Setembro Amarelo e Suicídio: Falar é a melhor solução

7 min de leitura · 

O amarelo do Setembro Amarelo, campanha encabeçada pelo CVV serve como um Alerta.

É um pedido de atenção para a prevenção do suicídio.

Serve principalmente para dizer que é possível prevenir: percebendo a dor do outro, nos ouvindo mais e ouvindo aos outros, dando espaço para falar abertamente sobre a prevenção e as consequências do suicídio, ou você acredita que é um problema só do outro?

Já tratamos do assunto aqui no Psico.Online algumas vezes, inclusive falando de Suicídio Infantil e na Adolescência e postando um documentário sobre o tabú que é falar de suicídio e hoje, além do post da campanha, trazemos o link novo da cartilha: Suicídio – informando para previnir do Conselho Federal de Medicina.

Clique e fale com um Psicóloga Online agoraTratar do assunto é lutar pelo bem mais precioso que temos: a vida.

Por mais que em alguns momentos ela se torne bastante complicada ela é a única parte da nossa existência que temos certeza absoluta que faremos parte; que seremos e para isso, devemos nos integrar, nos entregar, vivê-la com seus conflitos e suas restrições.

Inclusive como é a chamada dessa campanha: falar é a melhor solução e nós, psicólogos e psicólogas, estudantes de psicologia, profissionais da saúde mental temos a obrigação de ouvir com atenção, perceber, receber de braços abertos e acolher seres humanos que pensam em dar fim a sua própria existência pelos mais diversos motivos.

O suicídio

Comportamento suicida ao longo da vida
Comportamento suicida ao longo da vida

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios no mundo. É uma informação alarmante e que, para pessoas que não tem contato é brutal, pois ajuda a perceber que “não é frescura”.

Em 2012 foram registradas 11.821 mortes, cerca de 30 por dia, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Para efeito comparativo: na Síria, morreram 191 mil pessoas desde o início da guerra, em 2011, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em uma conta rápida são 6 anos de guerra, ou seja 365 dias vezes 6 que é igual a 2190 dias de guerra ou 87 mortes por dia, aqui, no Brasil, em 2011 se suicidaram 30 pessoas por dia, perto de 34% de mortes em uma guerra. É muito! Nos dois lugares, são muitas vidas, muitas famílias.

E ainda há um porém, entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo observado um aumento de mais de 30% em jovens.

Além disso, os números brasileiros devem, entretanto, ser analisados com cautela. Em primeiro lugar porque pode haver uma subnotificação do número de suicídios, em segundo lugar porque há uma grande variabilidade regional nas taxas.

Consegue imaginar? Como é necessário mostrar que é possível sim ter uma vida nas suas mãos sem que ao menos você tenha percebido e podido fazer algo por ela?

Mas o que podemos fazer?

Na campanha do setembro Amarelo, muitas instituições dão palestras e trabalham o tema. Inscreva-se, participe, entenda e fique atento a sinais de pessoas próximas a você.

Informe-se

Não é a toa que existe a frase: conhecimento é poder – ter conhecimento de como agir, perceber verdades e mitos, divulgar e ensinar pessoas pode fazer a diferença na vida de alguém.

Mitos sobre o suicídio


Mitos Verdades

O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio. FALSO. Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.

Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida. FALSO. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.

As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção. FALSO. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.

Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou. FALSO. Se alguém que pensava em suicidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se “melhor” ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.

Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.

Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco. FALSO. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

É proibido que a mídia aborde o tema suicídio. FALSO. A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc.

Principais fatores de risco associados ao comportamento suicida


Doenças mentais Aspectos sociais


  • Depressão;

  • Transtorno bipolar;

  • Transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias;

  • Transtornos de personalidade;

  • Esquizofrenia;

  • Aumento do risco com associação de doenças mentais: paciente bipolar que também seja dependente de álcool terá risco maior do que se ele não tiver essa dependência.

  • Gênero masculino;

  • Idade entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos;

  • Sem filhos;

  • Moradores de áreas urbanas;

  • Desempregados ou aposentados;

  • Isolamento social;

  • Solteiros, separados ou viúvos;

  • Populações especiais: indígenas, adolescentes e moradores de rua.



Aspectos psicológicos Condição de saúde limitante


  • Perdas recentes;

  • Pouca resiliência;

  • Personalidade impulsiva, agressiva ou de humor instável;

  • Ter sofrido abuso físico ou sexual na infância;

  • Desesperança, desespero e desamparo.

  • Doenças orgânicas incapacitantes;

  • Dor crônica;

  • Doenças neurológicas (epilepsia, Parkinson, Hungtinton);

  • Trauma medular;

  • Tumores malignos;

  • AIDS.


Suicidabilidade: Ter tentado suicídio, ter familiares que tentaram ou se suicidaram, ter ideias e/ou planos de suicídio.


Os fatores protetores são menos estudados e geralmente são dados não muito consistentes, incluindo: autoestima elevada; bom suporte familiar; laços sociais bem estabelecidos com família e amigos; religiosidade independente da afiliação religiosa e razão para viver; ausência de doença mental; estar empregado; ter crianças em casa; senso de responsabilidade com a família; gravidez desejada e planejada; capacidade de adaptação positiva; capacidade de resolução de problemas e relação terapêutica positiva, além de acesso a serviços e cuidados de saúde mental. Durante uma avaliação do risco de suicídio em um indivíduo, os fatores de proteção não devem ser usados para obscurecer aqueles fatores que identificam o risco de suicídio.

Fonte(s):

  • Suicídio: informando para prevenir*. Associação Brasileira de Psiquiatria, Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. Brasília: CFM/ABP, 2014.

Busque ajuda para suicídio se suspeitar de alguma coisa:

Por telefone: 188 (as ligações são gratuitas, inclusive por celular)
Por chat ou chamada de voz online: acesse cvv.org.br

Saiba Mais sobre o Setembro Amarelo

Quer saber mais? Confira a página da campanha

Confira o que a mídia tem falado da campanha:

 

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One thought to “Setembro Amarelo e Suicídio: Falar é a melhor solução”

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