Como saber se é hora de sair de um namoro?

Como saber se é hora de sair de um namoro?

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O namoro, assim como qualquer relacionamento amoroso, quase sempre é complicado. Trata-se da dinâmica entre duas pessoas que, mesmo com muito em comum, ainda possuem um mundo de diferenças. Por isso é comum que as coisas não saiam como esperado.

Neste artigo vamos falar sobre como algumas pessoas sentem muita dificuldade em compreender qual é o seu real desejo quando se trata de terminar ou não o namoro. Ele foi criado após recebermos uma caixa de segredos, onde uma leitora expôs seus receios com relação a dar continuidade ou não a um namoro.

Embora não haja receita de bolo para resolver esse dilema, as reflexões abaixo irão auxiliar na tomada de decisão.

Paixão vs Pessoa Real

Quando nos apaixonamos por uma pessoa, salvo exceções, a conhecemos pouco, ou a conhecemos de longe. E isso significa que temos muitos pontos cegos em relação a quem aquela pessoa amada realmente é.

O que nosso cérebro apaixonado faz, então, é preencher as lacunas com “fantasias”. Podemos não nos dar conta, mas criamos uma ideia daquela pessoa por quem nos apaixonamos e por isso ela nos parece tão perfeita e desejável.

Ocorre também porquê quando estamos a fim de alguém sempre buscamos mostrar nosso melhor lado. Afinal, queremos ser desejados tanto quanto desejamos.

Com o passar do tempo e da convivência, vamos sendo apresentados pouco a pouco às características da pessoa real.

E então nossa fantasia vai sendo confrontada com comportamentos que podemos não gostar, entre várias coisas.

Diante disso algumas pessoas ficam confusas, pois mantém-se apaixonadas pela pessoa “ideal”, ou seja, por quem se apaixonou, mas namora com uma pessoa diferente daquilo.

Este momento costuma ser crucial no relacionamento, pois, embora possa ocorrer em tempos diferentes, ambos passarão por isso e devem decidir se levarão adiante a relação ou não.

Para isso é preciso conseguir desapegar-se da fantasia. E lembrar que não existe pessoa perfeita ou pessoa exatamente como você idealizou.

Autoconhecimento

Conhecer a si mesmo é fundamental em todos os aspectos da vida. Em um relacionamento, é a chave para um relacionamento saudável.

Autoconhecimento dentro do relacionamento ajuda a diferenciar o que é seu e o que é do parceiro(a). Vamos a um exemplo:

O casal briga constantemente por conta de mensagens que um deles troca em redes sociais, e o outro não gosta.

O primeiro passo importante é compreender o sentimento que gera a briga, neste caso, ciúmes sentido por uma das partes. Em seguida entender o que despertou o sentimento, que pode ser o medo do abandono, a sensação de estar sendo desrespeitado(a), ou algum outro motivo.

Isto definido, é hora de investigar se o ciúme é um comportamento que acompanhou a pessoa em outros relacionamentos. Se for algo constante e por vezes sem motivo concreto, a pessoa que sente isso precisa admitir que talvez a questão esteja nela, em sua insegurança.

Por outro lado há a parcela de responsabilidade do parceiro, que precisa ser também falada na relação para que fique claro quais são os limites do outro.

O diálogo entre pessoas que se conhecem e se respeitam, não será uma briga onde um ataca e o outro se defende. Será possível expor seu ponto de vista e entender o ponto de vista do outro, e isso fará toda diferença na qualidade da relação.

Nada garante que haverá sempre consenso, afinal estamos falando de pessoas. Mas tendo bem claro quais são seus limites, será possível decidir sair do relacionamento com clareza de pensamento.

Conheça seus limites

Uma pessoa que não reconhece e não coloca seus limites corre o sério risco de viver situações abusivas.

Isso acontece, pois, podemos ser ensinados a suportar ou relevar diversas situações no dia a dia, desde crianças. Em contrapartida não fomos ensinados a dizer a nós mesmos nem para os outros: “isso eu não admito”.

Por isso, reservar um tempo para pensar naquilo que você não admite é importante para si em diversos aspectos, incluindo no relacionamento.

E estes limites variam de pessoa para pessoa, mas o importante é que quem deve decidir é você. Por exemplo, pode ser faltar com respeito (gritando, agredindo, traindo, mentindo); faltar com atenção (não demonstrar carinho, ser distante emocionalmente); ter visões de vida incompatível; entre tantas outras coisas.

Tendo isso em vista, fica mais claro o que você busca em alguém e em um relacionamento. Também pode ponderar se tem isso em seu relacionamento atual, se é algo que pode ser ajustado ou flexibilizado, ou se é hora de sair do namoro.

Cada um é cada um

“O sapato que se ajusta a um homem aperta o outro; não há nada para a vida que funcione em todos os casos.”

Essa frase do psicólogo Carl Jung nos diz que nem sempre aquilo que faz o outro feliz, vai nos fazer feliz. Por isso, não é preciso se culpar caso esteja ao lado de alguém que seja claramente uma boa pessoa, se isto não te faz feliz.

Claro que um bom caráter é importante para todos, mas existem aqueles detalhes que fazem a diferença, por exemplo: senso de humor; objetivos de vida; tipo de papo; forma de demonstrar carinho; disposição para novidades; etc.

O importante é saber o que te faz feliz. Entrar em contato com seus desejos sem julgamentos para que sua decisão esteja alinhada com você.

Sair de um relacionamento no qual não se está feliz e não se consegue ou não quer “consertar”, também é um sinal de respeito para com a outra pessoa.

Se o outro não quer terminar a relação, haverá sofrimento sim. Sendo este um momento bastante delicado, que requer um grande senso de responsabilidade afetiva.

Mas entenda que ao fazer isso você está dizendo a si mesmo: “Me respeito o bastante para não estar com alguém por comodidade, por obrigação ou dó. E te respeito o bastante para que você possa ser feliz no futuro, mesmo que não esteja feliz agora.”

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Thais Tamara
Psicóloga graduada pela Universidade Paulista, e especialista em Psicologia Hospitalar pela Faculdade de Medicina da USP.

Atuo como psicoterapeuta clínica desde 2014 em São Paulo nos bairros Vila Madalena (ZO) e Jardim São Paulo (ZN) com adultos e adolescentes, sou palestrante sobre temas de saúde mental e emocional e co-fundadora do Projeto Re-Criar, que visa a aproximação e discussão de temas psicológicos do universo feminino.
Na minha prática utilizo a abordagem psicodinâmica, que aborda os conflitos inconscientes e busca, a partir do vínculo e comunicação entre paciente e terapeuta, a superação de conflitos e o amadurecimento emocional da pessoa, para que se viva da melhor maneira possível.
06/11.843-0
Contato: (11) 9.6797.3939
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Thais Tamara

Psicóloga graduada pela Universidade Paulista, e especialista em Psicologia Hospitalar pela Faculdade de Medicina da USP.

Atuo como psicoterapeuta clínica desde 2014 em São Paulo nos bairros Vila Madalena (ZO) e Jardim São Paulo (ZN) com adultos e adolescentes, sou palestrante sobre temas de saúde mental e emocional e co-fundadora do Projeto Re-Criar, que visa a aproximação e discussão de temas psicológicos do universo feminino. Na minha prática utilizo a abordagem psicodinâmica, que aborda os conflitos inconscientes e busca, a partir do vínculo e comunicação entre paciente e terapeuta, a superação de conflitos e o amadurecimento emocional da pessoa, para que se viva da melhor maneira possível. 06/11.843-0 Contato: (11) 9.6797.3939

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