar tudo isso).

Mas, o TDO – Transtorno Desafiador Opositivo é um tipo de diagnóstico que vem surgindo com muita frequência assim como o TDAH que já discutimos aqui no Blog.

O TDO ou Transtorno Desafiador Opositivo é, segundo Gustavo Teixeira em O reizinho da casa da editora Best Seller, uma condição comportamental comum entre crianças de idade escolar.

É aquela criança, pré adolescente ou adolescente que tem um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes observado nas interações sociais com adultos e figuras de autoridade.

Inclusive pode acontecer também em seus relacionamentos com amigos e colegas de escola.

Essa crianças perde a paciência com facilidade, discute com os professores e colegas, se recusa a obedecer e a receber ordens, mostra-se descontrolada e enraivecida quando as coisas não acontecem do modo que deseja.

Ela não aceita as regras escolares, fazendo com que uma simples atividade a deixe chateada.

E após apresentarem essa “birra”, uma agressão, um comportamento inadequado, ela culpa o outro por esse seu comportamento disfuncional.

As relações afetivas da criança tendem a ser comprometidas, pois os colegas ao verem esse comportamento desajustado, passam a excluí-la do grupo e das brincadeiras, ignorando-a.

Essa criança então, não consegue criar laços duradouros e passa a viver isolada do restante do grupo.

No transtorno desafiador opositivo, a criança não chega a cometer atos prejudiciais à população que está ao seu redor, como no caso do transtorno de conduta onde o indivíduo pode realizar atos de vandalismo, violência contra pessoas e animais, roubos, uso abusivo de drogas, depredação do patrimônio público, entre outros comportamentos irregulares.

Contudo o TDO pode evoluir para o TC (transtorno de conduta) se não for dado o tratamento necessário à criança na sua fase precoce.

A união entre família, escola e psicólogo é de extrema importância para detectar e tratar esse transtorno.

Quanto mais cedo for diagnosticado, mais fácil e rápido será o seu tratamento.

(Pausa Dramática).

Que fique claro que essas são definições dadas por autores e que estão disponíveis online podendo ser encontradas em livros e são, bastante divulgadas por aí, mas tem um pouco mais e agora é importante se ater aos negritos:

O que diz o Manual sobre o TDO

Segundo o Manual Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatry Association) para se considerar o transtorno desafiador opositivo são necessários:

A) Um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiador que dure pelo menos 6 meses, durante os quais 4 (ou mais) das seguintes características estão presentes:

  1. Frequentemente perde a paciência;
  2. Frequentemente discute com adultos;
  3. Com frequência desafia ou se recusa ativamente a obedecer a solicitações ou regras dos adultos;
  4. Frequentemente perturba as pessoas de forma deliberada;
  5. Frequentemente responsabiliza os outros por seus erros ou mau comportamento;
  6. Mostra-se frequentemente suscetível ou é aborrecido com facilidade pelos outros;
  7. Está frequentemente enraivecido e ressentido;
  8. Está frequentemente rancoroso ou vingativo.

Obs.: Considerar o critério satisfeito apenas se o comportamento ocorre com maior frequência do que se observa tipicamente em indivíduos de idade e nível de desenvolvimento comparáveis.

(Pausa e Questionamento para você ir pensando: qual é o comportamento típico e comparável de um indivíduo diferente por criação, costumes, circulo de amigos e círculo cultural. Em estatística é necessária uma amostra integral para conseguir se delimitar um padrão confiável. Voltando)

B) A perturbação do comportamento causa prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.

Isso quer dizer que: não é por que uma criança está sem limites (que deve ser acompanhado pelos pais) que ele tem o TDO. Toda criança e adolescente colocaram a partir de uma certa idade a conduta dos seus heróis (pais) em check.

C) Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno psicótico ou transtorno do humor.

D) Não são satisfeitos os critérios para transtorno da conduta e, se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos os critérios para transtorno da personalidade antissocial.

O entendimento das causas do TDO, causas estas multifatoriais que estão relacionadas com questões biológicas, sociais e psicológicas, é importantíssimo para a aplicação de intervenções e tratamento.

Nos ateremos aos fatores psicológicos.

O surgimento do transtorno desafiador opositivo está diretamente relacionado com o aprendizado social.

Crianças que convivem com pais agressivos, que estão a todo tempo brigando e se desentendendo acabam aprendendo e reproduzindo o comportamento inadequado destes. O mesmo ocorre quando querem atenção, quando não tem limites estabelecidos e uma outra quantidade absurda de itens que faz com que a participação dos pais e da família sejam integrais ao desenvolvimento desse(a) “pequerrucho(a)”

A crianças tomam esse comportamento como normal (por pior ou melhor que sejam), pois estão acostumadas a viver em ambiente assim e levam para o ambiente escolar.

Do mesmo modo, lares onde as regras e os limites não são colocados claramente, resultando assim crianças que não respeitam a autoridade dos pais, acabam reforçando o comportamento irregular.

Entretanto, é preciso salientar que a criança agressiva, não é o tempo todo assim. Ela possui seus momentos de carinho e afeto e isso desperta a necessidade crescente do cuidador de trazê-la para perto de si.

Segundo Souza e Castro (2008, p. 841): Pode-se pensar que as manifestações agressivas das crianças despertam não apenas sentimentos dolorosos ou destrutivos, mas também preocupações, o que reflete uma atitude ambivalente.

Muitas vezes, por encontrar-se despreparados para lidar com a criança desafiadora e agressiva, os cuidadores acabam utilizando métodos de punição, numa tentativa de frear o comportamento inadequado. Royer[4] (2003, p.60) citado por Souza e Castro (2003, p.840) “revela que os docentes mostram-se inábeis perante a emergência de comportamentos problemáticos, recorrendo costumeiramente a uma atitude punitiva, parecendo não saber como intervir de forma adequada”.

O que fazer?

Skinner, um teórico da psicologia, ao escrever sobre as técnicas comportamentais considerava possível a modificação de um comportamento inadequado.

Em suas pesquisas ele enfatizava que o ser humano ao ser punido era capaz de aprender a evitar certos comportamentos. Porém, ele acreditava que os reforçadores positivos, isto é, as pessoas que aprendiam através de recompensas e premiações por um bom comportamento, eram muito mais eficazes do que a punição por um mau comportamento.

Ao deixar de lado o modelo hierarquizado onde a criança era um ser totalmente passivo, e construir uma relação mais aberta entre pais e filhos, a família moderna tomou como base o princípio de relacionamentos que defendem o não autoritarismo. Porém, muitos pais têm exagerado no excesso de liberdade concedida aos seus filhos, gerando crianças cheias de mimos e vontades.

Yves de La Taille (1998, p.38) escreve: O perigo do excesso de mimo também está em passar à criança a ideia de que, a despeito do que realmente realiza, ela merece ser o centro das atenções, ela é ótima, merecedora de elogios, enfim, excelente. Tal contribuição incondicional de valor faz com que a criança construa uma auto-estima [sic] totalmente artificial e, ao entrar em contato com pessoas estranhas a seu círculo familiar, em geral pouco inclinadas a elogios gratuitos, venha a sofrer um choque.

O excesso de tolerância concedido aos filhos, longe de formar crianças críticas, e ajudá-las a superar o egocentrismo, cria pequenos tiranos insaciáveis de seu próprio querer, invertendo os papeis de autoridade das famílias.

Sendo assim, os pais ficam a mercê das vontades dos filhos, que se descontrolam criando mal-estar nos lugares quando suas exigências não são prontamente atendidas.

A criança por estar acostumada a ser o reizinho do lar, ao chegar à sala de aula e se deparar com regras que não existem em sua rotina, descontrola-se, se tornando extremamente agressiva, pois não consegue lidar com a frustração de não ter conseguido realizar seus desejos.

Referencias:

https://www.nucleodoconhecimento.com.br/wp-content/uploads/artigo-cientifico/pdf/transtorno-desafiador-opositivo.pdf

TEIXEIRA, Gustavo – O reizinho da casa. Rio de Janeiro: Best Seller, 2014.

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