Caravaggio, morte della vergine, 1601-1606

Morte, como lidar?

4 min de leitura · 

Tratar desse assunto, a morte, costuma ser algo tão assustador que a simples menção da palavra é o bastante para criar um desconforto real em muita gente. Não precisa ser assim, por experiência.

Mas sigamos com calma. Esse texto é para quem sofreu uma perda recente. Que está procurando explicações e um acolhimento para compreender. Trataremos a morte de uma maneira mais clara e concisa.

Quero neste texto, mesmo que distante, que você sinta minha mão no seu ombro, que entenda que quem está escrevendo já viveu algumas perdas e que estuda muito; tanto para responder os próprios questionamentos quanto para apoiar aqueles que precisam.

Por que a morte é tão dolorosa?

Primeiro, uma vez que vivenciamos a perda mal sabemos como proceder. O chão some. O vazio aparece. E agora? Nunca mais veremos aquele alguém…

Verdade. Mas também lembraremos de todas as coisas boas, nos acostumaremos a ausência que um dia foi presença. Nossa memória, regida pelo nosso cérebro, bem como o nosso processo emocional apazigua nossa dor através de conceitos científicos mas que amenizam a supressão do ruim pelo bom, e neste momento, é isso que importa.

Porém será muito difícil como qualquer mudança, como qualquer perda, e em casos recentes as únicas palavras que poderão acalentar um pouco a dor é: sinto muito, de verdade, eu realmente sei como é sentir essa perda mas estou aqui se você precisar de algo.

Ao final do dia, são poucos aqueles preparados para encarar a morte. Principalmente em nossa cultura onde o culto, o respeito e as lições de vida e de morte não são algo comum.

Segundo, é difícil de aceitar. Muitas vezes recorremos ao conforto de palavras que tendem a parecer vazias, mesmo suportadas por nossas religiões ou crenças.

Enfim, o que quero dizer é que o resultado ainda é: a dor inabalável da perda e a frustração de não ter poder sobre isso é que a faz doer tanto.

Art by Amanda Cass
Art by Amanda Cass

Mas a morte é parte da vida.

Começamos a morrer em nossa primeira expiração.

De fato, já na nossa formação, as células morrem, o que chamamos de apoptose. Por exemplo: as mãos são estruturadas pela morte de várias células para que os dedos sejam formados – enfim, a morte é presente e contínua, desde o momento que “vivemos”.

Em muitas culturas a morte tem o significado da passagem, tanto que os ritos que são estabelecidos são feitos principalmente para que aqueles que estão sofrendo se entretenham e direcionem energia para algo construtivo.

A morte não é ruim, ela é parte da nossa existência. É a única certeza absoluta que temos. A morte é que rege nossa urgência. Ela, a morte, é que gera a continuidade, o final de um ciclo.

O problema principal, que nós tendemos a enfrentar, é a perda.

Valoramos aqueles que nos deixaram, damos valor a sua existência, seja por apego, por amor, por qualquer tipo de sentimento que ligue você àquele que partiu.

Quando falamos de morte, o segredo infelizmente é deixar que o tempo passe, e durante esse período, trabalhar e realizar nossos rituais para apaziguarmos a ausência. É construir artimanhas mentais que caiamos para superar.

É, feliz ou infelizmente, deixar o tempo passar.

É compreender que aquele vazio, aquela falta, ficará para sempre, mas que a essência, que fazia aquele que partiu, é que deve ser lembrada e festejada.

Mas qual o sentido da morte?

É entender que nossa memória reservará um lugar especial, mas que aos poucos o laço primal será diluído para lembranças boas ou ruins, mas lembranças.

Peço desculpas pelo uso da palavra festejada, normalmente não festejamos a morte, mas devemos celebrar a vida que a pessoa experimentou: seja longa ou curta. Devemos festejar a aproximação daqueles que esse nó humanizado unia.

O sentido de festejar é esse, tentar ver pelo lado bom (e não estou dizendo que exista um.

Costumo lidar com a morte de uma maneira mais proximal, entender que a qualquer momento poderemos ser tocados por ela, nós ou aqueles que amamos. Então o que fazer? Como lidar?

Na psicologia, dizemos que falar e expor o sentimento é o melhor a ser feito.

Nesses casos, aprender a lidar com o nosso apego. Entender o real sentido da dor que estamos sentindo é que fará a diferença. É trabalhar com ela, é lutar contra o sofrimento.

Os porquês tem respostas que não suprirão a ausência. Por isso o luto. E dai a origem da palavra:

  1. Do Latim LUCTUS, “dor, pesar, aflição”, de LUGERE, “lamentar, sofrer”.
  2. Do L. LUCTA, primitivamente LUITA, “luta, pugna, esforço”, de LUCTARE, “lutar”.

Guardar o luto é passar por essa aflição, lamentar-se, vivenciar e seguir.

Novamente, espero que o seu tempo de luto seja curto. Que você elabore muito rapidamente e aceite que não há nada que possa ser feito, que, mesmo apaixonado pela vida, um dia teremos a morte nos esperando.

Que até lá, tragamos para nós mesmos o ideal de aproveitar cada instante. De viver intensamente a vivência de cada ser. “Carpe Diem” pois ele poderá ser o último.

Veja o vídeo:

[video: Marsha Onderstijn Animation – www.marshaonderstijn.com – Music by Ramon de Wilde: http://bit.ly/1oE9u4m – www.ramondewilde.nl]

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