Quando sonhar é o que nos resta

4 min de leitura · 

Sonhar é expressar aquilo que desejamos.

Freud tem um livro que fala sobre os Sonhos, e nele, nas primeiras páginas há uma tentativa de definir todo o conceito onírico (aquilo que se refere a sonhos ou com eles se parece) do sonhar e sua atividade cerebral, mental, consciente e inconsciente.

Daria um livro só para conseguir falar sobre o assunto, portanto, conversem com o seu psicólogo ou psicanalista sobre sonhos e Freud se quiserem… *Rs esse texto já tem muita palavra complicada para chegar ao ponto que queremos.. 😉

Mas vale lembrar que sonhar com algo, não é necessariamente fazê-lo dormindo. É uma jeito que expressamos quando queremos muito alguma coisa: sonhamos com uma viagem a Disney e com outros desejos.

Há também um termo, chamado de AutoProfecia ou profecia auto-realizadora: que é, no início, uma definição falsa de uma situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira. [1].

O autor que inventou esse termo, era um sociólogo que exemplificou isso da seguinte forma: quando um boato que um banco vai quebrar se espalha, os correntistas retiram seu dinheiro do banco e ele definitivamente quebra (o que não aconteceria se eles não retirassem ou se o boato não tivesse iniciado o processo da catástrofe bancária).

Muitas vezes explicamos essa teoria com o princípio de bater o dedinho na quina da parede. Sempre existiu a possibilidade disso acontecer, mas se começamos a pensar muito sobre isso, e evitar “sempre que possível”  a quina, um dia quando esquecemos: pá! Batemos o dedinho na quina da parede e falamos: “viu falei que ia acontecer”!

Foi uma profecia auto-realizável.

A prognoplasia

Vou usar um termo complicado a partir de agora, cunhado por outro autor que estudava o Karl Popper [2] e o “efeito Édipo” para escrever sem entrar nos tecnicismos da psicologia, psicanálise e afins, o termo é prognoplasia.

Quando falamos de qualquer termo com o final “-plasia” dizemos que há um crescimento, uma nova formação irregular ou não de alguma coisa, falamos de desenvolvimento e assim por diante: ou se falamos aplasia (não crescimento ou não desenvolvimento).

Progno nesse caso vem de prognóse, ou  ‘conhecimento antecipado’ ou prognóstico que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. Portanto progno+plasia = crescimento do conhecimento antecipatório.

Assim, vamos para dois tipos de prognoplasias:

prognoplasias positivas: aquelas em que a divulgação do prognóstico tende a fazer que o evento previsto ocorra, ou, no caso extremo, efetivamente ocasiona sua ocorrência. As prognoplasias positivas costumam ser chamadas de profecias auto-realizáveis (self-fulfilling prophecies). 

O segundo tipo, obviamente, é o da prognoplasia negativa, correspondente às chamadas profecias auto-refutáveis, ou suicidas (Nagel, 1961, p.468 apud Oliveira) – aquelas cuja divulgação tende a fazer que o evento previsto não ocorra.

Mas quando sonhar é o que nos resta?

Vivemos em crise. Crises existenciais, crises econômicas, você pode escolher qual você deseja. É humano. É (infelizmente?) comum.

O que nos resta é sonhar. Buscar no nosso desejo aquilo que nos dará motivação para seguir em frente. Podemos fazer planos futuros para várias coisas e todos darem errado, mas se o sonho existir continuamos buscando alternativas.

O perigo mora quando paramos de sonhar, paramos de colocar no horizonte alguma coisa que desejamos e, nesse papel é importante que tentamos a todo custo reforçar nossos sonhos.

Quando sonhar é tudo o que resta você, mais cedo ou mais tarde dará um passo adiante, e depois outro e assim conseguirá por em prática benéfica a profecia auto-realizável. Conseguirá colocar ação diante das suas expectativas.

Quando sonhar for tudo o que restar, sonhe, crie, vislumbre uma luz no final do túnel para levantar no outro dia e mentalizar: esse é meu sonho e aos poucos vou trabalhar para alcançá-lo.

Há poucos dias deste post, colocamos uma frase no Instagram: “a grandeza surgirá das pequenas coisas feitas todos os dias”. E é assim que vencemos cada uma das crises, melhor, superamos pois não é necessário vencê-las mas entender que daquela crise você tentará extrair o que é bom e o que foi ruim para mudar.

Quando sonhar for tudo o que restar, levante  a cabeça e olhe o horizonte. Pois alí, naquele sonho, mora o desejo expresso do que queremos e que tentaremos, sempre alcançar.

Referências:

[1] Merton, Robert K (1968). Social Theory and Social StructureNew York: Free Press. pp. p. 477 “The self–fulfilling prophecy is, in the beginning, a false definition of the situation evoking a new behaviour which makes the original false conception come ‘true’. “ISBN 9780029211304OCLC 253949

[2] Oliveira, Marcos Barbosa de. (1999). Popper e o “efeito Édipo”. Trans/Form/Ação21-22(1), 33-42. https://dx.doi.org/10.1590/S0101-31731999000100005

FREUD, S. (1900). A Interpretação de Sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

O quanto este post foi útil para você?

Clique nos corações para votar!

Média / 5. Contagem de Votos:

Sentimos muito por este post não ter sido útil para você.

Nos diga como melhorar as postagens

Raul Oliveira

Formado em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital hoje está no papel de graduando em Psicologia é um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br

One thought to “Quando sonhar é o que nos resta”

Participe, queremos ler o que você tem a dizer