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Por que não falamos sobre o ataque na Somália?

2 min de leitura

Há um ano atrás publicamos aqui no blog um texto que falava sobre o furacão que arrasava o Haiti e alguns porquês de a mídia e as pessoas não falarem sobre a dor dos haitianos.

Nesses últimos dias que sucedem o ataque que aconteceu na Somália, vitimando mais de 300 pessoas, pouca gente novamente se manifestou a respeito de um assunto tão sério, mas ainda assim pude ver alguns posts no facebook. O que me chamou à atenção dessa vez é que curiosamente quem abordou criticava quem não o fez e, assim eu observava um discurso de raiva e de julgamento acontecendo a olhos nus.

Eu não vou abordar os porquês de provavelmente poucas pessoas se “solidarizarem” com a Somália, isso eu fiz no texto do Haiti, mas vou abordar os aspectos ruins de acharmos que todo mundo precisa sofrer a dor do outro.

Em primeiro lugar, precisamos compreender que para algumas pessoas existem dores insuportáveis e, sabe de uma coisa? a gente tem que respeitar isso.

Clique e fale com um Psicóloga Online agoraCada ser humano nessa Terra tem um tempo de processamento e amadurecimento diferentes.

Se você consegue sair por aí, de perto aberto, recebendo todas as pancadas da vida, maravilha! Mas pode ser que o colega ao lado ainda não consiga. Significa que ele é um insensível, um covarde? Nada disso. Significa que ele está se preservando, que não consegue encarar as pancadas e prefere ficar de fora das “batalhas”. Quem somos nós, eu ou você, pra julgar esse colega?

Quando eu apenas critico uma pessoa que não agiu, não estou ajudando-a, estou julgando-a! E isso não serve para nada mais além de fazer com que a outra pessoa endureça, se esconda ou tenha raiva de você (e talvez dela mesma) por não saber como lidar.

Em segundo lugar, se você acha que publicar no seu facebook uma crítica atacando a quem não está usando a #prayforsomália vai mudar algo, me perdoe, mas você está tão errado quanto quem não publicou nada.

O que você acha que a sua crítica vai trazer de mudanças para as pessoas da Somália, pro mundo?

Pensa um pouco, se você quer mudar esse mundinho tão horrível em que temos vivido, precisa fazer as pessoas quererem te ouvir e não afastá-las.

A gente não gera amor usando ódio ou desprezo como matéria prima, sabia?

Tente promover debates, rodas de conversas. Fale sobre como você se sente vendo tantas pessoas sofrerem. O que está fazendo para ajudá-las. Gere empatia.

E antes de qualquer coisa observe-se. Apontar os possíveis erros alheios é fácil, mas e mudar o seu próprio comportamento, como é que é? Vamos tentar ser mais agregadores e menos separatistas, por favor 😉

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Raquel Ferreira
CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

Raquel Ferreira

CRP 6/101759 - Graduada pela Universidade São Francisco, mestre em Ciências da Saúde pela Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo. Psicóloga clínica desde 2010, busca constante aprimoramento na abordagem analítica. Estudou Cinesiologia no Instituto Sedes Sapientiae, frequentou grupos de estudo e supervisão teórica na Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica de São Paulo e ainda, integrou o grupo de Neurociências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atualmente é doutoranda em Psicologia Social, pela Universidad Complutense de Madrid.

One thought to “Por que não falamos sobre o ataque na Somália?”

  1. Não falamos sobre o ataque na Somália porque para os “países desenvolvidos” há mortes que têm mais importância do que outras. Cerca de 300 somalis morreram e isso não foi importante para os “países desenvolvidos” mas se fossem 30 franceses vítimas de um ataque terrorista isso fazia parte da agenda de todos os “países em desenvolvimento”. Há vidas que valem mais do que as outras.

Participe, queremos ler o que você tem a dizer