sobre a ignorância no psico.online

Ignorância é uma benção. Será mesmo?

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Ignorância. A origem da palavra vem da palavra “ignorante” que tem, por sua vez, a sua origem no latim, no vocábulo IGNORANTIA, que é um derivado de IGNORARE, cujo significado é “não saber”.

Ela é composta por IN, “não” e GANRUS, “aquele que domina um tópico ou assunto, sabedor”. [1]

Benção segundo o site a Origem da Palavra [3], vem do Latim BENEDICTIO, “ato de abençoar”, de BENE, “bem”, mais DICTIO, de DICERE, “dizer”.

Já no site Etimologista diz-se que no hebraico, a palavra “bênção” (“berekhah”) vem de uma raiz (“barakeh”, “beirakheh”) que significa “ajoelhar, abençoar, exaltar, agradecer, felicitar, saudar”.

Tanto no hebraico quanto no grego (“eulogia”) apresenta um sentido de concessão de alguma coisa material. Todavia, a forma grega acrescenta ainda os bens espirituais. Nos dicionários, consta como “ação de benzer, favor divino, graça”.

A ignorância é…

Com base na etiologia – ciência que estuda a origem das palavras – presumiríamos que, quando falamos que “A ignorância seria uma benção” também diríamos que o não saber deveria ser exaltado, abençoado e que seria algo divino para ser felicitado ou exaltado. Será?

Particularmente, não concordo com isso de muitas maneiras. E você?

No campo religioso, e a partir Daquele que é onisciente, e que fomos criados a sua imagem e semelhança, por mais fraco que fossemos, ainda assim, a nós para tentarmos nos aproximar Dele, seria pedida a busca por essa onisciência (tentar aprender ou conhecer o mais que conseguirmos).

No campo da ciência, essa frase por si, nos levaria a uma época sem descobertas ou tentativas de aprender ainda mais sobretudo, sobre como funcionam as coisas e sobre como podemos curar doenças, criar tecnologias, etc.

No sentido estendido da frase, não acho que deixar de saber realmente facilite algo.

Talvez amenize com base em outra frase: o que os olhos não vêem o coração não sente.

E, como uma pessoa que busca levar informação, acolhimento e um pouco de conhecimento adquirido por experiência e estudos, não posso concordar com nenhuma delas.

Pelo menos não na maioria do tempo.

Sou a favor do conhecimento. Da troca. De compartilhar aquilo que sabemos para juntos evoluirmos.

Também sou favorável, que podemos sentir, mesmo sem ter visto algo, sentir por ter conhecimento e esse sentir não especifica se é bom ou ruim.

Muitas vezes a fim de evitar a dor (ou tentar insensatamente ignorá-la) tentamos negá-la.

Em estado de negação ou em levantar muros sobre aquilo que incomoda, machuca ou entristece, acabamos por dizer: não quero saber.

Mas não saber, não quer dizer que o fato em si não aconteça.

Depois, concordando com a autora das fases do luto: negamos, ficamos com raiva, tentamos barganhar (se a dor tanta vamos ignorar, o que acha?) e por fim a depressão e aceitação.

No blog da Rosana [2] há um post contrário a esse título: A ignorância [NÃO] é uma benção.

E ela sugere que o termo surgiu em um poema, onde, o poeta dizia que em um lugar onde há tolos, a ignorância é uma benção, mas que a apropriação da frase a fez meio pop no nosso tempo.

Assim, queridas leitoras e queridos leitores, compartilho com vocês que a ignorância, por mais tentadora que seja no momento de dor, não é solução. É, talvez negação, talvez incerteza, mas certamente não ajuda a solucionar nada.

A ignorância nos faz tomar atitudes drásticas e impensadas, a ignorância releva o mais primitivo de nós mesmos e passamos ao modelo egoísta, ao modelo animalesco.

Tornar-se ignorante por vontade própria é negar a sua existência na Era da Informação e do Conhecimento. É preferir, voltar-se para a caverna (ver o mito da caverna de Platão) ao invés de sair e descobrir que o mundo, por mais dificil que seja, ainda tem coisas boas e belas.

E ai, concorda comigo?

Referências sobre o texto Ignorância:

[1] https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-ignorancia/

[2] https://rosanahermann.wordpress.com/2012/08/10/a-ignorancia-nao-e-uma-bencao/

[3] http://origemdapalavra.com.br/palavras/bencao/

Raul Oliveira
Formado em Administração com ênfase em Marketing, workaholic geek que respira tecnologia, pesquisador e mestrando em tecnologias da inteligência e design digital hoje está no papel de graduando em Psicologia é um dos fundadores do Psico.Online e do MeuPsicoOnline.com.br
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