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Relacionamento abusivo e o medo constante

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Relacionamento abusivo: gostaria de falar um pouco sobre relacionamentos abusivos porque cada vez mais, as mulheres estão se perguntando se estão em um ou se sua amiga está…

Quem viveu em um relacionamento abusivo e vê outra mulher (geralmente) em um, aflige-se para tirá-la de lá o mais rápido possível, inclusive.

Isso é legítimo, compreensível e angustiante ao mesmo tempo.

E quem nunca viveu em um relacionamento desses, não entende como alguém pode “admitir” estar e continuar em um.  

Ouve-se falas como:

“não sai porque não quer” ou “eu jamais passaria por isso”; etc. e tal…

Sobre essas pessoas e, sobre essas falas, eu não vou comentar aqui, daria um novo texto e não é nosso foco.

Quero falar de quem e para quem já passou por isso. Para quem ainda está dentro de um relacionamento abusivo e precisa de ajuda (notando ou não) essa necessidade.

A pessoa que está dentro, sente-se fragilizada, culpada, errada, burra, com medo, amarrada, paralisada, e não enxerga as saídas.

E, quando enxerga, não acredita que será capaz de sair.

Quem já saiu, olha para trás, e vê que poderia ter saído antes, porque o seu olhar é de quem está fora, e não mais de quem está dentro.

E aí, tudo faz mais sentido. Tudo fica mais “fácil”.

Precisamos entender que quem está dentro não enxerga com essa clareza.

E, quando enxerga, não acredita ser capaz de sair. Tem medo.

Medo de tentar e não conseguir.

Medo do desconhecido.

Medo de ser forte.

Medo de ser fraca.

Medo das consequências.

Medo do julgamento, da solidão… Medo. Medo. Medo.

Sempre ele, o medo.

O medo é uma constante na vida dessa pessoa.

É o medo dirigindo a sua vida.

Como então, uma pessoa que vive aterrorizada, seja pelo abusador e/ou pelas suas demandas internas, consegue sair de um relacionamento abusivo?

É justo forçarmos a barra para que essa pessoa saia disso, sem entendermos os medos dela?

Sem a prepararmos  internamente, para que ela se sinta minimamente capaz de sair?

Existem, claro, situações limites, de risco de vida, de agressões brutais, nas quais precisamos, sim, intervir e até tomar atitudes para (e pela) pessoa.

Mas na maioria dos casos ou em momentos anteriores a esses, não podemos arrancá-la de lá. Não podemos tirar todas as suas defesas internas e soltá-las no mundo.

Para uma vítima de abuso (seja ele de qual tipo for), o abusador e a situação de abuso, na grande maioria das vezes, se dá nas relações  de afeto e confiança da vítima.

Por mais que a vítima perceba, ou nós do lado de fora percebemos o que rola ali dentro, o medo do desconhecido é maior do que o medo do abusador.

Esse ela conhece. Esse ela ama. Nesse ela confia, mesmo sendo agredida, abusada e maltratada.  

Não é simples, como parece!

Não basta pegar a bolsa, e muitas vezes os filhos, e sair pela porta.

Não é. Não é simples!

A pessoa em situação de abuso acaba acreditando que a vida é assim mesmo, que não adianta sair daquilo.

Ela acaba banalizando a violência que sofre, por acreditar não ter condições de sair daquilo.

Mas no fundo, bem no fundo da sua alma destruída, ela sabe que aquilo não é normal.

E por saber disso, sente-se inferiorizada, envergonhada e culpada, por estar naquela situação.

Ela se afasta das pessoas que enxergam e apontam o que ela está vivendo.

Ela se afasta das pessoas, para se defender.

Ela se afasta dela mesma, para aguentar viver naquilo.

Esse é um fenômeno chamado ‘dissociação psicológica’.

É uma defesa, mas também é um perigo.

Em um primeiro momento, ao mesmo tempo que protege, mantém a vítima naquele lugar.

E ela precisa sair! Quebrar o círculo.

Como podemos ajudar?

Ouvindo. Acolhendo. Não julgando. Não forçando uma saída rápida – quando ainda não se corre risco de vida, é claro!

Estando presente na vida dessa pessoa, desse casal ou dessa família.

Apresentando outras mulheres e pessoas que conseguiram sair desse ciclo.

Mostrando saídas legais (juridicamente falando), apresentando soluções práticas.

Ajudando financeiramente, se for preciso e possível.

Ajudar a desconstruir uma a uma, as dificuldades (que são muitas e reais). Mostrando que existem outras maneiras de se viver: maneiras mais felizes, respeitosas e boas!

Precisamos respeitar o tempo dela.

O tempo para enxergar onde está.

O tempo para se fortalecer.

E o tempo que ela vai dar o primeiro passo para sair de onde está.

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Simone Cortez
Psicóloga
Nasci e moro em São Paulo, sou Psicóloga formada pela Universidade Paulista no ano de 2000. Consultora Materno-familiar, Escritora, Educadora Perinatal, Doula, Mãe do Alexandre e Sonhadora em tempo integral! Hoje em dia me divido entre a maternidade e a profissão.
Whatsapp: 11 97574-9954
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Nasci e moro em São Paulo, sou Psicóloga formada pela Universidade Paulista no ano de 2000. Consultora Materno-familiar, Escritora, Educadora Perinatal, Doula, Mãe do Alexandre e Sonhadora em tempo integral! Hoje em dia me divido entre a maternidade e a profissão. Whatsapp: 11 97574-9954

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