A minha mãe disse que

Minha mãe disse que… palavras que machucam.

5 min de leitura

A minha mãe disse que me odeia. 

A minha mãe disse que se pudesse não teria me feito ou a minha mãe disse que eu não presto.

A minha mãe disse que preferia ter abortado. 🙁

Esse é um assunto que chegou há pouco na Caixa de Segredos e resolvemos ampliar um pouco esse contexto antes de falar propriamente do assunto. A minha mãe disse que… 

Quando ela diz essas palavras duras, que machucam e ficam marcadas lá no fundo do peito, martelando na nossa cabeça, é algo que precisamos muito entender. Entender como elas nos afetam. O que elas querem dizer. E lembrar que tem muito mais envolvido nessa explosão, além daquilo que foi dito.

Inclusive, a  gente diz que não, mas ouvimos muito do que ela fala (até quando não ouvimos). Se somos adolescentes então, claro, vamos contestá-la: ela era até bem pouco tempo tudo e agora parece que não sabe de nada!

Mas sabia que a vida toda muda e que, aos poucos, vemos coisas que não víamos?

Também são palavras duras aquelas que já dissemos para ela: “te odeio”, “não queria que você fosse minha mãe”, “prefiro a mãe de…” concorda?

Meu filho ou filha disse que… poderia ser o tema deste texto. Vamos ilustrar com frases conhecidas isso tudo? Já cantou Renato Russo: “são crianças como você, o que você vai ser, quando você crescer?”…

Há um provérbio também que diz o seguinte:

“há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

Não é sempre que dá para “desdizer”. Vamos unindo os pontos: são crianças como você que falam palavras que não dá para desdizer….

E também há outra frase, que vezes é atribuída a Sigmund Freud e outras a Lise Bourbeau: “O homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João”.

E qual a relação disso tudo?

A ação envolvida no falar e ouvir. Quando um filho ou filha diz que “minha mãe me disse que” a primeira coisa que me pergunto é: e você disse ou fez o que para ela ter dito ou feito isso? Vamos ver as relações.

A comédia privada (e não entenda isso como sátira ou como aquelas comédias que vemos na tv; estou falando do gênero literário) daquela relação entre pais e filhos que muitas vezes tem espinhos, farpas, rancores, mas também tem amores, convivência e forte laço simbólico e físico; seja essa relação explicada biológica, psíquica ou social.

E que faz com que tenhamos que conviver por anos, expressando – de modo doloroso ou afetivo – aquilo que sentimos e quando vemos: puft… falamos as vezes querendo, as vezes não querendo.

Alguém importante disse uma vez: somos responsáveis pelo que falamos, mas não podemos garantir como somos ouvidos”.

A primeira coisa que devemos ter em mente quando ouvimos essa frase é tentar entender, sem a carga emocional, o que está atrelado a ela. Se é o cansaço de anos e anos de tentar ajustar uma relação ou se é apenas uma explosão momentânea.

Nem sempre controlamos a nossa língua, dizer para alguém: morra! Não significa, ou não deveria significar, que o desejo seja efetivo ou que levaremos a cabo essa palavra por mais raiva que estejamos sentindo naquele instante.

Há um espaço entre o falar e o agir, onde devemos incluir o pensar.

Tá, é muito mais fácil falar do que fazer. Eu mesmo brigo com minha mãe muitas vezes e ela briga comigo tanto quanto ou até mais, e sim, já falamos coisas que machucaram. Mas vale a pena pensar, fora do calor da emoção, o que está acontecendo?

Como chegamos nesse ponto?

Tem muito mais coisas que ela diz ou que eu estou fazendo quando ela me diz isso. Qual a expectativa dela em relação a mim e qual a minha expectativa em relação a ela?

Quando uma mãe chega ao ponto de dizer palavras desse porte é que aquela carga de emoção está atingindo o limite e puft.. ela fala. Mas o que ela disse (e que não pode voltar atrás) era realmente o que ela queria dizer?

E supondo que seja, o que fazer em relação a isso? Por que ela disse isso e qual a minha parte dessa frase? Fiz por merecê-la? Não? Por que não?

Não há uma resposta pronta para esse conflito que alguns chamam de conflitos de geração (pois aquilo que ela aprendeu durante anos mudou e o que você mostra e vê é outra coisa).

Também é preciso considerar como foi se construindo essa explosão. Um pai ausente pode significar trabalho e responsabilidade em dobro para a mãe em um trabalho de 24 horas por 7 dias e sem férias ou abono.

Vamos pensar e tentar entender se o que ela está dizendo tem mais relação com você ou com ela?

Olha, querida leitora (ou querido leitor), o melhor a se fazer após uma briga com palavras como essas é ponderar. Observar por vários e diferentes ângulos tudo e só então, depois de um tempo, chegar a uma resposta.

Sabe, tem uma outra história japonesa, que conta sobre a batalha de dois samurais. Samurais são aqueles guerreiros que se preparam uma vida inteira para serem exímios em sua tarefa, são guerreiros de valor, formidáveis e muito bem treinados.

Então, dois samurais vão batalhar, mas no momento da luta um cospe na cara do outro. Sabe o que faz o que recebeu a cuspida na cara? Retira-se.

Retira-se pois se enfrentasse seu oponente naquele momento ele não seria o melhor, sua ira inundaria seu corpo de hormônios que o deixariam vulnerável e lento.

Sua vitória seria maculada por uma raiva e sua excelência seria prejudicada.

Pense nisso. Pense em tudo isso. Se sua mãe disse… ouça e analise. Se achar que não consegue fazer esse exercício sozinha ou sozinho, procure por um psicólogo e leve esse assunto, o profissional o auxiliará.

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Raul Oliveira

Formado em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital hoje está no papel de graduando em Psicologia é um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br


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