Sonhar - Uma visão da Psicologia Analítica

Sonhar – Uma visão da Psicologia Analítica

5 min de leitura · 

O que é sonhar? Possui alguma função? Possui alguma razão?

Recebemos na caixa de segredos um pedido para abordar este tema aqui no blog, por isso elucidarei essas questões, que são algumas das mais comuns sobre a relevância dos sonhos.

As respostas serão dadas sob a visão da Psicologia Analítica, que trabalha com análise dos sonhos para o autoconhecimento e em diversos tratamentos psicoterapêuticos.

O que são os sonhos?

Os sonhos fazem parte da estrutura psíquica do ser humano. Segundo Carl Gustav Jung, psicólogo suíço e fundador da Psicologia Analítica, eles são mensagens vivas de nossas experiências interiores.

Ou seja, dos processos que acontecem no interior da nossa mente. Esses processos mentais direcionam nosso comportamento, portanto, é de suma importância conhecê-los.

Nossos comportamentos são frutos da expressão desses processos mentais e revelam a forma como vemos o mundo e o porquê fazemos algumas escolhas ao invés de outras. Tal como o comportamento humano, os sonhos também são expressões dos processos mentais, porém o são de forma mais pura.

Enquanto o comportamento é uma expressão mais trabalhada, os sonhos expressam conteúdos menos trabalhados, são pedras brutas. Revelam a essência e a qualidade de nossas atitudes em relação às demandas da vida.

Como fonte rica de autoconhecimento, os sonhos expressam os motivos que guiam nossas escolhas e também nos sinalizam a necessidade de mudança de atitude da nossa consciência.

A consciência é a parte de nossa mente que contém informações das quais já conhecemos e que já estão estruturadas, tais como as formas de relacionamento com as pessoas; consigo mesmo; com o mundo; com as experiências da vida.

Uma mudança de atitude da nossa consciência é a desconstrução das formas de se relacionar com o mundo que perderam sua função e precisam ser atualizadas. Como por exemplo comportamentos que não geram mais os mesmos resultados, ou produzem consequências que não nos levam aos nossos objetivos e podem ser prejudiciais para nós e para o outro.

Quando não são reestruturadas essas atitudes nos levam a um estado de estagnação mental. Nele onde paramos em um processo mental que não finaliza porque a vida mudou e nós não mudamos junto com ela.

Por isso é importante conhecer os motivos por trás de nossas ações e o sonho é uma das portas de entrada que leva ao autoconhecimento.

Do que são feitos os sonhos ?

Segundo a Psicologia Analítica os sonhos são constituídos de material simbólico. Ou seja, se comunicam através de imagens que possuem algum significado para quem sonha.

Para Jung os sonhos têm uma finalidade, uma função. Quando dormimos o corpo descansa e o cérebro continua em atividade, nossa mente inconsciente produz imagens auto-representativas que contam sobre a vida interior.

Essas imagens são oriundas do aspecto inconsciente de nossa mente. Um lugar mental o qual não temos contato direto. Acessamos suas informações através da imaginação, da fantasia, dos significados e dos sonhos. Portanto seu conteúdo não pode ser compreendido literalmente, mas através dos significados que representam para cada um.

Por isso é importante o exercício do autoconhecimento e o registro destes sonhos para sua possível análise.

Diário dos Sonhos: Restabelecendo a conexão

Um dos caminhos para se conectar com os nossos processos mentais é através do estudo dos sonhos.

Um exercício para a reconexão com os significados, crenças ou valores revelados pelos sonhos é a prática de seu registro.

Para isso, escolha um caderno que fique posicionado estrategicamente ao lado da cama para facilitar o acesso, uma vez que há a possibilidade de esquecimento do sonho.

Ao acordar, registre os sonhos dos quais lembrar e busque refletir quais sensações, pensamentos e sentimentos ele te despertou. Tente associá-los às situações que para você tem significados semelhantes.

É importante lembrar que esse é um exercício que você pode fazer sozinho, mas para que seja eficaz é fundamental que exercite todos os dias o hábito do autoconhecimento. Observe e analise os motivos que conduzem nossas condutas e comportamentos nas diversas situações da vida.

Mas esta jornada não é tão simples e muitas vezes é preciso empreendê-la com o direcionamento de um profissional.

Por quê esquecemos o que sonhamos?

Tudo o que chega ao nosso conhecimento é acessado através da nossa mente consciente, conteúdos que lembramos e gravamos em nossa memória racional. Porém, há conteúdos que passam despercebidos pela consciência e são guardados em nossa mente inconsciente, ou seja, permanecem desconhecidos.

Para que esses conteúdos cheguem a nossa consciência, se faz necessário que seja muito significativo ou tenha uma grande importância para nós sabermos dele em determinado momento. Caso contrário não permanecem em nosso campo de conhecimento.

Assim acontece com os sonhos. Só passam pelo nosso conhecimento aqueles que possuem um forte significado para nós. Portanto, os sonhos que não recordamos não tem tanta força para permanecer na memória. Eles recuam à inconsciência e são esquecidos.

Os sonhos dos quais lembramos quando acordamos são especificamente alimentados por uma veia de significados mais fortalecida, por isso conseguem espaço em nossa consciência.

Eles tocam a nossa razão com conteúdos que nem sempre fazem sentido e muitas vezes parecem desconexos. Isso porque os olhamos com nossa capacidade linguística literal, a qual não pertence a natureza dos sonhos.

Estabelecer a conexão com nossa linguagem simbólica é fundamental para compreender as mensagens trazidas pelos sonhos.

E para isso não há respostas prontas. Não há manual dos sonhos definitivo. Somos únicos!

Nossa história é escrita enquanto vivemos. Por isso, estude a si mesmo e busque a prática do autoconhecimento diariamente!

Referências

Jung e a Interpretação dos Sonhos – Manual de Teoria e Prática de James A. Hall – 1997

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Amanda Reggiani Annibale
Psicóloga Amanda Reggiani Annibale CRP 06/121.763 - Psico.Online - Um psicólogo para chamar de seu.
Psicóloga CRP 06/121763 - Graduada pela Universidade Paulista - UNIP e Especializada em Mitologia Criativa, Contos de Fadas e Psicologia Analítica.

Guiada pela compreensão técnica da natureza psíquica humana, trabalha como facilitadora dos processos de desenvolvimento humano, promovendo condições favoráveis ao autoconhecimento e reeducação psíquica inerente aos valores e vivências individuais de quem procura uma experiência de vida nutrida de significado, realização pessoal e profissional. Realiza atendimento online e presencial à adolescentes e adultos.
Telefone/WhatsApp: (11) 98710-0380
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Amanda Reggiani Annibale

Psicóloga CRP 06/121763 - Graduada pela Universidade Paulista - UNIP e Especializada em Mitologia Criativa, Contos de Fadas e Psicologia Analítica. Guiada pela compreensão técnica da natureza psíquica humana, trabalha como facilitadora dos processos de desenvolvimento humano, promovendo condições favoráveis ao autoconhecimento e reeducação psíquica inerente aos valores e vivências individuais de quem procura uma experiência de vida nutrida de significado, realização pessoal e profissional. Realiza atendimento online e presencial à adolescentes e adultos. Telefone/WhatsApp: (11) 98710-0380 Fale com esta Psico.Online https://meupsicoonline.com.br/psicologa-amanda-annibale

2 thoughts to “Sonhar – Uma visão da Psicologia Analítica”

    1. Olá Lauro,

      Moderamos o seu comentário pelo uso incorreto de terminologias que se referem a determinado tipo de individuo de modo pejorativo. Também respeitamos o direito a opinar, mas não permitimos ataques diretos a pessoas de qualquer natureza, seja por discurso velado ou explicito.
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